[Dúvida do leitor] Em tempos de passagens raras e absurdamente inflacionadas, qual a utilidade de se acumular em massa no Smiles ou em qualquer outro programa de milhagens aéreas?

A dúvida, do leitor Fábio, era originariamente dirigida ao SwineOne, mas, diante da relevância das reflexões propostas pelo leitor, resolvi transformar em post para abrir um leque maior de possibilidades para que os leitores pensem e repensem sobre até que ponto está valendo a pena acumular pontos nesses tempos difíceis para o consumidor brasileiro.

Confiram!

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“Em tempos de passagens raras e absurdamente inflacionadas, qual a utilidade de se acumular em massa no Smiles? Ou em qualquer outra, de fato?

Sabemos que, a longo prazo, um bom saldo até pode se transformar em alguma coisa útil.

Mas francamente, quais as reais chances disso, no Smiles, hoje em dia?

Eu recebo propostas de compras com muito desconto o tempo todo.

Às vezes aproveito pra trechos específicos que sei que de vez em quando aparecem com bons valores.

Mas meu ranço com o Smiles desde que começaram a inflacionar os preços me enjoa só de pensar em ser um acumulador “fiel”.

Agora, é a Latam que resolveu inflacionar os trechos saindo de outros portos na America Latina, opção que utilizei muitas vezes, seja Lima, Santiago ou Bogota.

Aqui (Latam Pass) eu ainda até tenho um saldo razoável, mas acumulo com cautela.

Já no Smiles, nem pensar.

Então, insisto, o quê ainda se vê de benefício ali?”

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O Swine respondeu:

“Não é à toa que fiz tanta questão de pegar essa promoção de R$ 1/mês por 100 milhas — estou evitando de acumular lá, só quero permanecer no Clube.

Isso porque preciso remarcar uma passagem para a Europa que emiti ano passado e foi cancelada, e depois emitir trechos internos na Europa.

Mas não mando mais nada para lá desde que completei a pontuação dessa passagem em outubro/2020.

Mas enfim, manter o Clube a R$ 1/mês me parece uma boa política, nunca se sabe o que pode surgir. Até porque, se sobrarem pontos depois da emissão, pelo que me lembre a melhor cotação do ALL (que e como vou queimar os pontos restantes) exige o Clube.

Mas meu acúmulo mesmo foi no AAdvantage na Bateu Ganhou, e também na Azul onde estou precisando fazer emissões periódicas por questões de trabalho — e aproveito periodicamente para esvaziar a conta no ALL conforme aparecem promoções 5:1.”

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No contexto atual, o problema é que tanto as passagens em dinheiro quanto as passagens em milhas e pontos – que seriam uma alternativa – estão muito caros.

Pior: as passagens em trechos domésticos chegam a custar mais caro que os trechos internacionais.

O leitor Zé Binsk postou no Twitter, já há alguns meses, que um trecho doméstico, saindo de Brasília, para São Paulo, estava saindo por R$ 3 mil. No mesmo dia, um trecho internacional, saindo também de Brasília (no mesmo dia, repita-se), mas para Miami, estava custando R$ 1,5 mil:

Conclusão

Por isso, vale sempre a velha máxima: earn and burn.

Acumulou, resgate logo.

Não encare sua conta de milhas como uma poupança a longo prazo.

A longo prazo, as milhas se desvalorizam – e muito. Um trecho que antes custava 10 a 15 mil pontos ou milhas para ser emitido, hoje em dia está custando de 30 a 40 mil pontos. E no futuro poderá estar custando de 60 a 80 mil pontos.