A Azul realmente não deve comprar a Latam Brasil (ainda bem…)

Correu essa semana o boato de que a Azul estaria agindo nos bastidores para tentar comprar a operação brasileira da chilena Latam Airlines, a qual, como todos sabem, está em processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.

Contudo, numa análise mais acurada do caso, especialistas do setor não veem chances de isso ocorrer.

Segundo reportagem publicada pela Exame na última sexta-feira (link), a Azul teria reportado no último balanço trimestral uma dívida de R$ 14 bilhões em arrendamento de aeronaves, quando na verdade o saldo real a ser desembolsado seria de R$ 29 bilhões.

Ou seja, haveria R$ 15 bilhões em dívidas que estariam “fora do balanço”.

Os R$ 15 bilhões a mais que não estão no balanço aparecem nas notas explicativas, e é uma dívida que a Azul terá que pagar de qualquer forma.

Além desse fator financeiro, mesmo que de fato a Azul tentasse comprar a Latam Brasil, haveria ainda outro fator que teria que ser ultrapassado: o fator regulatório.

Juntas, Azul e Latam Brasil concentrariam mais de 60% do mercado doméstico de aviação comercial, e o CADE dificilmente aprovaria tal concentração.

Conclusão

Vamos continuar na torcida para que essa compra não aconteça.

Os preços já tiveram um notório aumento com a falência da Avianca Brasil, e diminuir a quantidade de empresas aéreas que oligopolizam o mercado aéreo de 3 para apenas 2 só iria piorar ainda mais a situação.

Além disso, eventual compra da Latam Brasil pela Azul teria impacto direto para os clientes Latam Pass, cujos pontos teriam certamente o mesmo destino dos pontos acumulados e não utilizados no Amigo Avianca: cairiam a valor zero.

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