[Guest post] Reflexões sobre o aumento das anuidades dos cartões de alta renda e o novo padrão de mercado.
As reflexões são do Asaf, cujo comentário foi um dos mais votados num post recente do blog:
“O aumento das anuidades dos cartões de alta renda parece ser um novo padrão de mercado. Antigamente, poucos clientes conheciam ou utilizavam benefícios como acesso a salas VIP e restaurantes parceiros. Hoje, esses benefícios se tornaram amplamente difundidos, o que pressiona as instituições financeiras a reajustarem valores para equilibrar custos.
Cada entrada em sala VIP tem um custo médio de cerca de USD 35 por pessoa. Muitos cartões oferecem acesso ilimitado, inclusive com convidados, e ainda permitem adicionais sem tarifa — como o caso do Altus, que concede até 8 adicionais gratuitos. Isso multiplica o uso dos benefícios sem necessariamente gerar retorno proporcional para a IF.
No segmento Private, clientes com mais de R$ 5 milhões em investimentos têm isenção de anuidade. Porém, há situações em que clientes permanecem no segmento mesmo abaixo do valor mínimo, ou continuam usufruindo dos benefícios após retirar investimentos, desde que mantivesse os 25k no cartão. Isso gera distorções, já que o custo dos benefícios não é compensado pelo relacionamento financeiro.
Imagine, por exemplo, alguém que viaja frequentemente, como amigos que fazem a rota Recife–Salvador duas vezes por semana. O uso intensivo das salas VIP nessas viagens representa um custo significativo para a instituição, especialmente quando o cliente possui acesso ilimitado e ainda leva convidados. Esse tipo de perfil evidencia como os benefícios podem ser explorados em larga escala sem que haja contrapartida proporcional em fidelização ou investimentos.
Outro ponto relevante é a “banalização” dos cartões com acesso a salas VIP. Muitos clientes possuem vários cartões de diferentes instituições e utilizam os benefícios sem manter fidelidade a uma única IF. Como resposta, os bancos tendem a adotar regras mais rígidas, como já acontece com o Mastercard Black, que condiciona o acesso a gastos mínimos no cartão.
Em resumo, o aumento das anuidades e a criação de critérios mais restritivos não são apenas medidas de rentabilidade, mas sim uma forma de corrigir desequilíbrios e garantir sustentabilidade. O “novo normal” será: anuidades mais altas, regras mais rígidas e exigência de maior engajamento financeiro para manter isenções e benefícios exclusivos.
“Não estou defendendo o aumento, apenas justificando esse novo movimento de mercado”
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E você, como visualiza esse novo normal do mercado?