[Reflexões do leitor] O hobby de viajar mais e melhor se tornou um assunto árido, com necessidade de especialização que só se consegue com dedicação e estudo que as vezes parece não valer? Ou apenas eu que estou com uma visão pessimista demais?

O leitor Cícero Bezerra escreveu as seguintes reflexões:

“Pessoal, vendo a dúvida do leitor Circunspecto Vínico só conseguir pensar “Estou velho! Não entendi nem a pergunta.”

Estou com 43 anos e minha conta smiles é de 2003. Lembro que com uso orgânico de cartões, de vez em quando, aparecia uma passagem nacional para vc usar. Simples assim. Em 2005, já formado, tive acesso a alguns cartões e as emissões eram também mais ou menos simples (10 mil milhas e uma passagem nacional para o nordeste brotava na sua conta). Sem ginástica nem nada. Infelizmente não aproveitei esta época para fazer cartão com cartão que muitos fizeram, mas acho que consegui aproveitar. Nessa época também havia uma maior flexibilidade, até no Smiles, com stopover e open-jaws sendo muito fáceis de fazer.

Aí depois (talvez nos idos da década passada) vieram as promoções bonificadas, pontos transferíveis e os clubes. Aqui já achei que precisava de uma certa ginástica para emitir, mas valia a pena. Conheço muita gente que com facilidade emitia ainda executiva para o exterior e aproveitou bem. Se não me falha a memória em seguida tivemos a venda de pontos em grandes plataformas, onde mesmo quem tinha fobia de voar podia “girar” as milhas e faturar em cima. E claro, em cada etapa as regras foram piorando, os resgates ficando mais caros e a ginástica ficando mais puxada. E tivemos a pandemia.

Hoje, confesso, que me sinto em uma arena tendo que superar as piruetas da Simone Biles para conseguir emitir uma passagem e me pergunto se vale a pena. E se quiser mala despachada, marcação de lugar, uso do banheiro se prepare para dar o quádruplo backflip, flic-flic quíntuplo twist carpado (tb conhecido como salto “Dos milheiros”). Vejo colegas monitorando a virada de calendário 11 meses a frente, stress com promoções não cumpridas, etc. e definitivamente essa rotina não se encaixa na minha vida e nas minha necessidades. Acaba que estou preferindo pagar as passagens com dinheiro (ao menos nos voos internacionais). Além disso, com o tempo ficando mais escasso e os preços loucos das passagens, não raro já achei passagem em executiva 50%/60% mais caro que a passagem pagante para algumas épocas de baixa. Bem, para voo nacional ainda usava bem, mas com a recente alteração da AA nem sei como as coisas ficarão.

Em resumo, vocês também não sentem as vezes que o hobby de viajar mais e melhor se tornou um assunto árido, com necessidade de especialização que só se consegue com dedicação e estudo que as vezes parece não valer? Ou apenas eu que estou com uma visão pessimista demais?”

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Como de costume, o texto do Cícero foi o ponto de partida para excelentes reflexões na caixa de comentários.

O Flávio, por exemplo, escreveu:

“Tenho a mesma idade que vc, estou “nesse mundo das milhas” há pelo menos 20 anos.. concordo com o q vc disse está cada vez mais difícil, mas pelo que noto essa dificuldade é maior em voos de/para o Brasil para outros lugares.

Viagem nacional eu só pago em dinheiro, milhas é apenas para voos internacionais em executiva e primeira e mesmo assim tenho que fazer um malabarismo por enquanto aceitável (internacional em eco ainda prefiro usar $).”

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E você, também se encontra na faixa dos 40 e poucos anos e tem sentimentos parecidos com os Cícero ou Flávio?

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