[Guest post] Minha análise detalhada sobre as mudanças no programa TAP Miles & Go: pontos positivos, pontos negativos e conclusões

Segue mais um excelente texto do Leandro Nicolau (obrigado!), comentando, de forma excelente e com profundidade e riqueza de detalhes, todas as mudanças no programa TAP Miles & Go.

Confiram!

……………………….

Introdução

Vou deixar minha análise aqui sobre o aumento da tabela da TAP. Não quero dizer que estou certo nem nada disso. Sou fã do programa (mesmo com todos os problemas já conhecidos por todos) pois mesmo assim emissões sensacionais podem ser feitas, mas tentarei ser bem lúcido e imparcial.

O último aumento na tabela com parceiros e Star Alliance havia sido em 2018, não lembro exatamente o mês. Vamos considerar então que se passaram 4 anos desde o último aumento e neste período tivemos uma pandemia que parou o mundo e literalmente mergulhou a aviação mundial na maior crise do setor já vista e na esteira disso uma “guerrinha” pra deixar todo mundo sobressaltado com esses movimentos da “mãe Rússia”. Instabilidade, preços e variações de combustíveis altíssimos e todo o resto que acho que ninguém aqui desconhece.

Paralelo a isso temos um mercado de milhas que não se replica em lugar nenhum do mundo, onde algumas (muitas) pessoas – leia-se gafanhotos, uma verdadeira praga –  que jamais pisaram num avião movimentam mais milhas e passagens que viajantes reais (através de grandes players também já conhecidos) para ganhar um troco e se achar o guru que conhece “o investimento que te dá 20% ao mês de retorno, que seu banco não quer que você saiba” que algum colega sempre comenta aqui.

Basicamente cortaram onde mais “dói”, na minha opinião e é um recado claro de onde está o problema como vou analisar abaixo.

Pontos que permanecem positivos, mesmo com as mudanças

Mas apesar dessa PÉSSIMA notícia vou começar pelo que acho MUITO, MUITO bom e que pra mim já era uma emissão fantástica:

Ida e volta para Ásia e/ou Oceania!

A TAP não mexeu nessas regiões continuando a cobrar impressionantes 260k pontos TAP (também não mexeram na tabela de Primeira Classe nem Econômica nesses trajetos).

Galera, com todos os IMENSOS problemas de disponibilidade em Star Alliance (que não é culpa da TAP) e a dificuldade de um processo de emissão funcional (culpa da TAP: site lixo, atendentes na central de final 2066 totalmente ineficazes) esse valor é absurdo.

Pra quem não vê problemas em judicializar, é possível voar 4 longos trechos no A380 da EK e reaver depois o valor da YQ.

É possível conectar na América do Norte e seguir para Auckland a bordo de uma excelente cabine da Air New Zeland.

Se for Primeira Classe e a pessoa não tiver problema de organização, dá pra fazer dois trechos bem longos também na Primeira Classe da Lufthansa, ainda fazendo um stopover em FRA pra dar aquela relaxada – nesse caso o valor sobe para 360k ida e volta ou 310k se a ida for na F (Primeira Classe) e a volta na biz (Business = Classe Executiva).

Em resumo: SENSACIONAL.

Já fiz esse tipo de emissão (mas no caso combinando United + Asiana + Air Canada) indo para Seul, usei os 6 segmentos e fiz um stopover com open jaw em Toronto. Paguei sorrindo os 520k pontos pra mim e esposa, ainda mais que esses pontos vêm com 99,5% de “custo zero”.

Para quem mirava esse tipo de emissão (como eu) nada mudou e podemos continuar tranquilos.

Para a Europa e Norte da África EU considero o reajuste irrisório. Eu sei que todo reajuste é “ruim” mas se esse é o preço para continuar nessa faixa de valores, não vejo problema algum. Nessa rota não houve mudança na cobrança de emissão em F, então continua exatamente a mesma coisa.

Os reajustes na econômica e na executiva em média mal ultrapassam os 5% então está ótimo.

Eco: 70k para 75k e biz 115k para 120k. Sinceramente, “nada” muda nessa emissão.

Usando os seis segmentos mais a possibilidade de stopover + open jaw dá pra brincar legal!

Para o Oriente Médio os reajustes em média ficaram na casa dos quase 12% e como as emissões já não eram tão baratas assim, se tornou um pouco mais difícil. Não chega a ser algo “proibitivo” mas acaba pesando um pouco mais e para quem tem mais dificuldades de obter as milhas, numa viagem com duas pessoas ida e volta em biz ficará 60k mais cara. É bom? Não é mas eu vejo que poderia ser BEM pior.

Na América Central e do Sul nada mudou, em nenhuma classe mas acho que um número pequeno de viajantes usava a emissão com parceiros da TAP para voar nessas regiões. De toda forma quem usava não será impactado e com a “remoção” da classe executiva por parte da AV nos voos na Am. Sul e Am. Central resta tentar pegar a Dreams da Copa (o que se apresenta ser um desafio hercúleo já que a disponibilidade é praticamente nula, mesmo com pouca ou nenhuma antecedência).

Para o restante da África (ocidental, central e oriental) os reajustes tiveram uma média de pouco menos de 10%, pouco impactando quem pretendia usar o programa para esse tipo de emissão. Para um casal ida e volta em biz terá um gasto a mais de 40k pontos. Como comentei, “nenhum reajuste é bom” mas para se manter nessa faixa cobrada acho bem salutar. Usando todos os recursos que a TAP permite, dá pra fazer boas emissões também (quem sabe a SAA renasce das cinzas e retoa voos para GRU, seria mais uma opção).

Pontos negativos da mudança

Agora vamos para as regiões onde a chinela cantou e cantou valendo: saindo da América do Sul para a América do Norte. Aumento no trecho de 35k para 55k em eco (= econômica) (quase 60%), 50k para 95k em biz (90%) e aumento de 65k para 115 em F (pouco menos de 80%) – esse último coloquei só para termos a base mesmo.

Galera, aqui a pancada foi violenta e aí sim, veio para onerar pesadamente quem emite essa rota. Em fevereiro deste ano comentei sobre a minha ida de última hora para a Califórnia e como foi a emissão (Inclusive o Guilherme transformou em post); havia disponibilidade para até 4 assentos em todos os trechos e no que eu gastaria 400k ida e volta hoje seriam 760k. Para o casal estamos falando de ida e volta em biz de um gasto extra de 180k pontos.

Claramente havia já um desbalanceamento no custo dessa emissão (antes do aumento de 2018 custava 90k em biz ida e volta #saudadetapvictoria hahahahaha) e acho que todos sabíamos que uma hora essa rota seria alterada, mas acho que não imaginávamos que viria uma pancada desse nível (obrigado pragas, digo gafanhotos) por ajudarem a destruir a melhor emissão em termos de custo x distância que tínhamos.

Onde está o problema do atual custo das emissões com milhas?

Virão alguns dizer que isso é culpa da própria companhia aérea que permite que seus pontos sejam gerados de forma barata, alguns dirão que é culpa dos programas dos bancos que vendem pontos baratos mas NADA vai mudar a real: ONDE EXISTE O FLUXO EXCESSIVO DE COMERCIALIZAÇÃO DE PONTOS E PASSAGENS O PROGRAMA VAI COLAPSAR.

Sabemos que o grosso de fluxo de passageiros brasileiros que viajam para o exterior é para os EUA, depois Argentina e então alguns países Europeus (Portugal, França, Itália e Espanha, por exemplo) e sul americanos (tirando os dois primeiros que citei, não sei se a ordem está correta por número de viajantes).

Como eu falei: milhas TAP estavam/estão sendo comercializadas a baldes, basta dar uma rápida busca no Instagram (e depois denunciem anúncios / postagens desse pessoal, sempre faço isso) e verão como está algo absurdo.

Apesar de eu ser obviamente atingido por essa mudança violenta, já me diverti bastante vendo os gurus literalmente em desespero e em postagens que eles ainda não bloquearam vendo os incautos que acharam que ficariam ricos comercializando milhas reclamando de seus gurus (sempre tem que tentar ver algo bom numa situação ruim).

Hoje, em alguns desses perfis de Instagram, parecia que estávamos em um velório, pois sem as transferências bonificadas e com esse reajuste a TAP ferra com força o viajante que não destrói o programa (somos efeito colateral, fazer o quê) e ferra também essa corja destruidora.

Se colocar na ponta do lápis o custo de geração dessas passagens em biz é claro que ainda está bem abaixo do valor pagante, mas muda de figura essa emissão.

Aliado ao PÉSSIMO atendimento da TAP como já comentado por mim e já sabido por todos aqui, o programa da TAP perde hoje o melhor sweetspot para a maioria dos viajantes (convenhamos que não é todo mundo que está felizão que não aumentou a tabela para a Ásia e Oceania).

O que muda na minha estratégia?

Por sorte a minha (arriscada) poupança de pontos na TAP – apesar de ter baixado bem o saldo lá ainda tenho quase 900k pontos – não foi totalmente arruinada.

O que muda para mim é que antes era basicamente assim: “eita, achei disponibilidade para os dias que tenho livre, bora para os EUA/Canadá conhecer algum lugar que não conheço ainda” e isso vai acabar agora.

Aquela chance de conhecer o Havaí ou o Alasca “baratinho” foi-se.

Podem discordar de mim no que diz respeito ao quão danoso é o comércio desenfreado que é praticado aqui – ok.

Mas ignorar que o reajuste da tabela é um recado CLARÍSSIMO para o cerne do problema é querer não ver o que está acontecendo e o quão problemático isso é.

No mais, o programa ainda permite que se faça emissões absurdamente boas se usar todos os recursos: até seis segmentos voados + stopover na ida ou volta + open jaw. Se pensar direitinho dá pra voar excelentes trechos em excelentes companhias e conhecer diversas cabines com possibilidade de se conhecer mais locais durante a viagem.

Se o Guilherme achar por bem publicar deixo claro que essa NÃO É A OPINIÃO DO MMM (eu acho) e que quem faz esses “ataques” as pragas, digo aos vendedores de cursos e etc sou EU e não ele nem o site dele.

Um recado final importante….

Pra finalizar: galera, é cara vez mais o momento de se olhar para os programas estrangeiros.\

Os Avios hoje são uma moeda versátil e “poderosa” facilmente intercambiáveis por três programas: IP (Iberia), EC (British) e PC (Qatar). Apesar do ratio 2:1 na MINHA OPINIÃO vale mais a pena focar neles que nos nacionais.

Sobre o AA não vou me alongar pois é consenso que é um programa sensacional e que se focar em usar para emissão de parceiros torna-se imbatível – ainda mais se mirar emissão em F (First = Primeira Classe).

Ao fim da Bateu Ganhou e dos créditos dos pontos, terei, pelas minhas contas, pouco mais de 500k pontos e serei Executive Platinum, isso mostra como estou mergulhando de cabeça no programa.

Temos Amex TPC do Santander que oferece mais opções de programas estrangeiros como o FB da Air France/KLM.

Já utilizei bem o programa anos atrás ,mas desde que o Bradesco assassinou o MR raiz eu parei de usar.

Teria que analisar o programa com calma, mas sei que mês a mês alguma rotas entram em promoção e é aí que estão os bons resgates.

Pode não ser tão interessante para quem quer previsibilidade mas acho que vale dar uma olhada com carinho.

Sobre cartões estrangeiros, é algo que estou “molengando” de pesquisar e correr atrás e acho que quem está nessa vibe não deve perder tempo.

Pretendia pensar seriamente nisso ano passado, pois final de ano pra mim é complicado e não terei tempo pra isso.

Conclusão

Bem, acho que é isso.

Eu continuarei “dobrando a aposta” e usando o programa da TAP pois, apesar de ter sido afetado, considero que as melhores emissões continuam de pé e funcionando MUITO bem, sem alteração alguma.

As outras as alterações foram “salutares” dentro de uma média percentual ok, considerando tudo o ocorrido a nível global nos últimos anos.

Na mais utilizada emissão feita por nós, brasileiros, o recado foi dado de forma clara e cristalina.

Na minha opinião só não vê quem não quer. E só pra reiterar novamente:

Essa NÃO É A OPINIÃO DO MMM (eu acho) e que quem faz esses “ataques” às pragas, digo, aos vendedores de cursos etc., sou EU, e não ele, nem o site dele.”

……………….

Agradecemos ao Leandro Nicolau por mais um excelente guest post, com conteúdo de primeira qualidade elaborado por quem realmente tira o máximo a oferecer pelos programas de fidelidade disponíveis a nós, brasileiros!

E você, o que achou das mudanças no TAP Miles & Go?

Tagged as: