O que teria levado o Santander Esfera a eliminar a paridade com o Iberia Plus? Dois leitores comentam, e apontam uma mesma solução pra manter a paridade e evitar debandada de clientes….

O leitor Flávio disse:

Vejo que o principal fator para eles alterarem essa paridade foi o esfera ter entrado no mercado de venda de pontos.

Por conta disso eles podem ter dado um tiro no pé, pois perderão receita em outros produtos devido à onda de cancelamento de relacionamentos com o banco que estou prevendo.

Eu mesmo, mantenho conta select e alguns investimentos (que não são baixos) somente por causa do cartão com paridade 1:1 para a Ibéria, porém estou preparando o terreno para cortar toda a relação com o banco.

Sugestão ao Esfera: manter a paridade 1:1 apenas para pontos obtidos via cartão, excluindo os pontos comprados ou por assinatura de clube! Difícil eles acatarem isso, eles parecem querer seguir o caminho “mais fácil”.”

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O leitor Swine complementou:

“Suponha que não existisse venda de pontos, acúmulo no varejo de X pontos/real, etc. O que era verdade até pouco tempo atrás, no caso do Esfera.

Considere dois instantes distintos, um em que o dólar estava R$ 2,50, e outro em que estava R$ 5,00, e suponha uma fatura de cartão de R$ 10.000 em cada um desses momentos. Para simplificar as contas, considere um cartão de 2 pontos/dólar. Suponha também que, para o Santander, cada ponto custa US$ 0,01 (pouco importa o valor em si, e se é dólares ou euro, o câmbio entre os dois é razoavelmente estável).

No primeiro caso (dólar a R$ 2,50), foram gastos US$ 4.000, o que dá direito a 8.000 pontos. Portanto, isso custou US$ 80 para o Santander, o que dá R$ 200, convertido para real.

No segundo caso (dólar a R$ 5,00), foram gastos US$ 2.000, o que dá direito a 4.000 pontos. Portanto, isso custou US$ 40 para o Santander, o que dá, convertido para real… exatamente R$ 200!

Pode colocar o valor que quiser para a cotação do dólar: R$ 0,10, R$ 10, R$ 100 ou R$ 1.000. Se o preço do ponto para o Santander, em dólar, continuar igual, e o cartão continuar dando os mesmos X pontos/dólar, então os pontos vão continuar custando os mesmos 2% para o banco, em real.

Por isso que, nessa situação de o Esfera outorgar pontos apenas no cartão, a cotação do dólar seria absolutamente IRRELEVANTE. 100%. Não precisa acreditar em mim, está demonstrado matematicamente aí em cima.

Mas, claro, o problema surgiu na medida em que o Esfera copiou o Livelo e começou a vender pontos pelos mesmo R$ 350 o bloco de 10.000 que o Livelo vendia lá quando o dólar custava metade do que custa hoje. Aí não tem milagre: o custo realmente dobra para o Santander num caso desses, e eles “se veem obrigados” a piorar a paridade.

A solução? Como já foi discutido aqui: tratar pontos comprados de maneira diferente dos pontos acumulados no cartão. Ou então, dolarizar o custo dos pontos. Se o dólar subiu, não se vende mais a R$ 350, só a R$ 600.

Inclusive, tenho uma teoria que o PDA sobrevive atrelando a pontuação ao real porque negociaram com as aéreas brasileiras um contrato atrelado ao real, e não ao dólar. O que faz sentido, considerando que o Livelo vende pontos em real para os clientes, e que as próprias aéreas também fazem isso”.

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Conclusão

Ainda há salvação pro Santander evitar a debandada de clientes e manter o fator de conversão, e a solução é exatamente essa que os leitores escreveram acima: tratar os pontos comprados de maneira diferente dos pontos acumulados no cartão.

Fica a dica pro pessoal do banco.

E você, o que sugeriria pro Santander manter a paridade com o Iberia Plus e evitar a debandada de clientes que está prestes a ocorrer?

p.s.: acompanhem e leiam outros excelentes comentários dos leitores escritos nesse artigo: [Data marcada para morrer?] Paridade do Santander com o Iberia Plus se encerraria dia 30 de abril de 2021