CorongaNews: Lockdown severo na Inglaterra pode durar até março; incertezas sobre a nova cepa descoberta na África do Sul; clínicas particulares brasileiras negociam compras de vacinas indianas

Pelo visto 2020 ainda não terminou: a pandemia do coronavírus, ao invés de diminuir, está aumentando, com aceleração de novas contaminações e mortes em diversos países do mundo.

Isso impacta diretamente os planos de viagens de muitas pessoas, ao menos daqueles de curto prazo, que tinham a esperança de voltar a viajar para alguns países nesse primeiro trimestre do ano.

Vamos conferir um panorama do coronavírus na Europa, África, Brasil e Ásia.

Inglaterra: lockdown pode se estender até março

O governo britânico mal anunciou um severo lockdown fechando praticamente tudo no país, e as autoridades locais já falam em prorrogação do confinamento forçado até março de 2021.

Segundo reportagem do UOL:

“No início de março devemos ser capazes de retirar algumas destas restrições, mas não necessariamente todas”, afirmou Gove ao canal Sky News.

“Faremos todo o possível para vacinar o máximo de pessoas e para que consigamos começar a retirar progressivamente as restrições”, completou, antes de anunciar que as próximas semanas serão “muito, muito difíceis”….

Portanto, quem (podia e) tinha viagens marcadas para o Reino Unido nesse primeiro trimestre terá que obrigatoriamente remarcá-las. 🙁

Mistérios rondam a nova variante do coronavírus encontrado na África do Sul

Outro país que está sofrendo bastante com o coronavírus é a África do Sul, país onde foi encontrada uma nova variante do vírus, cujos efeitos ainda são desconhecidos.

Segundo essa reportagem do O Povo:

“Com relação a maior letalidade ou com um aumento nas chances de desenvolvimento de casos graves da Covid-19 em pacientes infectados pela nova variante do coronavírus, ainda não há informações suficientes. Assim como ainda não é possível afirmar em quantos porcentos a nova variação é mais contagiosa do que as cepas já existentes.

O que apontam os relatórios de saúde sul-africanos é de que a nova cepa é responsável por um aumento da carga viral dos pacientes infectados, o que, associado com uma crescente de casos no país, sugere uma contaminação mais expressiva do que o vírus original.

O epidemiologista Salim Abdool Karim, co-presidente do comitê consultivo do país com relação ao enfrentamento da pandemia na África do Sul, ressaltou que os dados sobre a nova variante ainda são substanciais, mas que expressam um maior contágios, porém sem aparente relação com casos graves e um maior número de mortes. “Os vírus geralmente evoluem para se tornarem mais transmissíveis e menos graves”, pontuou na apresentação de um relatório epidemiológico nacional em 18 de dezembro de 2020″.

Clínicas particulares brasileiras negociam compra de vacinas indianas

Na corrida por uma vacina disponibilizada aos brasileiros dentro do Brasil o mais breve possível, e diante de indefinições sobre o programa oficial de vacinação na rede pública, segue a notícia divulgada pela Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas:

Representantes da ABCVAC embarcarão para Índia para visitar a fábrica da Bharat Biotech

Em busca pela ampliação da cobertura vacinal contra a Covid-19, uma missão brasileira composta pelo presidente da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC), Geraldo Barbosa, e membros da diretoria da entidade, embarca nesta segunda (4) para a cidade de Hyderabad, capital do estado de Telangana, no sul da Índia, para conhecer a fábrica da Bharat Biotech, empresa que está desenvolvendo a vacina Covaxin.

A viagem ao país asiático é para viabilizar a importação da vacina no Brasil pelas clínicas privadas, após sua autorização pela Anvisa.

A Covaxin obteve, no último sábado (2) recomendação para seu uso emergencial na Índia pelas autoridades de saúde do país. A vacina, administrada em duas doses com intervalo de duas semanas entre elas, induziu um anticorpo neutralizante, provocando uma resposta imune e levando a resultados eficazes em todos os grupos de controle, sem eventos adversos graves relacionados à vacina. Na última fase antes da liberação para uso emergencial, ela foi aplicada em 26 mil voluntários em 22 localidades da Índia.

“Essa deve ser a primeira vacina disponível para o mercado privado brasileiro, por meio de um MOU (Memorandum of Understanding) assinado com a ABCVAC”, conta o presidente da entidade, Geraldo Barbosa. As 200 associadas, que representam 70% do mercado privado nacional, terão prioridade na aquisição do imunizante.

Segundo Barbosa, a ideia é que a empresa disponibilize 5 milhões doses para o mercado privado brasileiro, que devem chegar em meados de março, a depender dos trâmites de aprovação das agências reguladoras. Dessa forma, a população não coberta pelo PNI terá acesso ao imunizante, o que fará com que o Brasil estenda a vacinação mais rapidamente. “Inicialmente a notícia era de que as clínicas privadas brasileiras não teriam doses disponíveis, porém, com a entrada desse novo player no mercado, tivemos a oportunidade de negociação. Estamos muito felizes em ter a chance real de contribuir com o governo na cobertura vacinal, utilizando da saúde suplementar para desafogar os gastos públicos”, explica Barbosa.

A Bharat Biotech possui capacidade produtiva de 300 milhões de dose, que devem atender ao mercado interno indiano e também ao sistema público de saúde brasileiro, por meio de um protocolo de intenções firmado com o Governo Federal. A tecnologia de vírus inativo, utilizada pela Bharat Biotech no desenvolvimento da Covaxin, permite que o acondicionamento da vacina seja realizado entre 2° a 8°C. A previsão é de que seja lançada no mercado em fevereiro de 2021, e a projeção é de que sua validade contra a covid-19 seja de 24 meses.

A Bharat Biotech está desenvolvendo a vacina Covaxin em colaboração com o Conselho Indiano de Pesquisa Médica (ICMR). A empresa possui, em seu portfólio, 14 vacinas e 5 medicamentos biológicos e exporta seus produtos para mais de 118 países. Entre seus parceiros de pesquisa e desenvolvimento estão a Fundação Bill & Melinda Gates, a Organização Mundial da Saúde, a Universidade de Oxford e outras renomadas instituições.

Entretanto, mesmo dentro da Índia há várias críticas sobre a condução apressada na aprovação da vacina (fonte).

Aliás, a tônica da pressa na aprovação e na própria formulação das vacinas tem sido objeto de reflexão e de preocupação de diversos leitores do blog, como o Henry, acerca dos potenciais efeitos colaterais negativos dessas vacinas, a longo prazo.

Conclusão

Com tantas lockdowns ainda sendo decretados no exterior, o negócio continua sendo deixar as viagens em geral num segundo plano.

Enquanto as vacinas não chegam ao Brasil, medidas que diminuam a exposição ao risco continuam sendo a melhor maneira de se proteger e de se precaver contra o vírus.

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