Opinião do leitor: os reflexos da compra da (20%) Latam pela Delta em: 6 empresas aéreas, 2 programas de milhagens, e 2 hubs

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O leitor Cristiano Andrade teceu um excelente comentário sobre os reflexos – possíveis ou plausíveis – em 6 diferentes empresas aéreas, 2 programas de milhagens, e 2 hubs.

Confiram!

………………………….

“Mesmo agora acho cedo para conclusões. Agora só especulações.

Nem tudo pode ser ruim, dependendo do desenrolar do jogo de xadrez.

Alguns conjecturas:


LATAM

– Acho difícil vermos expansão de rotas internacionais. O acordo anunciado deixa claro que os pedidos de A350 são transferidos para a Delta (além de 5 aeronaves vendidas imediatamente).

– A Latam diminuirá consideravelmente sua alavancagem (com a injeção de capital anunciada, vendas dos A350 e diminuição do passivo de longo prazo com a transferência dos orders de A350 para a Delta). O que isso pode significar? Eu acredito que a Latam deve olhar menos para a geração de caixa (necessária para honrar passivos de curto e médio prazo) e mais para rentabilidade.

Acredito que serão menos agressivos em preços no mercado doméstico (desde a quebra da Avianca já foi diminuída a pressão na concorrência de preços). Acredito que veremos menos concorrência e preços mais altos no mercado doméstico. Não necessariamente veremos esse impacto na rotas internacionais (já que a concorrência é diferente).

– Pouca gente falou, mas a Qatar mantém 10% de participação na Latam (algo que se desdobra também na Qatar operando A350 não utilizados pela Latam). Podemos ver a Qatar se desfazendo de sua participação e buscando outros parceiros na América do Sul.

– a Joint-Venture Latam-BA-IB pode ser desfeita, para favorecer uma ligação mais próxima entre Latam-AF-KLM-Virgin. Inclusive utilizando o hub de Fortaleza a qual a Latam já está utilizando para vôos internacionais também.


GOL

– Irá buscar outros acionistas, não? Difícil saber se esse acordo terá impacto de curto ou médio prazo com Air France-KLM. Acredito que sim, já que a Delta está falando em formar uma outra aliança fora do Sky Team, apenas com as empresas as quais possui participações (Delta, Aeroméxico, Virgin Atlantic, Korean e Latam, além de outras que podem entrar na conta). Considero que a Gol deve buscar um novo sócio, o grupo HNA se desfez da participação na Azul e pode ser um candidato, a Qatar pode se desfazer de sua participação na Latam e investir na Gol, a aguardar. Dependendo do acordo, pode ser até uma jogada positiva para Gol.

– Algumas parcerias podem ser desfeitas, obviamente a parceria com a Delta, mas também com Aeroméxico e Air France-KLM. E novas parcerias podem surgir, obviamente AA como principal candidato a essa parceria, e talvez vejamos a BA-IB migrando para uma parceria com a Gol. O que impacta nisso é o tal hub de Fortaleza perder o fluxo das rotas internacionais.

AEROLÍNEAS

– Acho difícil desfazer sua parceria com a Gol, eu não duvidaria de uma aproximação ainda maior e, talvez, até uma migração de aliança (One World??). Será natural ver um alinhamento forte entre Delta e Latam (maior concorrente das empresa argentina), o que pode levá-los a uma mudança estratégica.


AEROMÉXICO

Um dos impactos quase certo é uma relação mais próxima entre Latam e Aeroméxico, podendo inclusive utilizar MEX como um hub para redistribuir passageiros para os EUA (onde operam 15 destinos) e América Central. Pode haver uma aliança que inclusive compita com Copa e Avianca.

AMERICAN AIRLINES

Me parece bem claro que a AA deverá buscar novos parceiros para alimentar suas ligações entre EUA e América do Sul. A Gol aparece como primeiro candidato, e eu colocaria as Aerolíneas em segundo. Com isso podem ganhar excelente capilaridade nos 2 principais países ao sul que apresentam maior dispersão de destinos.

Mas nos países andinos terão muito mais trabalho em recompor alianças. O compromisso com a região pode ser revisto mesmo após investimentos de longo prazo com o hangar em GRU? Acredito que a estratégia deverá ser repensada.

Me parece que a AA colocou muito capital na Joint Venture (não aprovada no Chile), inclusive a AA reduzindo vários destinos no Brasil (Manaus, Curitiba-Porto Alegre, Confins, Recife, redução de vôos de GIG e sei lá os impactos no resto do sul do continente) e aumentou preços. Obviamente essa estratégia estava muito bem alinhada com a Latam e, em muitos casos, jogando com uma complementaridade de malha aérea e proteção de rentabilidade.

E agora? agora podemos ver uma concorrência maior entre AA e Latam no Chile e Brasil principalmente.

DELTA

O movimento da Delta foi ótimo para eles. Através de empresa parceira aumenta muito a presença no sul e impacta uma das regiões onde sua principal concorrente tinha vantagem. De quebra corta uma fonte de crescimento da frota da Qatar.

TERMINAIS e AEROPORTOS

Devemos ver algumas mudanças de terminais, Latam em MIA (será que já entregaram a nova Sala VIP?), JFK, CDG e LHR, Delta em GRU. Salas Vips podem ter algumas mudanças, não custa sonhar com salas VIPs domésticas da Latam para que a Delta ofereça a seus clientes tops o mesmo serviço que possuía com a GOL.

RESGATES NO LATAM PASS

Fim evidente de tabelas fixas em parceiras.

RESGATES NO SMILES

Acho que será muito mais uma troca de parceiras e a mesma dificuldade já vista.

HUBS LATAM

Fico com a impressão de que MCO e JFK devem ser rotas fortalecidas (são hubs da Delta), tornando MIA mais um destino final como é BOS ou LAS). Se as coisas mudarem no front europeu o mesmo em relação a CDG vs LHR.

Conclusão

Imagem by Flying

Mas enfim.. especulamos muito.

Em nada muda minha estratégia de acúmulo por enquanto, já que estou focando em enviar pontos pro ALL (Accor) dos pontos acumulados em quaisquer companhia nacional e me mantenho free agent nos rotas internacionais.

Já no doméstico ainda priorizando o serviço oferecido, com horários convenientes e diferença de preços de até 10%.

Nisso tenho voado mais de GOL (principalmente por causa do WIFI) e não devo alterar isso no curto prazo”.

………………………………………

Embora realmente haja mais especulações que certezas no presente momento, dois grandes players ainda podem sacudir o mercado brasileiro (e sul-americano) no médio prazo, que são a Qatar Airways e a American Airlines.

Do ponto de vista dos hubs, é interessante projetar a ideia de JFK e MCO serem fortalecidas como hubs Latam, principalmente o aeroporto de Orlando. Apesar de Orlando atrair tantos viajantes brasileiros quanto Miami (ou até mais viajantes), é estranho atualmente termos muito mais voos diretos do Brasil para Miami do que para Orlando: de GRU, por exemplo, a única empresa que voa direto para MCO é atualmente a Latam.

Agradeço ao Cristiano pela excelente análise!

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  • Flying_B

    Análise cirúrgica e precisa, some-se ao fato de boatos do cartão top tier da Latão valer pontos para qualificação e “cupom” de upgrade. Mas é certeza que a Latão vai focar em rentabilidade, pois a anuidade não é nada barata pelo retorno do cartão (benefícios e qualificação).
    Na verdade esse historia do novo cartão dar cupom para upgrade, esta a gerar burburinho com gente glorificando de joelhos na igreja, mas a reza pode ser só para Latam, visto que, hoje os upgrades mal chegam nos clientes Platinum….. Imagino que os upgrades do cartão Latão, concorrerão com os clientes GOLD, ai eu pergunto… – Que chances o camarada tem de conseguir????? (São quase nulas as chances, bem irrisórias). Enfim, eu acredito que a Gol saiu prejudicada, mas no curtíssimo prazo dará o troco com possível aliança com AA.
    Os aviões da Latão estão sucateados, e ficarão isso é claro. Ninguém vai prestigiar uma empresa com avião sucateados e sendo fiel a cia, com uma experiência muito ruim, é péssimo para imagem da Latão, com esse lance de repassar os A350, porque a Gol e a Azul tem equipamentos muito melhores, e a experiência a bordo bem melhor também.

    São cenas para os próximos capítulos desa novela Mexicana, digo chilena

    • Guilherme

      Falou e disse tudo, Flying!

    • Henry

      Eu “discordis” de vc em relação à sua conclusão. .
      Pra “eu”, parece mais pornochanchada barata brasileira a lá Sandra Brea … rsrs

  • Henry

    Única salvação da Latão: deixar os ianques tocarem 100% a cia, o que eu acho difícil….
    Se mantiverem a atual (indi)gestão, o que vai acontecer com eles no Brasil ??

    – vão manter essa política de “ônibus aéreo”, com “modernos aviões sucatas”, 100% retrofitados na parte visual e 0% no interior… serão low-cost dos brabo, como já são atualmente… vão cobrar para despachar, por água, respirar e usar o wc, que terá duas modalidades: com descarga e sem descarga, afinal, água tem peso e peso consome combustível…. a depender do ingresso das low-cost para voos domésticos no Brasil, é possível que vejamos duelos à tapa na disputa pelos trechos mais procurados da Latão com essas start-up´s da aviação… e Gol e Azul vão remar de braçada sobre o mercado…

    – o programa de fidelidade, like Smiles/TudoAzul/Miles & Don´t Go, continuarão como meros fornecedores de caixa para a cia. aérea, agora, integrado na mesma empresa… e o sistema continuará dando problema na hora de emitir e o SAC continuará a mesma merda que é atualmente.. ou seja, eles continuarão fazendo de tudo para dificultar a emissão de passagens.. e verem as milhas dos associados expirarem.. se isto não rolar por um motivo qualquer, existe a tal “tabela dinâmica” (que é a mesma coisa que dizer que o cara é um desonesto honesto, tipo aquele político de Sampa que “roubava mas fazia”) para desvalorizar o potencial de emissão de passagens..
    A Delta não tem um programa de fidelidade decente tb… e tb tem a política de ter uma frota totalmente Torre de Babel, com muitos sucatãos voando e sem previsão de serem aposentados (os caras devem ter poço de petróleo e refinaria pra produzir querosene barato…rsrs), então, ainda que gestão americana assuma mais o comando, para os brasileiros a tendência é essa mesmo…
    Anota aí.. se os atuais gestores da Latão continuarem dando as cartas, é questão de tempo até ela quebrar de vez…..

    A resposta da Gol / Smiles ???
    Primeiro, acho que especificamente para Gol, mudou muito pouco.. o que ela comercializava para capilarizar os passageiros que voavam Delta não deve ser uma receita significativa.. a parceria do Smiles com a Delta / AF e KLM, pelos valores estratosféricos, já vinha fazendo água a muito tempo…
    O grande e imenso problema do Smiles é:
    – substituir a Aeroméxico, que é a única opção viável para os EUA.. já que a Copa não tem valores decentes e se for para fazer voos com conexão na America Central, a Gol já tem voos para MIA/MCO.. e pode voltar os voos diretos usando os “modernos e seguros” 737-XAM.
    Uma opção para voos diretos para os EUA seria uma improvável opção da Gol por usar aviões do tipo 767/777, mas acho quase impossível porque eles adotam um rígido programa de uniformização de frota, utilizando apenas 737.. para baratear a manutenção…
    – substituir a Alitalia, caso a Delta consiga brecar esta parceria com o Smiles, o que acho bem difícil, a menos que injetem mais grana na cia. italiana…
    As opções de substituição da Alitalia simplesmente não existem… porque a TAP é concorrente em termos de grupo econômico da Azul… e a cobrança de taxas da cia. aérea inviabiliza.. idem a Air Europa.. e KLM/AF já foi pro saco há muito tempo…
    Uma opção viável, a depender do próximo lançamento dos “modernos e seguros” 737-XAM, seria a própria Gol alcançar o continente europeu usando estes “excelentes” aviões, a partir de FOR ou outro ponto no Nordeste…

    Não sei se a AA vai procurar uma parceria mais ativa com a Gol para pulverizar passageiros pelo Brasil..
    Veja, hoje a AA já voa para MAO/SSA/BSB/GRU/GIG/CNF(??)
    Em tese, com o 737-XAM (nova denominação para o 737-MAX que a Boeing estará adotando para a pessoas esquecerem dos problemas), em tese, todo o Nordeste está ao alcance de MIA, assim, a AA pode simplesmente adotar solução de voos DIRETO, tipo 2 ou 3x por semana para FOR/REC/BEL…até mesmo pode adotar voo, 1x por semana para outros estados tipo Maranhão, Piauí, Paraíba e Rio Grande do Norte..
    Outro aspecto é que a própria AA poderá alcançar diretamente, diversas capitais da América do Sul, à partir de MIA, utilizando os “modernos e seguros” 737-XAM..

    Enfim.. tá muito difícil fazer algum prognóstico, porque temos o fator “737-XAM”.. que pode dar uma certa flexibilidade de opção…

    PS: até o fim de outubro eu consigo convencer vocês que o NOVO avião da Boeing, o 737-XAM é um avião “moderno e seguro”… rsrs

    • Cristiano Andrade

      Eu adoro essa troca de ideias. Como não temos insight information, nem acesso a toneladas de informação que os executivos e consultores dessa companhias possuem e nem sei se alguns desses executivos são brilhantes como o Henry. Enfim, ainda assim é muito bom ficar aqui tentando adivinhar o futuro ou dar consultoria de botequim de graça (nada contra os botequins, adoro eles!).
      A respeito de algumas possibilidades da GOL:
      – Adotar aviões de corredor duplo (ou mesmo Airbus A321) acho que não é nem remota possibilidade. É inexistente mesmo. Acrescento ainda que os 737MAX quando liberados sempre terão o padrão de conforto e serviço adequado para vôos de 2 horas.
      – Eu acredito fortemente na aliança com a AA (esqueçam One World). A AA não opera mais Manaus, nem Confins, nem Salvador. Sobrou a ligação BSB-MIA de 757 com ida em vôo diurno e volta em noturno, além de GIG-MIA e as ligações de GRU (MIA, DFW, JFK e LAX). Ele anunciaram ampliação saindo de GRU para o final do ano que vem… A AA vai continuar atuando usando GRU como hub para centralizar seus vôos, sendo abastecida por quem? Só tem a GOL.
      – Parceiras na Europa vão depender dos movimentos de AF-KLM mesmo… pq se eles desfizerem os laços com GOL para estreitar os laços com a Latam, aí sobra BA-IB na parada, em busca de parceiro. Mas tem Lufthansa-Swiss que podem também se sentir incomodados.. lógico que a Azul tem interesse de pegar esse quinhão tantos de germano-helvéticos quanto de anglo-hispânicos. Sobram, opções como Turkish, Ethiopian e Royal Air Maroc.

      Outra questão em relação a frota da Delta e o conforto para os passageiros.
      – Li mais de uma vez que os projetos de A350 e B787 tiveram todo sucesso porque foram concebidos num mundo com expectativas de o barril de petróleo subiria de então $120 para um futuro próximo dos $200. Nesse contexto morreu o projeto do A380 e muitas companhias viram a modernização da frota como algo mandatório. Note que uma frota modernizada aumenta o custo de capital, ao mesmo tempo que reduz custo de combustível.
      – Nesse contexto enquanto todos faziam zig, a Delta fez zag (e já vi mais de um entrevista do CEO da Delta falando que estão no mercado para comprar aeronaves usadas). E tivemos o Petróleo batendo o mínimo de $25 e agora rondando os $60 (e nenhuma perspectiva de voltar aos 3 dígitos). Nesse contexto eu não duvido que usar aeronaves de 10 anos (“segunda linha”) tenho um custo final mais baixo ao mesmo tempo que reduz a alavancagem da empresa e lhe dá flexibilidade de crescimento.
      – Mesmo assim, depois que aposentaram os MD80, na maior parte dos equipamentos não há a impressão que sejam sucatões, são aeronaves com nível de ruído não muito diferente dos modernos jatos de nova geração e quase todas em retrofit. Some-se a isso mais legroom que as concorrentes, mais eficiência operacional, menos atrasos e serviço mais consistente e de melhor qualidade que as concorrentes (leia-se United e AA).
      – Nisso tudo os resultados financeiros da Delta são sólidos, as ações tiveram um último ano flat, mas em 5 anos tiveram valorização de mais de 40%, precisa comentar de AA e United? Isso com mais geração de caixa e menor alavancagem.
      O problema dessa novela é que os próximos capítulos demorarão meses a serem contados… se isso tivesse acontecido uns 3 ou 4 anos atrás quando a manutenção de status trazia mais benefícios que hoje, certamente os impactos imediatos nas estratégias de fidelidade de cada consumidor seriam maiores. Hoje em dia? está mais para curiosidade do mundo de negócios.

  • Gustavo Botelho
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