[Guest post] Smiles, Latam Fidelidade e Tudo Azul – a cobrança do cliente ao programa

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Segue mais um primoroso texto do Celso com reflexões sobre o que está por vir no mundo das milhas e pontos!

……………………………..

“Vamos continuar anunciando aqui no blog com muita antecedência o que vai ocorrendo no mundo das milhas.

Para isso hoje, trago um delicioso perrengue internacional.

O blog Puntos Viajeros, publicou um artigo que pode ser lido aqui.

Para facilitar o entendimento do leitor, fiz uma tradução livre do longo, mas excelente artigo:

“O programa de fidelidade alemão, Lufthansa Miles & More está em uma interessante encruzilhada legal. Começaremos com a parte mais interessante: um escritório de advocacia de Berlim argumenta que as milhas Miles & More são consideradas como moeda eletrônica e que seu cliente quer reembolsar suas milhas do Miles & More por nada mais nada menos que 21.000 euros.

Contextualizando o caso, como discutimos em nosso artigo “Quanto meus pontos e milhas realmente valem? Atribuímos um valor aos nossos pontos Avios, mas o valor oficial de um ponto ou milha ninguém lhe dirá. Você pode ligar para o Iberia Plus pedindo o valor de 1 Avios. Eles não vão te dizer. No momento da verdade, a situação é mais complicada e, no caso específico da Lufthansa Miles & More, uma dor de cabeça. Por quê?

Embora os termos e condições dos programas de passageiro frequente especifiquem que o valor em milhas não pode ser reembolsado por dinheiro, há argumentos suficientes que poderiam justificar as milhas / pontos para programas de passageiro frequente serem consideradas uma moeda eletrônica. E é aqui que a Lufthansa Miles & More está lutando.

Como comentamos em outros artigos, o programa Lufthansa Miles & More é um tanto incomum, já que não permite a compra (ou presente) de milhas. A razão não é porque a Lufthansa quer complicar a vida de seus membros, porque em geral os programas adoram vender milhas a preços de ouro. E, de fato, esse foi o caso até meados de 2014, quando ele vendeu cada milha a 2,5-3,5 centavos, dependendo da quantidade comprada.

Coincidentemente, a Lufthansa já estava em uma primeira batalha legal naqueles tempos: um cliente tinha denunciado o programa fechando sua conta para vender suas milhas em “eBay” no valor de 3.000 euros (não diretamente como milhas, mas como uma reserva para um terceiro “desconhecido”). A Miles & More detectou esta atividade fraudulenta e começou a fechar (bloquear a conta), além de cancelar o bilhete-prêmio.

Em primeira instância, o julgamento foi contra a Lufthansa, já que implicava que o cliente estava “vendendo suas milhas a preço que a Lufthansa tinha vendido suas próprias milhas, embora tenha sido indiretamente.”

E a Lufthansa, rápido como um guindaste, suspendeu a venda de milhas Miles & More de parceiros, a fim de sufocar qualquer sinal que ajuda o argumento de que as milhas podem ser consideradas como moeda eletrônica. A Lufthansa queria minimizar qualquer sinal que desse valor à milha e, assim, suspendeu a venda de milhas a partir de 1º de julho de 2014.

No entanto, a Lufthansa recorreu da sentença e um juiz do tribunal superior decidiu em seu favor, argumentando que os termos e condições do programa são razoáveis ​​em termos de venda e leilão de milhas e bilhetes-prêmio, tendo resultado na suspensão da conta e o cancelamento de bilhetes-prêmio emitidos. No final, no entanto, Lufthansa acabou concordando com uma espécie de “compensação” para o cliente, a fim de resolver o caso (precisamente o valor mostrado pela Lufthansa em primeira instância, 2,77 centavos cada milha).

Agora, a companhia aérea membro da Star Alliance, a Lufthansa, está novamente em uma encruzilhada legal.

A situação é muito mais complicada do que no caso anterior. O escritório de advocacia CLLB Advogados München-Berlin lançou uma bateria de argumentos e exemplos que reforçam o conceito de que as milhas são uma moeda ou moeda eletrônica, e neste caso, o cliente tem o direito de resgatar as milhas em euros. Estamos falando de 715.000 milhas Miles & More … e o cliente solicita um reembolso de 21.000 euros …

Esta é a questão fundamental. E a resposta pode ter implicações dramáticas ramificadas para o amante de programas de fidelidade. Enquanto não existe uma política europeia comum (ou espanhola) referentes a moeda eletrônica ou regulamento virtual, há casos suficientes onde a Justiça Europeia se pronunciou sobre o direito de trocá-lo por moeda tradicional (também isentos de IVA).

O caso alemão é um pouco mais complicado, porque a Autoridade de Supervisão Financeira Federal (BaFin) exclui moeda eletrônica como pontos de programas de fidelidade onde os clientes não têm que pagar nada para os pontos. E aqui está a chave para essa nova causa.

São as milhas ou pontos uma moeda eletrônica?

Enquanto Lufthansa Miles & More argumenta que não vende milhas e, portanto, não há nenhuma maneira de valorizar as milhas, no piso principal, os esforços de intercâmbio de programas de milhas e pontos entre os diferentes parceiros é substancial. E essa troca de milhas não é gratuita, mas é compensada com dinheiro. Por exemplo, se você alugar um carro com a Avis, poderá receber Avios ou milhas. A chave é que essas milhas ou pontos, frente ao cliente, são “livres”, e a Avis está previamente comprando as milhas do programa.

Ou seja, indiretamente a Lufthansa é SIM vendedora de milhas para parceiros, embora, neste caso, o cliente não seja o parceiro. Da mesma forma acontece com a compra de pontos em programas de hotéis e a sua subsequente transferência para o Miles & More. De acordo com a acusação, essa base reforça o argumento das milhas como moeda eletrônica.

A Lufthansa Miles & More começou a mover as peças do quebra-cabeça. Desde o início, ele suspendeu a possibilidade de transferir milhas / pontos de hotéis para o Miles & More. O fato é que se podia comprar 200.000 pontos IHG na última promoção e convertê-los para & More Miles: de forma indireta estava vendendo milhas Miles & More. Todos os hotéis parceiros do Miles & More tiveram de suspender a conversão de milhas do programa por instrução direta da Lufthansa.

A acusação vai um passo além, argumentando que uma parte dos bilhetes prêmio do Miles & More também pode ser usada para vários serviços e produtos; por exemplo, você pode comprá-los e pagar com uma moeda tradicional. Assim, podemos usar as milhas Miles & More para reservar veículos, noites de hotel … mas também produtos através do “Lufthansa WorldShop”, onde o preço é oferecido em Euros e milhas do programa. Esse é um grande dilema para o conglomerado da Lufthansa.

Conclusão do autor do texto (do Puntos Viajeros)

Deixe-me dizer-lhe que esse é um caso muito interessante para os amadores de pontos e milhas. As implicações da decisão serão drásticas se forem contra a Lufthansa Miles & More.

Embora a teoria nos diga que as milhas ou pontos não têm valor, concordaremos que TODOS faremos uma conversão econômica: “Economizei X Euros trocando Avios”, ou “Obtive 2,5 centavos para cada Avios”. Mas, mais importante, no momento da verdade, é o usuário quem estabelece o valor de suas milhas e pontos através de seus swaps.

No entanto, aproveito a oportunidade para comentar outros três casos em que as milhas ou pontos foram convertidos em dinheiro tradicional, direta ou indiretamente.

Começando com o que temos mais perto, Iberia Plus. Por exemplo, no final do ano passado houve uma interessante promoção de boas-vindas para os novos detentores do cartão Santander Iberia ICON: um suculento bônus de 30.000 Avios. Surpresa! Retenção de 19%, mas não Avios.

O Santander converteu o valor da Avios em Euros e desse valor calculou 19%. Em 2016, o IAG publicou dados interessantes sobre o Grupo Avios: 101.000 milhões de Avios foram emitidos durante 2015.

Ao mesmo tempo, o Grupo Avios faturou 675 milhões de libras esterlinas. Supondo que a única atividade do Grupo Avios seja vender Avios, cada Avios foi vendido ao custo médio de 0,0067 pence.

Para fechar o ciclo, durante a reunião dos credores da Air Berlin, os parceiros de seu programa de fidelidade TopBonus puderam solicitar o reembolso de suas milhas com uma conversão de 1 milha = 0,3 centavos. Portanto, o valor “oficial” em euros (ou dólares) de milhas / pontos “existe”.

O desenvolvimento deste caso será muito interessante e, sem hesitação, mantê-lo-ei atualizado. Também será interessante o posicionamento da Lufthansa Miles & More, já que limitar a obtenção de pontos praticamente para “sentar-se em um avião” se tornará um desafio, especialmente ao se obter milhas Miles & More com base no preço do bilhete Em um voo recente entre Gran Canaria e Bruxelas, na Brussels Airlines, acumulei modestas 196 milhas”.

Meus comentários (Celso)

Existe no Brasil um nítido descontentamento com a constante prática comercial sempre em detrimento dos direitos do cliente por parte de TODOS os programas de fidelidade nacionais, pelo menos por parte dos clientes mais fidelizados.

A judicialização no Brasil tornou-se muito mais acessível e BARATA ao consumidor, até certos valores.

Com a globalização da informação, o que ocorre no mundo muito mais rapidamente ocorre em todos os países do mundo.

Os programas brasileiros existentes TODOS VENDEM MILHAS por preço pré determinado aos seus clientes.

Aguardemos e teremos em breve a inversão, CLIENTES QUERENDO REEMBOLSO DOS PROGRAMA DE FIDELIDADE NO BRASIL EM DINHEIRO!

Quem viver verá!

Sds,

Celso”

……………………………………….

Quer aprender mais? Então leia os demais guest posts do Celso:

E você, o que pensa a respeito do tema?

  • Henrique P. P.

    Tema muito interessante e super intrigante. Lembro que em 2015 processei no Juizado especial cível a LATAM e Multiplus. Tinha uma emissão com eles na modalidade pontos + dinheiro. O vôo teve seu horário alterado, eu não concordei e pedi o reembolso. Dinheiro devolvido uns 30 e poucos dias depois, mas os pontos converteram em dinheiro, numa conversão ruim, tipo uns 30 centavos, ou menos, e isso porque o próprio regulamento deles diz que em caso de reembolso eles não devolvem os pontos, mas sim dinheiro. Então mostrei para o juiz que, ao me logar na conta Multiplus, e comprar pontos, eles me cobravam R$ 0,70. Anexei este documento ao processo e pedi o pagamento de uma indenização consistente na diferença entre este valor e o valor que foi reembolsado. Resultado: ganhei o processo e as 2 empresas sequer recorreram. Num primeiro momento esta situação me vem à lembrança. Então, podemos sim cobrar em pecúnia um prejuízo que os programas de fidelidade venham a nos impor em milhas ou pontos. E acredito que somente por aí é que as atitudes destes programas é que podem mudar, ou seja, somente sentindo no bolso é que poderemos obrigar estas empresas a passarem a nos respeitar um pouco. Excelente tema e que venha a opinião e contribuição dos demais!!!

    • Gabriel

      Entendo igualmente possível indenização com base no valor das milhas, já que podem ser mensuradas. Também já demandei o Multiplus (em conjunto com o Ponto Frio) por não receber os pontos de uma compra grande que fiz naquelas promoções 10×1. No momento que deveria ocorrer o crédito o valor das milhas a venda no Multiplus era R$ 70,00 o milheiro, que foi o valor que eu utilizei como base na ação.

      • Fernando Mattos

        Passa o número do processo por favor. Obrigado!

        • Gabriel

          Fernando e Jefferson, em verdade, o processo foi em nome de um familiar aqui de casa (atuei como advogado), por isso prefiro não passar o número do processo. Não ajudaria muito porque não tem jurisprudência, já que terminou em acordo. Quanto ao argumento da inicial, foi simples: em razão do não crédito dos pontos conforme regulamento da promoção, o valor dos pontos que deveriam ter sido recebidos devem ser monetizado de acordo com o valor de venda dos mesmos pontos pela própria demandada Multiplus, que na ocasião era o valor de R$ 70,00 o milheiro.

          • Jefferson

            Td bem. Grato.

      • Jefferson

        Amigo Gabriel, por favor passa pra gente o número do processo.

    • Bruno

      Henrique, você poderia disponibilizar a sentença, participei de primo casas Bahia e tudo azul dando 20 pontos/real, até hoje um empurra para o outro, são 140k, vou cobrar no JEC monetário a 70/k, está decisão acaba fortalecendo o entendimento, se for possível desde já te agradeço, poderia ser para o meu e-mail

      • Henrique P. P.

        Bruno responda aqui com o seu email que daí eu copio o endereço e lhe aviso, então vc poderá apagar o endereço se quiser. Abs.

  • Gabriel

    A mensuração do valor das milhas nem sempre é algo simples a se fazer, mas extremamente necessária. Vejo muitas pessoas se aventurando no mundo das milhas e trocado seis por meia dúvida, em especial quem pouco entende do assunto e acha que pode ganhar dinheiro facilmente comprando e vendendo milhas.
    Não sei se sou a favor do reembolso em dinheiro, até mesmo porque entendo que a troca dos pontos por uma passagem, envio de pontos para um parceiro ou qualquer espécie de transformação podem ser inclusive mais lucrativos que a troca por dinheiro se realizados na forma e momento corretos.
    O que sou totalmente a favor é o livre uso das milhas, sem limitação do número de emissões, por exemplo. Os programas “criando moeda” sem qualquer tipo de limitação não podem simplesmente ditar regras injustas e ilegais na posterior circulação e uso.

  • Diogo

    Provavelmente quando a Multiplus excluir alguém do programa sofrerá este tipo de ação. Pois após 25 emissões para terceiros eles bloqueiam por 6 meses e se for reincidente eles excluem do programa. Alguém já foi excluído? Aí acho que seria ganho fácil na justiça.

  • Observando Fato

    Quero aguilhermar esta conversa eletrônica com algumas observações.
    1- Diante do litigio internacional com fortes e consistentes argumentos por parte dos autores o ponto fulcral da questão consiste na resposta à pergunta:

    São as milhas ou pontos uma moeda eletrônica?

    a- Como resposta podemos afirmar: Sim e provavelmente sim!

    Todos os programas nacionais de fidelidade, de companhias aéreas ou não, que vendem pontos ou milhas, ao venderem precificam tais unidades por um valor
    monetário correspondente. Ao pagar por esses pontos e deposita-los na NET, INQUESTIONAVELMENTE transformam esses pontos em moeda eletrônica.
    O argumento que as milhas ou pontos não tem valor comercial torna-se pueril, pois o próprio vendedor a precifica para o cliente adquirir tal direito correspondente
    ao valor comprado. Note que o próprio vendedor nada mais seria que a empresa que fornece o serviço ou parceira, estabelecendo aí responsabilidade solidaria.
    O Código de Defesa do Consumidor trata o tema de forma claríssima.

    b- Exemplo aleatório – Para exemplificar vamos relatar o que ocorre no programa Multiplus fidelidade e por analogia em TODOS os demais programas de
    companhias aéreas nacionais.
    O Multiplus, empresa do Grupo LATAM, vende milhas por x R$ a qualquer momento a TODOS os seus clientes, o Clube Multiplus também tem a mesma
    pratica! Ao vender ESTABELECE relação de CONSUMO, portanto regulada pelo CDC!

    c- PROBLEMAS
    1- Imaginemos a Sra. Cinthia Rangel, aquela milheira raiz. Ela viaja sempre com sua filhota e marido. Digamos hipoteticamente que em 2016 ela comprou 100.000 pontos e deu print na tela na data de uma hipotética emissao e cada bilhete round trip a Paris fosse precificado em 100.000 pontos. Ela repetiu a mesma manobra em 2017 e 2018. Agora em 2.019 ela foi emitir os bilhetes E cada bilhete passou a custar 300.000 milhas! Ok, ela diz ao programa: Unilateralmente vocês desvalorizaram excessivamente o valor das milhas e quero o dinheiro de volta! PRONTO, guilhermite infernal! Judicializacao com certeza. Acho muito improvável ela não ganhar! Salvo melhor juízo terá vitória certa, pois o consumidor foi colocado em situação excessivamente desvantajosa.

    2- Ao saber disso Henry – o sereno, como advogado também se sente lesado e promove outra ação, só que agora a situação difere um pouco. Ele tem 1.000.000 milhas no programa sendo que sabe não serem todas produto de compra. Uma parte que não sabe precisar veio por transferência do cartão, outra por voos, etc. Entretanto, sentindo-se lesado, quer o valor de 1.000.000 de milhas convertido em espécie na sua conta!
    Aqui a confusão fica muito mais séria. A parte dos pontos que foi comprada parece-me salvo melhor juízo, como sendo inquestionavelmente uma MOEDA ELETRONICA.
    O problema consiste na avaliação que o Judiciário dará a parte não comprada, se a equipara a moeda eletrônica ou não. Cabe inicialmente ao programa Multiplus demonstrar que não foi comprada ( o ônus da prova cabe ao fornecedor do serviço) e que a analogia não valeria, ou seja, pontos não comprados não seriam moeda eletrônica. Qual seria um argumento factível para excluir diferenciando pontos comprados de não comprados? Não me parece fácil encontra-lo e que seja consistente. Inclusive o próprio programa a título de conferir o direito de emissão os mantem como a mesma coisa sem diferencia-los.
    Particularmente entendo esta última hipótese, dos pontos não comprados, ter pouca chance de ser acatada pelo Judiciário inclusive pelo julgamento estar sob a égide de uma relação de consumo – CDC.
    Além do que imaginem a Livelo transferindo pontos ao Multiplus. Como o ultimo saberá se foram pontos comprados ou de contratos por serviços com mero bônus não de pontos comprados. Ao menos em tese, não há como o Multiplus ter acesso irrestrito a base de dados da Livelo. Para complicar mais ainda imagine que o programa tem múltiplos parceiros onde você pode comprar pontos e depois transferi-los. Será um caos!

    3- Outro fato mais grave e que ao longo do tempo passou imperceptível pelo Consumidor está na alegação que a tabela flutuante do programa reflete o preço do bilhete. Será que isto realmente ocorre nos programas brasileiros, SERA? Se isto não ocorre o Consumidor está sendo enganado e a coisa toma contornos que o Ministério Público pode querer intervir, ou seja, se o bilhete a Paris em janeiro de 2.016 não promocional custava digamos USD 1.500 e em janeiro de 2.017 USD 1.501 (não existindo hipoteticamente variação no câmbio) precificar o bilhete em 100.000 e depois em 300.000, pode ser interpretado em tese como estelionato contra o consumidor. A tabela flutuante nesse caso seria um artificio ardiloso para lesar o consumidor o que em tese está previsto no artigo 171 do Código Penal Brasileiro- o estelionato.

    Nossa conversa será mais frutífera ouvindo os comentários, mas somente para terminar um adendo,

    Quanto mais desequilibrada for a relação entre os pontos que temos e o necessário para emitir, com mudanças repentinas, injustificadas ao olhar do consumidor, ou avaliadas unicamente pelo consumidor como excessivamente onerosa muito maior será a chance de litígios entre as partes. Por sorte essas hipóteses nunca ocorrem nos programas brasileiros, ou ocorrem?

    4- Toda essa argumentação deve ser vista a luz de uma relação de consumo entre as partes onde o CDC, entende o consumidor SEMPRE como hipossuficiente e nos seus fundamentos lê-se grafado exatamente isto:
    “Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: (Redação dada pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995)
    I – reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo;

    II – ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor:
    * grifo foi meu

    Say you, Say me. Como uma onda. Caça e caçador.

    In Fux we trust!

    Sds
    Celso.

    • Cinthia Rangel

      Yes! In Fux we trust!

      • Oi ! 😉

        • Observando Fato

          Oi Willian!
          Abracao!
          Celso

        • Cinthia Rangel

          Oi, William!
          Mais um dos tempos do Aquela Passagem!

  • Marcio Correa

    Um “primor” este post. Meus respeitos e sinceros parabéns.
    Como já disse em outros “posts”, sou “do tempo” que milhagem era FIDELIDADE, para se ter uma ideia, atingir o status Diamante na Varig (Star Alliance), eram necessário voar 100 trechos por ano, num tempo de passagens muito caras, então, as milhas que acumulávamos valiam muito, e tínhamos uma certa “segurança” nas tabelas de resgate, depois virou este comércio maluco. Venda de milhas pelos programas, bonificações dos parceiros que chegam a 100/120%, clubes, sites especializados em compra e venda, etc. Milhas/pontos tornaram-se ativo de alta liquidez. Chegamos ao absurdo dos programas de milhagens, que foram criados para “premiar” o passageiro frequente, e assim fideliza-lo aquela cia aérea, hoje valerem mais que a própria cia aérea, não faz sentido. Resumindo, “prostituíram” e desvirtuaram o verdadeiro sentido de se ganhar e usar milhas/pontos. Chega uma hora que a conta não fecha porque o passivo é muito grande, então, aumenta-se as tabelas de um dia para outro, simples assim. Certa vez, ouvi de uma amiga que trabalhava na área, que se todos os passageiros resolvessem emitir passagens com as milhas, os aviões voariam 3 anos só com estes passageiros, e olha que já faz tempo que ela me disse isto.

    • Observando Fato

      Marcio,
      Nos que utilizamos e justo e transparente Smiles da Varig ficamos perplexos de ver a que ponto chega a ganancia.
      Eu tinha milhas para fazer ug grade em dois bilhetes da economica para business de GRU-LAX.
      A Varig alterou a tabela, porem sem os clientes judicializarem informou que quem tivesse pontos suficientes ate aquela data para
      emitir qualquer coisa, no periodo da validade dos pontos, teria seu direito preservado nao se submetendo a novas regras de cobranca
      de premios com valor maior.
      Agora vamos assistir Caça e Caçador.

      sds,
      Celso

      • Marcio Correa

        Então Celso, eu simplesmente “amava” aquela opção de up-grade com milhas. Quantas vezes comprei um bilhete, e feito isso, ia na Loja da Varig, isto mesmo, naquele tempo tinha uma loja física para atendimento, aqui em Belo Horizonte era na região da Savassi, uma loja enorme, tinha até estacionamento com manobrista. Lembro-me que com 25K ou 30K o(a) atendente conseguia uma executiva. Fácil assim, com atendimento personalizado, muita educação e dedicação, além do cafézinho, chá ou capuccino, servido à mesa pelo garçom, pode?

      • Marcio Correa

        GRU-LAX, saudades deste voo, fiz algumas vezes. Era o voo GRU-NRT, com escala em LAX, salvo engano. Fiz este voo no DC-10/30, 747-300 e MD-11. Em 2016 fui de AA para LAX no 787. Saudades da Varig, mas tecnologia e modernidade são sempre bem vindas. O 787, e hoje com os conceitos de executiva flat, é muito melhor. Quanto a comparar os serviços de bordo, bem, vamos mudar de assunto….

      • Marcio Cunha

        Tá bem. Interessante ponto de vista!

  • Observando Fato

    Henrique P.P.

    Depois da publicacao deste artigo, como disse o poeta: ” Nada do que foi sera do jeito que ja foi um dia…………”
    Acredito que os programas de fidelidade das companhias aereas apos algumas derrotas irao mudar TOTALMENTE, ao menos o comportamento
    altamente lesivo ao Consumidor.
    sds,
    Celso

    • Henrique P. P.

      Tomara Celso. Na expectativa para que este dia, finalmente, chegue!!!

    • Odair Fernandes

      Henrique, a quais tipos de derrotas vc se refere?

  • Marcio Cunha

    Acho legal o post. Mas pelo histórico acho que isso não vai rolar aqui no Brasil pelo seguinte motivo: Judiciário, legislativo e executivo são extremamente competentes em beneficiar bancos e otros tipos de empresitas más (vide ação pelas antigas ações da CRT com liquidação zero e lei que criou a alienação fiduciária, e seus decretos onde o banco “toma”, ou seja, pode consolidar a propriedade no atraso da primeira parcela do financiamento do teu imóvel e manda direto a leilão)! E vc fica como dizem aqui no sul… “fica tirando ervinha da cuia”! Portanto, não acho que as cias aéreas perderiam tanto dinheiro assim de braços cruzados!

    • Observando Fato

      Marcio,

      Voce esta argumentando com um extremo no outro. De um lado o CDC, cuja interpretacao deve ser o mais benefica possivel ao Consumidor
      e de outro lado a alienacao fiduciaria, onde o credor tem garantias ilimitadas em caso de inadimplencia pelo devedor.
      Nao foi afirmado que as cias aereas perderiam tanto dinheiro assim de braços cruzados!, muito pelo contrario, rapidamente irao ajustar
      os programas SE FOREM DERROTADAS.
      A mudanca no modelo de programas, EM EVENTUAL DERROTA JUDICIAL DAS EMPRESAS, consiste exatamente no que o post informa.

      sds,
      Celso.

      • Marcio Cunha

        Tá bem! Interessante ponto de vista!

  • Fábio

    Eu já algo parecido, mas o processo ainda não está concluído. Fiz uma reserva de hotel utilizando milhas Smiles. Voucher recebido e tudo confirmado, mas chegando no hotel a reserva não foi acusada no sistema do estabelecimento. Entrei em contato imediatamente com o Smiles que não conseguiu resolver meu problema, então paguei a primeira noite com meu cartão de crédito esperando que o problema fosse resolvido no dia seguinte. Não foi e tive que pagar as outras noites da reserva, e conversei um longo tempo com o Smiles que prometeu que a cobrança seria estornada de meu cartão de crédito.

    Após semanas sendo enrolado sem reembolso entrei com uma ação no JEC. Poucos dias atrás eles sugeriram devolver as milhas originalmente pagas com “bônus”. Então contra argumentei com um print do site do Smiles onde o milheiro é vendido por 70 reais pedindo que me reembolsassem com o valor de mercado que eles cobram pelas suas milhas, que é inclusive maior que o valor original que esperava ganhar.

    Agora estou aguardando as cenas dos próximos capítulos para ver o que será decidido

    • Observando Fato

      Fabio,

      Posta pra nos a decisao final. O CDC nao preve devolucao em dobro de milhas, somente quando a reserva e feita em especie.
      Vamos apreender com o resultado da sua acao.
      Abraco.
      Celso

  • Fábio Wagner

    Entrei em contato no chat na semana passada e alegaram que a parceria estaria suspensa, sem dar maiores detalhes.

  • Gabriel

    Willian, vim parar no mundo das milhas em razão da minha paixão por viagens e o gosto pelas finanças. Se analisarmos, milhas não deixam de ser uma das ramificações do mercado financeiro, com oportunidades de rentabilidade excelentes (em especial com determinadas emissões), e, em contrapartida, tem um risco no máximo moderado. Obviamente o tema precisa ser bem estudado, mas tem (e deveria ter) espaço em qualquer carteira de ativos.

  • Henry

    Grande Wilian…
    Colega lá do falando de viagem… só que lá o nick é zardox…
    Quanto tempo não te via pelos sites de viagens…

    • Olá Henry ! Prazer te rever no ambiente virtual.
      Pois é … agora estou do outro lado … vendendo serviços para os turistas. kkk
      Abração !

  • Rodrigo Martins Veiga

    Um dos pontos de mensuração do valor das milhas é a taxa de conversão cobrada para obter 2000 pontos Le Club na rede Accor que são sempre equivalentes a 40 €.

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