Comentários dos leitores: para a LATAM ser low cost de verdade, não pode haver crise de identidade…

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Diante das mais recentes mudanças no programa de milhagens do LATAM Fidelidade, um interessante debate tomou conta da caixa de comentários do artigo.

O Celso foi o primeiro a destacar:

“Os novos parâmetros para o programa que tem algo como 10 milhões de usuários, torna-se totalmente inatingível pela QUASE totalidade deles.

Juntamente com outros fatos recentes mostra que o grupo LATAM pretende extinguir no médio prazo seu programa de fidelidade, ou torná-lo diminuto na oferta de prêmios.

Isso tem um nome – LATAM LOW COST.

O grupo está se reposicionando, pois vislumbra a entrada no médio prazo de novos players LOW COST no mercado, e não teria como concorrer mudando abruptamente seu plano de negócio.

Quem viver verá!”

Em seguida, o Fábio Feldmann Sato pontuou:

“Olha, Celso, eu acho que faz sentido mas nem tanto.

O que se vê aqui é a exclusão de grande parte de sua carteira fidelizada portadora de status. Ainda não se mexeu o suficiente na tabela de resgate nem na de acúmulo para resgate.

Se não, vejamos: se o modelo se torna o mais próximo possível de low cost, não haverá acúmulo, logo não haverá resgate (exceto os extraordinariamente inflacionados, possivelmente).

Acúmulo e/ou resgate só pros 1% que se enquadram na nova regra e ainda terão acesso a eventuais (porem improváveis) benefícios de status, que por sua vez, não condiz com modelos low cost.

Olhando o nariz da medida mas enxergando o rabo dela, seria como pagar por uma executiva da Etihad e voar num sucatão antigo da TAP.

O que me leva a pensar que, sendo esse o caso, até mesmo esses 1% deixariam de existir… É realmente muito difícil avaliar a situação.

O mercado aéreo nacional sempre teve espaço pra assentos executiva em voos domésticos mas não vingou por muito tempo… Talvez um meio termo pra possibilidade trazida por você (e aventada já por muita gente) seria uma especie de partição. Voou domestico, vai de low cost. Voou internacional, econômica toda em low cost e executiva reservada aos 1%… Sei lá… Muito difícil…”

Na sequência, o Celso destacou que “Low cost se fala para voos no setor doméstico, pois não temos expertise em long haul low cost”.

O Fábio pontuou que “a cabotagem (low cost doméstica por estrangeira) ainda, AINDA, não está prevista. Só os ponto a pontos…”, sendo que o Celso disse que a LATAM aposta que isso ocorrerá em breve.

Por fim, o Cristiano Andrade acrescentou excelentes comentários à discussão:

“Alguém lembra de como era o mercado nacional antes de existir a GOL? Serviço de bordo decente, maior espaço entre os assentos (a TAM tinha até Business em algumas aeronaves domésticas), serviço de solo era muito bom, Fidelidade Vermelho era tratado como devem ser tratados clientes fiéis e frequentes…

Mas aí veio a GOL, derrubou preços e a TAM (ainda TAM, sob controle da família Amaro, já que o Rolim já havia falecido) resolveu seguir… cortou preços, custos e serviços… a cultura de serviço foi sendo perdida e perdida… Funcionou? Não! Nunca deram lucro e perderam fidelidade de muito passageiros corporativos (os de maior rentabilidade).

Veio a venda para os chilenos e o processo de sucateamento foi acelerado! Hoje a Latam perde em pontualidade, em serviço de solo, em espaço entre os assentos, no serviço de bordo e até pousa na pista errada!! OMG

Dependem mais e mais de preços… e quem entrega preço sem ter uma estrutura de preços efetivamente mais competitiva… prejuízo certo.

Nos EUA a Delta fez o caminho contrário, melhorou a eficiência operacional, atendimento e é disparada a melhor entre as 3 grandes por lá… e a que dá mais lucro! A que mais cresce…

Aqui a GOL que só perdia share, deu uma virada em serviço, eficiência operacional e serviços (em especial os assentos com mais espaço e WiFi), voltou a crescer (mas daí ao lucro é outra história!).

Enfim, para ser Low Cost de verdade tem que ser low cost, zero serviço e se vender assim! Não dá para ter crise de identidade…”

Conclusão

Interessantes os possíveis desdobramentos futuros desse plano de negócios da LATAM.

Parece que a tendência inevitável será a extinção futura da utilidade das categorias elite do programa de milhagens.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

E você, acredita que no futuro a LATAM possa a vir a ser uma low cost?

Agradeço aos leitores pelos ricos debates na caixa de comentários!

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  • Henry

    Muito boa as colocações dos colegas…
    Principalmente este trecho:
    “…..Enfim, para ser Low Cost de verdade tem que ser low cost, zero serviço e se vender assim! Não dá para ter crise de identidade…”
    A TAM ainda tem aquela velha mística da época do “tapete vermelho” e quando o Cmte. Rolin ia receber os clientes…
    Hoje, isso é um verdadeiro fardo para a cia… quantas e quantas pessoas, saudosistas, falam algo do tipo: “… saudades da época que a TAM estendia tapete vermelho…”
    Primeira coisa que a cia. tem que mostrar a essas pessoas é que isso já era…
    O mercado mudou, porque o mundo mudou.. as aeronaves idem.. a frequência com que voamos idem…
    Antigamente viajar, mesmo doméstico, era raro.. hoje é rotina.. não tínhamos propaganda a todo momento batendo na cabeça da gente: viaje, compre, viaje…
    Putz.. hoje quando eu dou descarga, lá naquela “água” em forma de redemoinho vem mensagem: “Está pensando em viajar ???? ”
    Se eu aperto o interruptor de luz pra ligar, ouço uma voz no meu smartphone: “… Paris chamando… ” .e quando eu desligo, vem outra mensagem: “… vai perder a promoção ????”
    O ser humano, literalmente se tornou globalizado…..
    Parafraseando Fernando Pessoa: “… Viajar é preciso… viver intensamente é necessário….”
    E cada vez mais, viajamos… é uma necessidade…
    TODOS que já foram um dia à Disney, voltam com a famosa doença SPD – Síndrome do Pós Disney, que eu sua forma mais severa deixa o paciente em depressão profunda…
    E com tanta demanda por voos, claro, cria um mercado monstruoso que cresce em ritmo de “massa de pão”, a nossa necessidade por viagens é o fermento que mostra a dinâmica por mais e mais…
    Mas.. nem sempre o financeiro das pessoas acompanha…
    Antigamente voar era uma festa.. as pessoas iam todas arrumadas… produzidas…
    Hoje, é calça jeans, uma camisa confortável, tênis e vamos que vamos…
    Claro que as low-cost são a tendência…mas.. ainda existe espaço para cias. que ofertem preços razoáveis, e um serviço minimamente decente…
    O caso de TAM, aliás, da LATÃO é um caso de consultório de psicanalista, antes de mais nada…
    Ela tem que se “assumir”, “sair de dentro do armário”…
    Ou mostra ao mercado que já é low-cost nos serviços prestados, e traz de forma clara isso para as tarifas (e claro, ajustando custos em outras áreas), ou certamente continuará a sofrer pela realidade de que, oferece hoje em dia um serviço ruim…
    Nem é questão de preço de passagem, mas de expectativa de serviço que o cliente espera.. porque se ela não sinaliza claramente que o rumo dela é para low-cost, muitos clientes vão continuar esperando o tapete vermelho… mas o que ela tem entregue é “puxar o tapete dos clientes”, com mudanças de regulamento do programa de fidelidade, atrasos, não ofertar mais serviço de bordo e um 0800 que é uma casa de horrores…
    Ah.. sem esquecermos no site/sistema Tabajara Line que ela implantou…
    Um conselho à LATÃO: faça como os antigos faziam.. sempre que um guerreiro morria, ele era queimado, e em seus olhos se colocavam duas moedas, para o barqueiro conduzi-lo ao pós vida…
    Então.. deem essa honra ao falecido Cmte. Rolin… ele merece partir desta para seu descanso eterno…
    Façam o enterro da TAM.. coloquem os serviços e tapetes na pira, junto com a mística do criador da TAM… não se esquecendo de serem generosos e colocarem duas moedas de dólar nos olhos dele ( ele não verá o que vcs estão fazendo com a cia. e temo que o barqueiro fique puto da vida se vocês colocaram moedinha de real e entregue o Cmte. lá na Síria….)

    • Guilherme

      rsrs….. como sempre, hilários, pertinentes e excelentes seus comentários!

      “Putz.. hoje quando eu dou descarga, lá naquela “água” em forma de redemoinho vem mensagem: “Está pensando em viajar ???? “…..rsrsrs…. rachei de rir com essa frase.

      Mas é verdade, a LATAM precisa assumir pra valer sua identidade de low cost, deixar o glamour de lado (se é que ainda tem essa pretensão), e passar a atuar de fato nesse nicho de mercado.

      Abraços!

      • Henry

        Guilherme…
        Pior que é quase isso….
        Hoje eu até tenho receio de ir na drogaria comprar preservativo e quando ligar o rádio do carro, começar a chover propaganda na rádio de motel….rsrsrs
        A gente não tem mais paz… é compra, compra, compra…
        A culpa é do Bottini….rsrsrs

        • Guilherme

          rsrsrsrs

    • Cristiano Andrade

      A verdade é que os chilenos perderam a chance de transformar a empresa em LAN Brasil e assim se livrar do “legado” e da crise de identidade. Perderam a chance de matar o Multiplus naquela época e transformar tudo em Latam Pass… enfim, o tempo passou e eles só acumularam prejuízo com a operação de Latam BR.
      Pelo que entendi da estratégia deles (seja dos movimentos já executados, seja por entrevistas de gestores), o negócio se baseia em ampliação da malha internacional para abastecer o mercado doméstico. Não sei números, ma acredito que o mercado corporativo doméstico no Brasil seja bem grande (Azul e Avianca me parecem depender muito pouco dessa fonte de passageiros). O lance é que nenhuma das 4 coloca seu programa de fidelidade com verdadeiro diferencial para este público.
      Vejo a Gol concedendo status facilmente que garantem os benefícios de praxe (assentos +, embarque preferencial, mala despachada grátis etc) além de sala VIP em GRU e GIG. E vejo a Avianca usando a pontuação do programa Amigo de forma que privilegie quem voa mais (e não quem gasta mais). Coincidência, mas ambas foram a s primeiras a prover wifi em vôo!
      Acho que a Azul errou com o mercado corporativo ao priorizar a TV ao vivo ao invés do wifi, errou de novo ao substituir a frota de E-Jets (2 poltronas de cada lado) pro B-737 (3 de cada lado), e lógico que há o problema de slots em Congonhas.
      Enquanto isso Latam inventa um assento + que não é mais espaçoso, depois do outros lança o wifi, não considera vôos One World (ok, 25% apenas) na conta de qualificação, tem os piores índices operacionais de atraso, carrega o problema dos 787 com soluções toscas (aviões da Wamos, cancelamentos em cima da hora, envio de bagagens via Latam Cargo e por aí vai). Como conquistar o público corporativo? Preço, preço, preço, preço… e aí o Lucro Tchau, Lucro Tchau, Lucro Tchau Tchau Tchau…

      • Igor

        Mas a TV ao vivo foi anos antes da Gol trazer o wifi a bordo não? E foi um upgrade no bom sistema de entretenimento que já existia há anos…

  • Daniel Gadelha

    Parabéns Guilherme por valorizar os comentários dos leitores. 👏🏼

    • Guilherme

      Eu é quem agradeço ter leitores tão qualificados no site!

  • Esse dias estive pensando no assunto. A medida que a idade foi chegando (acompanhada pela solterisse), o desejo de viajar (sozinho) foi se despedindo. Ao mesmo tempo começou a ficar muito óbvia a conta da paridade entre o bilhete pago e o prêmio (incluindo-se todo o custo agregado de obter esse último). CCs não valiam mais a pena (além de serem verdadeiras navalhas na carne em tempos cada vez mais consumistas), a qualidade cada vez pior dos serviços das aéreas fez Rolim girar e dançar tango no túmulo (ser fidelizado aqui só se fosse ao preço do bilhete), a emissão com pontos era missão impossível… Tudo isso soa familiar?!? Foi nessa época que me dei conta de que valia mais a pena comprar e pagar por meu bilhete (em qq classe) e viajar quando eu queria, pra onde eu queria, ao preço que eu definia justo, e tudo isso sem ser mais fidelizado. Acredito que estamos entrando nessa era novamente. Não sei até quando valerá a pena ter assinaturas de clubes e estar atentos às promoções e ao que dizem as águas da privada ou as luzes do quarto. Está claro que ser fiel a LATAM tornou-se algo absolutamente desnecessário para 99% de seus clientes. Não posso afirmar o mesmo do Multiplus, mas pelo andor da carruagem, e considerando as práticas típicas predatórias de concorrência à brasileira, não demorará muito para não sermos fidelizados, novamente, à nada mais que o preço pago pelo servico. Uma pena, mas isto é ser consumidor no Brasil.
    .
    https://m.youtube.com/watch?v=e9dZQelULDk

    • Guilherme

      Perfeito, Fábio! Assino embaixo!

    • Flying_FlyerBBB

      Ótimo texto. Tb sou freeselfflyer kkk. Sem nenhum glamour

  • Fábio

    Falando em lowcost: vocês viram a divulgação dos novos perfis de tarifas que a LATAM acabou de fazer? Estão acabando com a franquia gratuita de bagagem na América do Sul na tarifa mais barata. Também existem algumas outras mudanças com perfis de tarifas não acumulando mais pontos. MULATÃO cada vez mais lixo

  • Flying_FlyerBBB

    Latão Airlines du Brasil vai cobrar bagagem internacional … low-pig-cost.

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