[Guest post] Reflexões geradas a partir de minha experiência com venda de milhas – Parte 2

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Eis a segunda parte do guest post do Carlos, contendo reflexões sobre os programas de milhagens.

A primeira pode ser lida aqui.

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“Continuando a reflexão sobre o impacto das empresas intermediárias no mercado de milhas, este ano de 2018 já apresentou uma série de mudanças no mercado:

  • Santander Esfera passou a participar de poucas promoções e a limitar a quantidade máxima de pontos disponíveis para os clientes participarem das mesmas.
  • Multiplus Fidelidade diminuiu os percentuais oferecidos em promoções.
  • Amigo Avianca estabeleceu tetos máximos de quantidade de bônus em suas promoções.

Quantidade de promoções dos programas de milhagens aéreas

Para ser mais preciso, comparei os bônus oferecidos em 2017 com 2018, pegando o mesmo período do início do ano até 20/08. É importante ressaltar que, nos meus dados de 2017, a diferenciação entre valores de associados a clubes ou clientes com status não foi computada, então os números usados eram, normalmente, os maiores.  Mas vamos aos números:

  • Multiplus Fidelidade passou de 11 promoções, com média de 42%, para 10 promoções, com média de 18% (46% para o clube).
  • Smiles passou de 26 promoções, com média de 63%, para 34 promoções, com média de 56% (38 promoções, com média de 74% para o clube).
  • Tudo Azul passou de 25 promoções, com média de 70%, para 13 promoções, com média de 63% (75% para o clube).
  • Amigo Avianca passou de 8 promoções, com média de 100%, para 7 promoções, com média de 51% (média de 92% a depender do status ou associação ao Clube Livelo).

Como podemos ver, Multiplus Fidelidade e Amigo Avianca mantiveram estáveis a quantidade de promoções e reduziram os bônus, já que no ano passado os bônus dos associados ao Clube Multiplus eram menos relevantes. Tudo Azul reduziu sensivelmente a quantidade de promoções com leves aumento no bônus para associados e queda para os não. E o Smiles, como exceção provavelmente esperada, lançou mais promoções do que a quantidade de semanas do período (38 contra 34) e com aumento dos bônus para associados ao seu clube.

Apesar de não ter computado, acredito ter havido uma queda nos bônus para não-associados aos clubes ou sem status. Mas, para minha surpresa, houve aumento nos percentuais de bônus para os associados aos clubes ou com status, com a exceção do Amigo Avianca, o único que não possui clube próprio e costuma oferecer bônus adicionais por status. Devido à necessidade de associação aos clubes e ao aumento de suas tarifas, pode ser que o aumento no percentual dos bônus seja compensado pelas tarifas recebidas.

Quantidade de promoções dos programas de recompensas dos cartões de crédito

Em relação aos bancos, em todos houve o aumento na quantidade de promoções oferecidas, principalmente por causa do Smiles, mas em alguns foi de forma expressiva. A exceção todos devem saber:

  • Livelo BB passou de 40 promoções para 45, mesmo número final do Livelo BRA, mas que veio de 32. Neste ano, na verdade, não tivemos, por enquanto, diferenciação entre os Livelos dos bancos. E este foi o único programa a oferecer 100% de bônus (ou mais) para os 4 programas nacionais (de forma indireta, no caso do Multiplus).
  • Itaú passou de 26 para 32 promoções.
  • CEF passou de 32 para 46 promoções, como a Porto Seguro passou de 29 para 47 promoções. Os dois se beneficiam de não serem os habituais excluídos nas promoções do Multiplus e ainda apresentam algumas promoções exclusivas.
  • Santander Esfera despencou de 34 para 17 promoções.

Como podemos ver, os programas de milhagem responsáveis têm se tornado mais seletivos na hora de lançarem promoções. E o Santander está fazendo uma aposta contrária aos demais concorrentes, provavelmente pelo fato de ser o único a oferecer pontuações majoradas em suas promoções de metas de gastos.

Resta saber como os clientes se comportarão frente a estas estratégias. O caso do Santander é complicado pois as metas de gastos têm sido inatingíveis para a maioria dos clientes, o que complica a suposta vantagem competitiva do banco em relação à concorrência. Mas sempre tem os que copiam os malefícios sem oferecer as contrapartidas. O Itaú, por exemplo, está seguindo esta mesma linha, de forma menos radical, mas não oferece nada a mais que a concorrência.

A plataforma Livelo continua sendo imbatível para a transferência de pontos, com os melhores bônus, e, com a morte do Membership Rewards, também é a que oferece a maior quantidade de parceiros, embora a transferência para os programas estrangeiros tenham deságio. CEF e Porto Seguro melhoraram bastante neste ano e se apresentam como boas alternativas ao Livelo.

Os programas de milhagem parecem seguir caminhos distintos. Amigo e Tudo Azul vão para o caminho da austeridade fiscal, com diminuição das promoções e bônus e, no caso do Amigo, teto máximo para a quantidade de bônus. O Smiles, ao contrário, vai para uma linha Keynesiana de incentivos aos gastos, com seus bônus semanais e a crescente pressão inflacionária sobre os valores de resgates de passagens no programa. E o Multiplus, apesar de parecer querer seguir uma linha de austeridade, adota estratégias do Smiles para este fim, com constantes mudanças de regras e desvalorizações técnicas, através de indisponibilidade de parceiros, erros e falhas em seu sítio eletrônico e piora sensível no serviço de atendimento por telefone.

Em relação aos bancos, os sinais são ambíguos. A mudança do Santander é, de certa forma, compreensível pelos gastos adicionais com as promoções de metas de gastos. Mas vemos uma expansão de CEF e Porto Seguro, uma certa retração do Itaú e o Livelo, aparentemente, mantendo suas políticas e posição de destaque no mercado.

Conclusão

Mesmo com todos estes ajustes, creio que o mercado de milhas está se encaminhando para uma posição insustentável. O crescimento do mercado, por um lado, pode ser considerado como algo bom, à medida em que se torna atraente para as empresas e possibilita maiores investimentos e lançamentos de produtos.

Entretanto, este mesmo crescimento encontra-se estrangulado em seu lastro, já que a quantidade de empresas aéreas e assentos disponíveis permanece estável ou com crescimento muito abaixo do setor de milhas. Com cada vez mais milhas emitidas e utilizadas e mantendo-se a mesma oferta de assentos para troca, ou será cada vez mais difícil encontrar lugares disponíveis e/ou haverá um aumento generalizado nos valores cobrados para esta troca.

Este lado é mais difícil de mensurar, mas acredito ser uma percepção geral que houve um aumento nos valores cobrados para resgates de passagens aéreas. Nos voos nacionais, todas as empresas adotam uma tabela de preços flutuantes e, cada vez mais, é comum aparecer valores muito superiores ao praticado anteriormente. Nos internacionais, o problema também se repete, com exceção das empresas que adotam preços tabelados, como é o caso do Amigo e do Multiplus para parceiros (embora neste caso, esteja havendo há meses um conveniente problema técnico para os resgates).

Pelo menos, como demonstrado na postagem anterior, os leitores do MMdM se encontram em vantagem competitiva frente à imensa maioria do mercado, por ter acesso ao conhecimento de como utilizar, com muita mais eficiência e economia, suas milhas no resgate de passagens aéreas.

Mas poderemos, em breve, voltar ao tempo em que as milhas eram apenas um complemento ou uma possibilidade de resgate eventual de passagem aérea. Eu, pelo menos, não compro uma passagem aérea internacional há cinco anos, exceto no caso de bugs. Acho que, daqui a pouco, vou ter de começar a fazer pesquisas na CVC. 🙂

Os programas de milhagem vão lançar, em breve, a milhada, milha real, milha-réis, com corte de três zeros no seu saldo dos programas, ou os ajustes serão mais suaves e continuaremos economizando, sensivelmente, com a utilização das milhas ao invés da compra das passagens com dinheiro?

O ritmo de reduções na quantidade de ofertas e percentuais de bônus se acelerará? Quanto tempo o Smiles demorará para chegar na casa de 365 promoções por ano, com bônus diários?” 🙂

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Quer aprender mais? Então leia os demais guest posts do Carlos:

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E você, qual sua opinião sobre o assunto?

Agradeço ao Carlos por mais um excelente guest post! 

  • Rafael de Araújo Guimarães

    Excelente post como sempre, até hoje consulto seu outro[Guest post] Retrospectiva 2017 para saber se a promoção vigente é realmente boa. A questão atual é que cada dia está mais difícil surgi aquelas promoções imbatível de milhas, pois os grupos de fidelidade querem força os usuários a participarem dos seus clubes gerando um fluxo de caixa constante e dando em troca tabelas de regastes piores. O único ponto fora da curva nesse ano está sendo a Avianca com várias promoções de 100% sem ter criado seu programa, o grande problema é que planejamento de viagem com milhas já é trabalhoso e ainda com cenário de deságio dos pontos pessoas que invista num clube x pensando em fazer uma viagem pode pagar um mico depois. E pode acreditar que talvez o dia de pesquisa na CVC já possa ter chegado, tem vez que comprando pelo Livelo via (CVC) sai bem mais em conta.

    • Carlos

      Concordo com você. Está complicado fazer qualquer tipo de planejamento a médio prazo, acho que o máximo que seria prudente seria esperar os melhores bônus que devem ocorrer até a black friday, fazer a transferência e emissão imediata para voar até meados do ano que vem. Para além disso, é tudo muito incerto.
      Até a própria Avianca me parece arriscada. Nos voos nacionais, se consegue achar, no máximo, dois assentos com preços razoáveis, os demais são todos cotados a 50k. Nos voos próprios internacionais, se você olhar os preços pesquisando pela aba Avianca Brasil, já estão muito acima do valor de tabela, encontrado na aba Star Alliance. E acredito numa mudança desta tabela Star Alliance, com provável massacre. Qual vai ficar sendo o programa menos pior é um mistério.

      • Flying_FlyerBBB

        Hoje sem sombra de dúvidas o pior dos mundos é da Latam, impossível emitir algo naquela joça sem um stress de 5 horas, por 7 dias consecutivos

        • Igor B.

          Concordo. Esses dias achei um trecho NAT-BSB por 9000 pontos num fim de semana. Parecia ótimo. Mas aí, na hora do pagamento, aquela “surpresa”. A página não carregou.
          Fiquei “p”. Quando voltei na mesma pesquisa, já estava em 23000 pontos. Um absurdo.

          • Pedro

            Igor, esse problema já ocorreu comigo na Latam. O que acontece lá é que quando da erro na hora do pagamento aqueles assentos restantes desse valor ficam “bloqueados” em uma espécie de reserva durante o processo de emissão. Nao lembro o tempo ao certo, mas umas 2 horas +/- depois do erro o preço retorna, isso caso alguem não emita primeiro

            • Igor B.

              Verifiquei depois, Pedro. Não rolou msm.

        • Fábio

          Semana passada emiti dois voos para a California. Um preço aceitável (35 mil cada trecho) e resgatei sem problemas pelo site da LATAM. O voo é de uma parceira, a American Airlines. Talvez eu tenha dado sorte, ou então o sistema voltou a ficar estável

      • Caraca, Carlos! Que coice no né non!!! De fato, é #oda aquela pompa toda em cima de plagio. Mas há muito tratamento de informação também. E isso é bom pra todo mundo… Tem um outro cara aí que faz muito pior. Descaradamente!!! Tá até vendendo consultoria agora… Relax!!!

  • Gustavo

    Off, Henry, estamos no aguardo da bomba.

    • Tchô Mondego

      Ele está tão nervoso que travou kkkkkkkkkkk

      • Henry

        Gustavo/Tchô…
        Os caras da Europa não mandaram o material que tinham prometido..
        E não vou encarar uma de dar a informação desse nível sem ter um mínimo de lastro documental…porque se interferir nas cotações em bolsa, a CVM pode abrir um processo contra mim…
        Se eles não enviarem isso até sábado que, eu vou até Estocolmo e Toulose e pego na marra..
        Além do mais, esta semana minha filha está casando….. eu não sabia que tinham tantos detalhes num casamento de uma filha…tb não tinha noção do tamanho da família… aí, tem que hospedar/deslocar todo mundo…
        E esta semana… nosso país está de luto… por conta do que aconteceu no Museu Nacional… local onde já fui umas 40x… boa parte delas, levando meus filhos e falando sobre a história do país e do mundo…
        Só de pensar que semana passada meu filho esteve lá com os colegas do Colégio São Vicente de Paulo.. dá um calafrio na espinha…
        Não tem clima pra eu vir aqui postar notícia boa, alegre, diante do que aconteceu no MN…

  • William

    Eu concordo com as reflexões, mas faltou falar sobre a relação desse cenário com a venda de milhas.

    • Lee

      @disqus_usZKr0NfA3:disqus Embora a venda de milhas e sua facilidade ou falta de regulação estejam no centro da inflação desenfreada dos resgates, se possível faça um adendo mais específico sobre isso. Parabéns pelo excelente post!

  • joao

    A tendencia tambem ja comentada , acho que sao as emisssoes diretas, pelo livelo com pontos ou o tambem como o itau ja esta fazendo.

  • Henrique P. P.

    Parabéns pelo post Carlos. Também estou um tanto apreensivo com a inflação no mundo das milhas. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos. Abraço e obrigado pela aula.

  • excelente post, e sinceramente o Santander Esfera esta uma porcaria mesmo. Muito pouca promoção de transferências, assim como metas altíssimas entre vários assuntos relacionados.

  • pedro

    oi, carlos! teria como voce me enviar por email esses dados das promocoes de 2018 e 2017? queria tentar analisar mais profundamente as informacoes pra ver se consigo achar algum padrao ou alguma informacao que ajude a nos preparar pras proximas promocoes…. se puder me enviar, eu te envio de volta as conclusoes que eu chegar…..

  • Windsor Mac

    Eu to ganhando mais dinheiro com milhas em 2018 que 2017. É só participar de todos os clubes e ficar atento aos blogs que consegue o melhor de todas as promoções. Quem reclama muito não ta sabendo operar nesse mercado

  • Tchô Mondego

    Merece uma parte 3 sobre o mercado de vendas de milhas aos tubarões(Henry). Estaria certo quem está aproveitando essa onda ganhando de 10% a 20% ao mês ou errado por corroborar pela inflação de resgates? Parabéns Carlos, alto nível!

    • Henry

      Exato..
      As “shark companies” que operam no mercado, trazem como consequência mais nefasta a indisponibilidade de assentos (que já é uma porcaria), porque elas têm uma baita logística de emissão…
      Aí, a milha para os outros usuários perder “qualidade” de troca.. isto é:
      Digamos que o cara tem um saldo de 90.000 milhas e que isto seria possível, em tese, ele trocar por uma passagem, ida e volta, considerando a disponibilidade dele e de assentos…do Brasil para os EUA….
      Só que, assim que os assentos entrem em disponibilidade, vem as shark companies, com seu baita arquivo de interessados e emitem antes do cara..
      No final, em tese, as 90.000 milhas continuam tendo poder de compra de 2 passagens ida e volta pros EUA.. só que, na prática, ele não consegue, porque sempre as SC emitem antes…
      No final das contas ele acaba queimando essas 90.000 milhas para destinos menos procurados, ou até mesmo trocando por liquidificador nos “shopping arapuca” dos programas de fidelidade…

    • Lee

      Eu não comercializo milhas, mas também não condeno quem o faz porque não é crime e nem sequer ilegal. O problema é que, como bem apontado por este post e pelo outro, a coisa vai ficar insustentável no médio prazo. Não dá para alguém ganhar 10 a 20% ao mês indefinidamente nesse mercado.

  • Celso Junior

    Acredito que a alta do dolar interfere nessa depreciacao das nossas milhas tambem, afinal os maiores custos das cias aereas (combustivel e leasing) sao denominados em USD. É sabido que os programas de milhagem Smiles e Multiplus estão salvando a vida das reespectivas cias aereas com a venda desenfreada de milhas e isso so prejudica o cliente que voa. Os que revendem não querem nem saber, vao continuar assinando clubes e fabricando os pontos em detrimento da disponibilidade cada vez mais restrita nas cabines premium e parceiras internacionais

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  • Lucas

    Alguem poderia dar uma luz? Rsrsrs

    • Guilherme

      Lucas, sua dúvida vai virar post, assim, seu questionamento terá visibilidade, aumentando as chances de respostas!

      Abraços!

      • Lucas

        Nossa Guilherme muito obrigado!! Eu andei pesquisando bem e verifiquei que, pelo menos pela Multiplus (única que compensa pegar as passagens) só vem compensando se pegar ida e volta nos pontos, pois se eu pegar a ida, para pegar a volta em uma companhia aérea vai ser complicado. Ex.: Ida e volta de SP para Milão: 90 mil pontos ou R$ 4.400 reais (24/06 a 14/07). Se fosse pegar só a volta em $ na Latam = R$ 7.000,00. Fazem isso para você não ter escolhas. Por isso nessa situação, pelo que pesquisei, o que compensaria era pegar a ida nos pontos (33 mil) e a volta, como em $ é um valor absurdo (7 mil reais Latam ou R$ 3.500,00 na decolar), teria que ser pela Max Milhas (sai R$ 2.200,00 a mesma passagem que é R$ 7.000,00 na Latam). Só que pelo que li aqui, o Carlos não gosta muito do Max Milhas, só que não entendi muito bem porque, pois realmente o milheiro sai um pouco mais caro, só que é tudo mais “facilitado”.
        O receio dos pontos é você finalmente conseguir toda a quantia necessária (90 mil pontos) e depois a passagem está mais cara ou, dá algum problema na emissão do bilhete.

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