[Guest post] LATAM, Smiles e cartões de crédito: dados e curiosidades sobre os últimos relatórios apresentados

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Quem acompanha o mercado financeiro já deve saber que estamos vivendo a temporada de divulgação de balanços das empresas listadas na Bolsa de Valores.

Aproveitando que algumas empresas relacionadas ao mundo das milhas e pontos têm ações negociadas na Bolsa – LATAM e Smiles, por exemplo -, o nosso diligente leitor Carlos compilou alguns dados bem interessantes a respeito, acrescentando mais algumas novidades relativas aos cartões de crédito, de acordo com os dados colhidos pelo Banco Central. No material complementar bônus, trago ao conhecimento de todos os pertinentes comentários do leitor Anderson Cunha ao comentar os balanços do Multiplus Fidelidade.

Confiram!

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LATAM

A Latam divulgou seu balanço do segundo semestre de 2018 – confira aqui. Eis alguns dados interessantes:

. Houve aumento na quantidade de clientes, 6% em relação ao trimestre anterior e 18% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Porém, apesar do aumento da base, houve uma queda expressiva na quantidade de pontos emitidos, de 23% em relação ao trimestre anterior e 11% em relação ao do ano passado. A queda concentrou-se no segmento bancos, varejo, indústria e serviços. Será isto um reflexo das mudanças do Km de Vantagens, diminuição da transferência de pontos de cartão de crédito ou ambos? A má administração do programa e ausência de bônus de transferência relevantes estão sendo devidamente correspondidos pelos clientes?

. Dos pontos emitidos, 16% são por voos e 84% são para o segmento bancos, varejo, indústria e serviços. Neste último, os bancos correspondem a 2/3 do total, imaginava que fosse um percentual maior.

. A quantidade de pontos resgatados caiu 15% em relação ao trimestre anterior e 2% em relação ao segundo trimestre do ano passado. A empresa confessa que isto se deveu à migração do sistema Amadeus para o Sabre, quando passou a ser de difícil a impossível utilizar os pontos Multiplus para emissões de passagens aéreas, seja pela inexistência de parceiros disponíveis no sistema ou à maxi-inflação dos valores pedidos em voos próprios. Estranhamente, o resgate de passagens com parceiros caiu apenas 1%, o que deveria ser maior pois este foi o ponto mais afetado pela migração.

. Em parceria com o US Bank, foi lançado o cartão de crédito Multiplus no mercado americano. As principais características do cartão (equivalente ao Infinite) são primeira anuidade grátis e demais  de U$ 75 (~R$ 285), 20k pontos de bônus ao usar o cartão e 4k nas renovações, pontuação de magros 1,0 sem categorias com bônus e três upgrades anuais.

. Eu não entendo o porquê do Clube Multiplus nunca ser citado nos balanços da empresa, já que há menção a itens bem menos relevantes como a diminuição na quantidade mínima de pontos para transferência da CEF e Itaucard. Será um mico tão grande assim para ficar escondido?

Smiles

O Smiles também publicou seu balanço – confira aqui.

. A quantidade clientes aumentou em 2% em relação ao último trimestre e 17% em relação ao segundo trimestre do ano passado e, ao contrário da Multiplus, a quantidade de pontos emitidos aumentou 12% em relação ao trimestre anterior e 22% em relação ao segundo trimestre do ano passado.

. O resgate de pontos aumentou 2% em relação ao trimestre anterior e 17% em relação ao segundo trimestre do ano passado, o que reforça o impacto negativo da migração do Multiplus no uso das milhas pelos clientes.

. Apesar das diversas promoções na qual o Smiles oferece bônus com duração de apenas seis meses, a taxa de breakage (pontos expirados) não é muito diferente do Multiplus, 18,3% para Smiles e 17,6% para Multiplus.

Estatísticas dos cartões de crédito – Banco Central

Finalmente, o Banco Central também atualizou os dados relativos a cartão de crédito (link), com acréscimo dos dados de 2017.

Eu já havia feito comentários sobre os dados até 2016 aqui, e vou acrescer o que achei curioso desta vez:

. Houve diminuição em 12% na quantidade de cartões da bandeira Visa e 24% de Amex e aumento de 7% de Mastercard e 23% de Elo. Mastercard ampliou a liderança do mercado com 35% mais cartões que Visa.

. Houve ligeiro aumento na quantidade de cartões emitidos e ligeira queda na quantidade de cartões ativos. De qualquer forma, a média histórica de cartões ativos fica sempre em torno de 50% dos cartões emitidos. Ou seja, os bancos e empresas continuam enviando cartões não solicitados aos montes.

. A quantidade de cartões de crédito puros é três vezes maior que cartões híbridos. Imaginava que fosse o contrário, que a maioria dos cartões fossem híbridos por serem emitidos por bancos. Deve ser, então, que a maior parte dos cartões de crédito sejam os emitidos por lojas, como Extra ou Riachuelo.

. Os valores médios de gastos por transação são de R$ 179 para cartões corporativos, R$ 145 para cartões premium, R$ 116 para cartões intermediários e R$ 96 para cartões básicos.

. 80% das transações são feitas com chip e 18% pela internet (não-presenciais).

. A quantidade de pontos emitidas no último trimestre de 2017 ficou próxima dos maiores valores, que ocorreram entre 2013 e 2014. A mesma coisa para a quantidade de pontos convertidos, com ocorrência entre 2013 e 2015.

. A quantidade de pontos expirados, entretanto, vem caindo desde 2016 e está bem abaixo da média de 2013 a 2015, o que significa um melhor uso dos pontos acumulados pelos clientes e podendo ter relação com MaxMilhas e congêneres. No último trimestre de 2016, a cada ponto emitido, expiravam outros 23%, tendo esta relação baixado para 13% no último trimestre de 2017″.

Multiplus Fidelidade

Eis o excelente complemento do Anderson sobre o Multiplus, que fecha com chaves de ouro esse guest post:

“Pessoal. Já estamos em período de vigência do novo regulamento do Latam Fidelidade / Multiplus. Portanto, quem emite muitos bilhetes para outras pessoas deve se lembrar do limite anual de até 24 nomes registrados no sistema além do próprio – passando disso o dono da conta será penalizado pelo programa.

À propósito, divulgaram o balanço da Multiplus referente ao segundo trimestre de 2018. Como previsto por muitos dos que acompanham esse mercado, muito provavelmente devido a lambança com os novos tipos de clube, lançados em janeiro passado, o resultado foi catastrófico para a empresa.

Houve queda de 11,6% no número de pontos emitidos, passando de 23,2 bilhões em abril, maio e junho de 2017 para 20,5 bilhões nos mesmos meses desse ano. De janeiro a março de 2018 a marca tinha sido de 26,5 bilhões. O que contribuiu para que o volume financeiro recuasse de R$ 614,5 milhões – registrados no segundo trimestre do ano passado – para R$ 577,4 milhões de agora, depois de ter atingido R$ 640,7 nos primeiros três meses desse ano.

A receita bruta então, teve um desempenho ainda pior. Inclusive vinha caindo sucessivamente ao longo do ano: R$ 196,3 milhões (segundo trimestre de 2017); R$ 185,1 milhões (terceiro); R$ 177,4 milhões (quarto); R$ 172,1 milhões (primeiro trimestre de 2018) e R$ 123,3 milhões (registrados no balanço agora divulgado). Em comparação com o mesmo período do ano passado configura uma retração de 37,2%. Já em relação ao trimestre anterior (de janeiro a março desse ano) a variação negativa foi de 28,3%. Por fim, o lucro líquido foi de R$ 73,8 milhões. Bem menos que os R$ 126 milhões do segundo trimestre de 2017 e também os R$ 98,2 milhões do primeiro trimestre de 2018.

Para tentar engambelar os investidores, no material de divulgação que está disponível no site da Multiplus dão destaque à liderança absoluta entre os programas similares com 21,1 milhões de participantes, sendo 1 milhão de estrangeiros, inclusão de novas rotas pela LATAM e resgates online de companhias associadas à One World. Até a recente parceria com o Magazine Luíza para resgate dos pontos incluíram no comunicado”.

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Quer aprender mais? Então leia os demais guest posts do Carlos:

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E você, teria coragem de comprar ações de algumas dessas empresas?

Agradeço ao Carlos por mais um excelente guest post, e ao Anderson Cunha pelos complementos!

  • Felipe Souza

    Com a mudança e integração dos sistemas, a multiplus ficou praticamente instável durante quase um mês em um trimestre, é algo totalmente absurdo para uma empresa deste porte. Em uma S.A desse tamanho, no qual os lucros são lutados nos centavos, um mês de instabilidade em um sistema, é algo que será difícil reverter durante o ano. Além disso, nem todas as funcionalidades do sistema voltaram totalmente ( exemplo Ibéria). Até pode ser uma tática da companhia para reduzir os regastes internacionais atrelados ao dólar, de uma forma “indireta”, falha técnica ao invés de afirmar “vocês estão proibidos de resgatar em dólar”.

    • Henry

      Felipe..
      Esse argumento que vc citou, de usar falha técnica como desculpa, mas na verdade a realidade é “…vocês estão proibidos de resgatar em dólar…”.
      Não é a primeira vez que os programas de fidelidade usam essa tática e não será a ultima…o Smiles faz isso a toda hora, com emissões e com as promoções…
      Creio sinceramente que essa migração/fusão/confusão, tb teve um pouco dessa “tática” por parte do Multiplus…
      Além de terem contratado uma empresa pra lá de ruim pra fazer a migração dos sistemas….

  • Cito que um dos responsáveis pela queda na pontuação também muito provavelmente é o dólar que voltou a disparar nesses últimos meses.

    • Anderson Cunha

      No meu ponto de vista essa alta recente do dólar, fundamentalmente a partir de março, teve impacto no número de pontos emitidos Multiplus e Smiles, porém não muito relevante. Explico. A geração de pontos por ambas acontece mediante a contrapartida de outras empresas, quando não venda direta ou por meio de assinaturas de clubes. No caso dos bancos, para fazerem as transferências de pontos, os correntistas precisam acumular montantes significativos – 5 mil, 10 mil, 15 mil, 20 mil e até 30 mil pontos. Portanto, em três ou seis meses essa escalada do dólar não conseguiria forçar uma redução na quantidade de pontos emitidos pelos programas da Latam e da Gol. A Smiles, inclusive, não diminuiu as emissões. Pelo contrário, conforme o Carlos apontou: “a quantidade de pontos emitidos aumentou 12% em relação ao trimestre anterior e 22% em relação ao segundo trimestre do ano passado.” Acredito mais é que o resultado ruim da Multiplus em se tratando de emissões de pontos deveu-se por causa do “enrosco” com os novos assinantes do clube e o fim da farra de bonificações via KM de Vantagens, no fim de março, o banimento dos grandes bancos em promoções de bonificação e eventualmente o aumento da quantidade mínima de transferência por parceiros – o Santander fez isso em maio. O efeito dólar será sentido com mais intensidade nos próximos meses, quando as pessoas transferirem para os programas o que estão acumulando agora em suas contas Esfera, Sempre Presente, Livelo, etc.

  • Igor B.

    Acho que a Multiplus vai ter que repensar suas estratégias daqui pra frente. Principalmente por causa desse clube mequetrefe que eles têm. E ainda, parar com as briguinhas com os grandes bancos pra transferência bonificada de pontos. O entrevero com a Livelo é caso sério.

  • Felippe Der

    O smiles aumentou consideravelmente os preços dos resgates este ano. Em alguns casos chegou a 50% de aumento. Algo surreal. A Multiplus está fraca de bônus e todos ficam aguardando uma bumerangue que está demorando a aparecer. O clube tem diversos defeitos, mas o clube Multiplus para quem visja com Latam é uma mão na roda. Só a categoria Gold já garante 4 milhas por real e mala grátis, quando a pessoa viaja vez ou outra é algo bem útil.

    • Daniel Gadelha

      Smiles aumentou só 50% o valor dos resgates? Bondade sua rs.

  • Joao

    Quem divulgou os resultados foi a Multiplus e não a LATAM.

    • Anderson Cunha

      Você está correto. Até porque Latam Airlines Group, com sede em Santiago, Chile, só divulgará os resultados dia 21 de agosto.

  • SirNiXXon

    E nós, viajantes, preferimos Multiplus ao Smiles. Não que o Multiplus seja a última Coca-Cola do deserto, mas acho que fica clara aí a diferença entre tentar atender um pouco melhor o cliente e priorizar o acionista.
    Programa de milhagem lucrar não é necessariamente bom pra gente, é sempre bom ter isso em mente.

  • Pedro Mendes Müller

    talveza a multiplus esteja tendo essas quedas, mas, de alguma forma, isso pode estar sendo melhor pra latam…talvez, com a disponibilidade excessiva de pontos multiplus no mercado, as pessoas estavam deixando de emitir passagens pagando em dinheiro e ai diminuindo o lucro da latam

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