[Guest post] A minha experiência com o cartão de crédito Santander Reward (sistema cashback)

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Há dois anos, em abril de 2016, o leitor SwineOne havia feito um estudo comparativo entre cartões de crédito cashback e cartões que geram milhas e pontos (veja aqui).

Hoje, o Swine escreve sobre sua experiência concreta usando o Santander Reward, comparando-o com as alternativas existentes no mercado, especialmente o Santander Unique, através de um detalhado estudo comparativo.

Confiram!

………………………………….

Os resultados do meu cashback com o Santander Reward

“Já defendi aqui no passado o cartão Santander Reward, com seu cashback de 2%, crescendo até 2,5% após 5 anos com o cartão. Inclusive, quando não há promoções de bônus em triplo para os cartões Santander com acúmulo no Esfera, estava concentrando meus gastos no Reward.

Hoje resolvi fazer um balanço da minha taxa efetiva de cashback no Reward — afinal, é necessário descontar a anuidade (R$ 27,50 mensais) deste cartão. Nunca tentei pedir que isentassem, por ter ouvido falar que o Santander é bastante inflexível na isenção de anuidade deste cartão.

Os resultados foram os seguintes: gastei R$ 660 de anuidade nos últimos 24 meses, e obtive R$ 1.650 de cashback. Considerando que a minha taxa de cashback média nesse período foi de 2,05%, ao deduzir os custos da anuidade, obtenho uma taxa próxima a 1,25% de cashback efetivo, o que é muito pouco.

Há de se considerar que, durante todas as promoções de bônus em triplo do Santander nos últimos 18 meses, deixei o Reward de lado para atingir as metas das promoções e maximizar meus ganhos, pois, com bônus em triplo, não há o que discutir, o cashback perde feio. Caso concentrasse mais as compras no Santander Reward, esta taxa de cashback efetivo teria sido maior.

Em todo caso, o contrato mais recente do Santander Reward indica um limite mensal de cashback de R$ 250, e dada a anuidade, isso já implica em uma redução mínima de 11% no cashback efetivo. Ou seja, mesmo no melhor, esta taxa não poderia ultrapassar 1,78% a 2,225%, dependendo de há quantos anos você tem o cartão. E isso se você gastar o suficiente no Reward para atingir o limite mensal de cashback de R$ 250 — se gastar menos do que isso, é até menor, como foi no meu caso.

Estudos comparativos com o cartão de crédito Santander Unique

Recentemente migrei do Santander Van Gogh para o Santander Select — sei que as tarifas do segmento são caras, mas tenho 50% de isenção por portabilidade de salário, então o efeito no meu orçamento mensal foi de R$ 10, o que considero aceitável pela melhor qualidade de atendimento neste segmento. Durante a migração, aproveitei para solicitar o cartão Unique, que como todos devem saber, dá 2 pontos/dólar.

Pois bem, façamos uma conta muito simples, usando as taxas de câmbio de hoje (R$ 3,48 para o dólar e R$ 4,22 para o euro, ambos no comercial, mas posteriormente argumentarei que o uso do câmbio comercial é válido):

  • Cada R$ 3,48 gastos me geram 2 pontos Esfera;
  • Estes pontos Esfera podem ser convertidos em 3,6 milhas Smiles, admitindo um bônus típico de 80% — e permaneço na torcida que seja possível conseguir bônus melhores em algum momento, como os 100% (mais upgrade para categoria Ouro no Smiles) que consegui no ano passado, mas vamos ficar com uma estimativa mais conservadora;
  • Transfiro essas 3,6 milhas Smiles para o Le Club a uma taxa de 4:1, obtendo 0,9 pontos Le Club (embora eu deixe registrado que ao longo do ano passado houve períodos em que isso caiu para 3:1, mas tenho minhas dúvidas se voltará a acontecer com a nova subida do dólar/euro);
  • Estes 0,9 pontos Le Club correspondem a 0,018 euros, que, convertidos, viram cerca de R$ 0,076.

Ao final da conta, cada R$ 3,48 gastos geraram R$ 0,076 em pontos do Le Club. Trata-se de uma taxa de cashback de 2,18%.

Façamos outra operação para obter pontos Le Club:

  • Cada R$ 3,48 gastos me geram 2 pontos Esfera;
  • Estes pontos Esfera podem ser convertidos em no mínimo 2,6 pontos Multiplus, devido ao bônus de 30% para assinantes do Clube Multiplus 10.000 (o plano é caro, mas posso assinar por apenas um mês quando acumular pontos Esfera suficientes para fazer a transferência). É possível que hajam promoções pontuais com bônus extras, mas não tenho acompanhado;
  • Transfiro esses 2,6 pontos Multiplus para o Le Club a uma taxa de 3:1, obtendo 0,87 pontos Le Club;
  • Estes 0,87 pontos Le Club correspondem a 0,0173 euros, que convertidos viram cerca de R$ 0,073.

Com esta operação, cada R$ 3,48 gastos geraram R$ 0,073 em pontos do Le Club, ou uma taxa de cashback de 2,1%, podendo melhorar se houverem bônus maiores que 30% de transferência.

Muitos aqui argumentariam que há usos melhores para os pontos do que transferir para o Le Club. Concordo, porém a questão é que o Le Club impõe um piso sobre o valor dos pontos: no mínimo tenho uma garantia de uma taxa de cashback de 2,1% a 2,18%, caso não ache nenhuma oportunidade melhor, por exemplo, para emissão de passagens.

Poder-se-ia argumentar que a conversão de pontos para o Esfera não é feita pelo dólar comercial, mas sim pela taxa razoavelmente mais alta do Santander. Sim, é verdade, mas também não conseguirei pagar hotéis Accor no exterior ao valor do euro comercial.

Na prática, em viagens internacionais, compro euros em espécie, com um câmbio geralmente um pouco melhor do que o Santander faria no cartão, e seria desta forma que pagaria os hotéis, se não usasse os meus pontos Le Club.

Através de uma série de contas, que não perderei tempo detalhando, cheguei à conclusão que o spread de câmbio é de cerca de 1,5%. Isto implica numa correção das taxas de cashback pelo mesmo valor, obtendo-se então 2,07% a 2,15%.

Aliás, a beleza dessa operação de transferência para o Le Club é que, assumindo que a taxa de câmbio do dólar para o euro se mantenha aproximadamente constante, a taxa de cashback é constante independente de variações na taxa de câmbio do dólar para o real, visto que o euro subiria junto. Ganho menos pontos no Esfera para virarem pontos Le Club, mas esses pontos Le Club se tornam mais valiosos à mesma proporção.

Fatores a serem levados em conta a favor do cartão de crédito Santander Unique (contra o Santander Reward)

Embora, em tese, piores do que a taxa efetiva de cashback máxima de 2,225% para quem tem o cartão Reward há 5 anos, é inegável que os valores estão muito próximos. E se, por um lado, é melhor receber cashback do que pontos Le Club, também há uma série de fatores a serem levados em consideração a favor de usar o cartão Unique:

  • Possibilidade de bônus de transferência maiores, passando então a favorecer incondicionalmente o acúmulo de pontos Le Club;
  • Possibilidade de usos melhores dos pontos através de emissão de passagens;
  • Relacionado ao item anterior: maior acúmulo de pontos Esfera, aumentando a possibilidade de juntar o suficiente para emitir passagens;
  • Possibilidade de ganhar upgrade de categoria no Smiles caso os pontos sejam transferidos para lá, já que a cada 10 pontos transferidos, ganha-se 1 milha qualificável no Smiles;
  • Durante as promoções de bônus em triplo, usaria o Unique de qualquer forma e deixaria o Reward de lado, gastando apenas a anuidade sem receber cashback;
  • E possivelmente o mais importante para mim: ao concentrar os gastos no cartão Unique, não terei dificuldades em atingir todo mês a meta de R$ 5.000 em gastos para isentar a anuidade do Unique, que é de R$ 31,75 (já tenho 50% de isenção por ter o pacote Select na conta corrente).

Conclusão

Especialmente levando o último ponto em conta, cheguei à conclusão que, nas condições atuais, não faz mais sentido ter o cartão Reward.

Caso conseguisse gastar o suficiente para esgotar o limite mensal de cashback do Reward (mais de R$ 11.000, dada a minha taxa de cashback atual de 2,2%) e ao mesmo tempo gastar mais pelo menos R$ 5.000 para isentar a anuidade do Unique, poderia até pensar em manter o cartão para, daqui a 3 anos, finalmente chegar aos 2,225% de taxa de cashback efetivo que equilibrariam a conta. Felizmente, a minha realidade não envolve gastos mensais de mais de R$ 16.000 no cartão, então realmente bati o martelo.

Como última tentativa, vou falar com o meu gerente e com a central do Santander para ver se não há mesmo nenhuma maneira de isentar ou pelo menos reduzir a anuidade do Reward. Se não houver, será cancelado.

Dúvidas que os leitores podem responder

Em todo caso, faço uma pergunta para a qual já imagino que a resposta seja negativa: alguém conhece alguma forma de “congelar” o cartão, basicamente algo como bloqueá-lo, impedindo seu uso, mas, ao mesmo tempo, interrompendo a cobrança de anuidade?

Pergunto isso por três motivos:

1. Já estou com o Reward há 2 anos, tendo atingido a taxa de cashback de 2,2%. Caso cancelasse o cartão hoje e solicitasse novamente, entendo que resetaria para 2% e teria que começar tudo de novo até atingir os 5 anos de relacionamento e taxa de 2,5% de cashback.

2. Ouvi relatos de dificuldades para contratar o Reward — a impressão que fica é que é um produto que o Santander deseja enterrar, embora não cancele o cartão de quem já tem. Ou seja, se cancelasse agora, é possível que nunca mais consiga recontratá-lo.

3. E afinal, por que falo em recontratar no futuro, se estou pensando em cancelá-lo? Aqui fico na especulação, mas sabemos o quanto os programas de milhagem adoram mudar as regras, então não seria impossível ver o Smiles aumentar a taxa de conversão para o Le Club para 5:1, ou o Multiplus para 4:1, ou até mais — isso se não acontecerem coisas piores, a exemplo daquele susto que todos tomamos achando que a Multiplus encerraria a parceria com o Le Club.

Vejo que mudanças na taxa de conversão se tornam ainda mais prováveis em um cenário de forte alta do dólar/euro.

A grande vantagem do Santander Reward é que o cashback não está sujeito a variação cambial.

Até argumentei anteriormente que a taxa de cashback usando o Unique e estas operações de transferência para o Le Club também não estaria sujeita a variações cambiais, porém, isto só é verdade se as taxas de conversão do Smiles/Multiplus para o Le Club se mantiverem constantes.

Considerações finais

Enfim, adoraria de alguma forma manter o cartão sem ter que pagar a anuidade (e entendendo que isto significa não poder usar o cartão — enquanto as condições não mudarem, não seria usado de toda forma).

A única estratégia que considero que poderia funcionar seria ligar para a central do Santander solicitando uma nova via, mas não desbloqueá-la — alguém sabe se a anuidade não incide enquanto o cartão está bloqueado? E se não desbloqueá-lo, ele é cancelado após um prazo?”

…………………….

Com cartões de crédito do Banco do Brasil que são múltiplos (funções de crédito e débito), é possível inibir a função crédito, com a consequente interrupção da cobrança da anuidade, mas com o uso normal do cartão para a função débito.

Porém, no caso desse cartão Santander Reward, penso que não seria possível congelar o uso, pelo fato de ser um cartão que tem somente a função “crédito”, mas só a experiência concreta de algum outro leitor com esse tipo de cartão pode nos dar uma resposta mais precisa.

Agradeço ao Swine pelo envio do guest post!

  • Emmanuel Kalispera

    A emissão de um novo plástico não suspenderá o contrato. Mesmo com ele bloqueado, as anuidades virão.

    • SwineOne

      Pois é, infelizmente foi a mesma informação que recebi do meu gerente no Santander, então esta via já está descartada.

      Liguei na central e falaram o seguinte: como meu ciclo de anuidades terminou agora (o que é verdade, completei recentemente 2 anos com o cartão), devo esperar o fechamento da próxima fatura para ligar lá e tentar negociar a anuidade. Se foi apenas uma jogada para me fazer pagar mais uma parcela da anuidade, não sei, mas em todo caso farei como instruído. Não havendo negociação, e não surgindo mais nenhuma sugestão por aqui, irei de fato cancelar o cartão. R$ 27,50 por mês não é tão pouco dinheiro assim.

  • Carlos

    Gostei desta postagem por marcar como o mercado de milhas mudou de dois anos para cá (ou como meu entendimento também mudou), apesar da cotação do dólar estar bem parecida. Na época, minha resposta à indagação do Swine havia sido:
    “Gostei das observações do SwineOne e fui fazer algumas contas; cheguei à conclusão que só o TPC com Singapore ainda vale a pena.
    Vamos pegar um gasto de 100k reais. Isto daria um retorno de 2 a 2,5k reais no cashback. Este mesmo montante, usando o TPC, geraria 58k pontos, suficiente para emitir GRU-BCN na primeira classe. O preço dessa passagem é 22k reais, mas não o valor, já que eu aceitaria pagar no máximo 4k reais por ela.
    O dobro do gasto (200k) daria 5k de retorno no cashback ou aproximadamente 120k pontos, que dá emitir um trecho em primeira classe de GRU até Austrália ou Japão, custo de 36k mas valor (para mim) de 8k.
    Na TAM, em uma ótima promoção, dá para ir e voltar para a Europa com 100k pontos na executiva ou comprar comprar esta passagem por 4k reais, com a vantagem de ganhar milhas, então, a não ser que haja um mega bônus de transferência, melhor o cashback.
    Quando houver uma desvalorização do Krisflyer, o cashback vai ser uma ótima alternativa.”
    De várias coisas ruins, não temos mais a Singapore voando para o Brasil nem o TPC transfere mais para o Krisflyer e nem aquela emissão custaria 58k pontos (estaria 76k pontos, aplicando os reajustes que a tabela sofreu). 4k reais ida e volta para a Europa na executiva estaria mais para bug hoje do que promoção.
    Contudo, hoje eu avalio o retorno do cashbak (que pelas contas do Swine, seria no máximo de 2,22%, investindo cinco anos de anuidades do cartão) baixo. Eu faria vários ajustes na precificação das milhas que fiz em http://meumilhaodemilhas.com/2017/01/23/guest-post-estudo-inedito-estabelecendo-um-modelo-de-precificacao-valuation-de-milhas-e-pontos-quanto-vale-uma-milha-aerea-quanto-vale-um-ponto-de-cartao-de-credito/. Mas pegando por baixo, o mínimo que eu colocaria como valor para as milhas acumuladas em cartão seria de 4 centavos por milha (acho que vale mais), que é um valor um pouco mais acima que se consegue comprá-las, pré-bônus, no Livelo nas melhores promoções
    Pois bem, fazendo a mesma conta da época, 100k reais gastos no cartão daria um retorno por volta de 60k pontos, que equivaleriam, pelo menos, a 2,4k reais, significando um retorno de 2,4%, melhor que do cashback. E a anuidade do cartão nem se compara à do CB pelos benefícios adicionais.
    A principal diferença hoje, passados dois anos, é a facilidade em se adquirir as milhas, fazendo com o que o uso do cartão acabe sendo apenas um complemento nas emissões de passagens com milhas. E até o SwineOne, que era categórico que viagens na executiva eram um desperdício para o perfil dele, se rendeu, ao menos, ao seu eventual uso. 🙂

    • SwineOne

      Pois é, realmente fiz uma viagem de executiva e enxerguei um certo valor nela (embora, como imagino que você e o Celso devem pontuar, o produto da TAP está longe de ser o melhor).

      Antes de continuar o raciocínio, gostaria de abrir um parêntese quanto ao que mais me impressionou nesta viagem, pois sempre saí para o exterior via São Paulo ou Rio, e desta vez saí por Recife e voltei por Fortaleza: a viagem se torna bem mais suportável com as cerca de 3 horas ganhas devido ao ponto de partida. Também ajudou que a primeira parada da viagem foi o ponto da Europa mais próximo do Brasil, que é Lisboa. Quanto a ser executiva, é inegável o conforto, porém ainda assim tive dificuldades para dormir durante a viagem — parece que sempre que entro em um carro, trem, ônibus ou avião, nunca consigo dormir um sono tranquilo por algum motivo, por mais confortável que seja a poltrona. Em todo caso, minha esposa adorou viajar na executiva (para ela a diferença de conforto parece ter sido, subjetivamente, mais significativa), e pretendo continuar tentando adquirir trechos na classe executiva para minhas próximas viagens para avaliar melhor o produto. Ao mesmo tempo, certamente darei preferência para passagens em que o trecho internacional saia do nordeste. É claro que no final, chega até a alongar um pouco o tempo de viagem, mas uma viagem de 3 horas + 7 horas é indiscutivelmente, para mim, muito menos cansativa que uma direta de 10 horas sainda de São Paulo, nem que ganhasse aí uma meia hora ou até um pouco mais que isso no trecho “direto”. O efeito parece ser exponencial, após um certo número de horas no ar, aquelas últimas horas ficam cada vez mais complicadas de aguentar.

      Retornando. O efeito desta viagem, aliado à escalada recente do dólar/euro (que escancarou para mim o quanto está ficando cada vez mais caro viajar para o exterior — imagine que minha primeira viagem foi lá em 2011, com euro na faixa de R$ 2,40) e também um aparente aumento dos preços em euro, talvez devido à recuperação da economia do crash de 2008, é que decidi tentar viajar para o exterior apenas quando tanto as passagens como as diárias de hoteis saírem “de graça” — já há alguns anos pago hoteis apenas com a minha pontuação do Le Club, exceto quando necessário para atender alguma promoção, mas pretendo estender isso às passagens também.

      Coloco “de graça” entre aspas porque acabo sim “comprando” pontos, especialmente do Le Club, mas apenas em condições bem favoráveis — por exemplo, todo ano uso 10.000 Km de Vantagens para comprar 10.000 pontos Multiplus naquele lote especial, que hoje custa R$ 139, o que equivale a quase 67 euros no Le Club, uma cotação absolutamente imbatível. Também tento aproveitar as promoções de 6.000 a 10.000 pontos bônus Le Club com 3 a 4 hospedagens que saem periodicamente, e embora isto gere um gasto, pois nem sempre tinha uma viagem em mente para fazer as reservas (mas acabo aproveitando para descansar em algum feriado ou coisa do tipo), e principalmente porque agora não é permitido pagar com os próprios pontos Le Club, uma vez que aí sim haviam situações em que dava para ganhar pontos de graça, gastando um pouco dos pontos mas ganhando mais de volta (claro que ao se considerar os gastos com o restante da viagem, não sai literalmente de graça, mas também, como disse, é bom dar uma descansadinha de vez em quando).

      Ah, e também tenho assinado clubes de milhas por períodos determinados quando vejo uma boa oportunidade, embora raramente tão boas quanto os exemplos que dei antes, e sempre acabo ancorando a análise do custo-benefício no valor da transferência para o Le Club, mas mesmo isso estou pensando em reduzir bastante e assinar apenas se surgir uma promoção muito especular, como por exemplo foi o caso do Clube Livelo 7.000 a R$ 114,95 ou do Clube Multiplus 10.000 com 50% de desconto, ambas sem carência para permanecer nos respectivos Clubes, mas imagino que promoções como esta se tornem cada vez mais raras.

      Então, como disse, agora pretendo estender isso para a emissão de passagens também, e pelo menos de início, vou tentar fazer com executiva, especialmente porque não parece haver imensa diferença entre a quantidade de milhas necessárias para em econômica e executiva, pelo menos não tanto quanto a diferença do valor em dinheiro das mesmas emissões, de forma que a emissão em executiva acaba sendo o melhor uso desses pontos (os quais suamos bastante para adquirir). Como pretendo reduzir a assinatura de qualquer tipo de clube, a minha geração de pontos se dará quase que exclusivamente pelo cartão Unique — claro que, para isso funcionar, precisa continuar havendo bônus em triplo no Santander, e minhas metas tem que continuar ao meu alcance, coisa que duvido que aconteça, mas espero que pelo menos eu consiga pegar uma faixa de bônus mais baixa que não o triplo. Nesse momento, se tivesse as milhas, aparentemente o melhor negócio seria mandar para a Iberia, mas temos que ver o que acontecerá com a prometida mudança para revenue-based. Pretendo ir estudando o programa da Iberia e também o da British para começar a identificar desde já as boas oportunidades.

      Enquanto não junto pontos suficientes, e na medida em que houver sim perspectiva de juntá-los, pretendo deixar de viajar ao exterior, e assim cortar o que não deixa de ser uma de minhas grandes fontes de gastos. Penso em aproveitar para fazer mais viagens dentro do Brasil, coisa que não faço há muito tempo. Nada me impede de emiti-las com milhas, já que para isso parecem surgir boas oportunidades com os programas brasileiros de vez em quando, e estou com um saldo no Smiles que me permitirá fazer isso (ou que irá para o Le Club caso não encontre uma boa emissão para fazer). O pagamento de hoteis pode ser feito com pontos Le Club, já que o câmbio anda bem favorável para isso, mas também penso em tentar casar estas viagens com as já mencionadas promoções de 6.000 a 10.000 pontos do Le Club — e como acabo fazendo isso com o meu cartão e o da minha esposa também, juntamos de 240 a 400 euros cada vez. Outra possibilidade, especialmente se não estiver havendo nenhuma dessas promoções do Le Club, será estudar as milhas ganhas pela reserva de hoteis através do Smiles ou Multiplus.

      Enfim, acabou não tendo muito a ver com o tópico deste post, mas já que enveredamos pela discussão do mercado de milhas e do nosso entendimento, aproveitei para colocar a minha visão atual desses tópicos. Acho que podem surgir muitas coisas interessantes de uma troca de ideias a respeito destas questões.

      • Guilherme

        Pois é, eu também abandonei uma viagem pra Europa, que iria fazer esse ano. Os custos com o euro “de fato” perto dos cinco reais desestimulam até os viajantes mais econômicos. Melhor viajar dentro do Brasil mesmo. 🙂

        • SwineOne

          O pior é que não vejo que o euro ou o dólar atualmente estejam caros. Eles estiveram muito baratos, isso sim, em alguns períodos lá atrás, como quando eu fiz a minha primeira viagem para a Europa, e também em torno de 2014, se bem me lembro. Vejo que o câmbio atual é, de certa forma, o justo levando em conta a situação econômica do Brasil, e principalmente se levarmos em conta a inflação no Brasil e no resto do mundo desde 1999, quando o câmbio flutuante foi liberado. Na verdade torço para que o câmbio não volte a cair, pois isso não ocorre de forma natural, mas sim devido a medidas econômicas equivocadas como as que ocorreram nas épocas citadas. Para o bem do Brasil, é bom que não façam estas barbeiragens novamente, mesmo que tenha esse pequeno efeito colateral benéfico de queda no câmbio. No mais, já ficaria muito feliz com o dólar comercial a cerca de R$ 3 e o euro a um pouco menos de R$ 4, que me parecem valores condizentes com a nossa realidade, se até um pouquinho baixos.

      • pauloleo

        Saindo do Nordeste você nunca vai pegar as melhores executivas, os melhores aviões sempre saem de SP e RJ.

        Com relação ao tempo de voo, quando pegar um flat bed de verdade, verá que quanto mais tempo de voo direto melhor, sem escalas e conexões.

        • SwineOne

          Para quem nunca tinha voado de executiva, já foi uma experiência interessante. É bom que tem espaço para me impressionar da próxima vez, caso voe em um produto melhor.

          Espero que tenha razão quanto a um assento melhor. Não vou criar muita esperança para não correr o risco de me decepcionar depois. Acho que tenho algum problema quanto a ficar num espaço fechado por tanto tempo, independente do conforto da poltrona.

        • Albino

          Será ? Tenho alguns amigos que viajaram esse ano na Tap e pegaram os aviões novos, saindo de Recife, pelo menos 3 vezes.
          Pelos relatos que vejo, é apenas questão de loteria pela disponibilidade lá em LIS de mandar pra cá, sem favorecimento da rota.
          De qualquer forma, até o final do ano todos os A330 da Tap estarão reformados, não importando mais de qual cidade sair.

          • pauloleo

            Eu não estava falando da TAP, especificamente.

            • Albino

              Ah ok

    • Guilherme

      Excelente, Carlos!

      Destaco esse trecho: “fazendo com o que o uso do cartão acabe sendo apenas um complemento nas emissões de passagens com milhas”. Hoje mesmo estava fazendo os cálculos, e vendo que a maior fonte dos pontos quem entram nos programas de milhagens é via compra de pontos.

      A cada dia que se passa, se torna cada vez mais irrelevante o cartão de crédito como meio para acúmulo de milhas e pontos.

      • SwineOne

        Como contraponto:

        1. Bônus em triplo no Santander tem ajudado muito — juntei em coisa de um ano, talvez até um pouquinho menos, o suficiente para pagar uma viagem de ida e volta, com um dos trechos em executiva, para duas pessoas, para a Europa;
        2. Pagamento de contas com o Mercado Pago também, com certeza não teria juntado todos esses pontos sem o uso do serviço.
        3. E claro, tudo é uma questão de estratégia. Se você quer viajar de qualquer jeito, com uma frequência definida, e constata que é mais barato com milhas, mas não consegue acumulá-las a tempo, não há outra escolha senão comprar.

        Eu resolvi reenquadrar a minha visão do problema: vou viajar quando tiver juntado pontos suficientes no cartão, e tentando evitar compras de pontos exceto em situações muito vantajosas. Ao invés de fixar a frequência da viagem e gastar o que tiver que gastar para viajar no momento determinado, vou “fixar” o acúmulo de milhas (não vou aumentar mais gastos só pra gerar mais milhas) e deixar que isso dite a frequência de viagem.

        A questão da compra de milhas nem fica como opção porque, se a Iberia/British se confirmarem como as melhores opções para uma emissão para quem tem pontos no Santander, só restará essas compras do Groupon espanhol que você coloca aqui de tempos em tempos, e tenho que fazer as contas se elas valem a pena, mas nada como o comércio escancarado que são os programas brasileiros de fidelidade e seus clubes. Estes acabarão servindo apenas, em situações pontuais, para acumular mais no Le Club.

        • Guilherme

          Concordo, Swine.

          Ainda dá pra gerar pontos nos cartões de crédito com as estratégias citadas por você. Acrescento, ainda, que, na minha experiência pessoal, tem sido bastante difícil acumular pontos derivados de compras nos cartões de crédito daí eu tenho utilizado com certa frequência os mecanismos de compras de pontos.

          Mas não nego que os bônus em triplo e os pagamentos no Mercado Pago ajudam a gerar uns pontinhos extras. 😉

      • Carlos

        Não acho que as milhas do cartão estejam irrelevantes. Nos bons tempos do dólar na casa de dois reais, minhas passagens internacionais eram pagas 33% em dinheiro, 33% com milhas do cartão e 33% com milhas compradas (American, United, Alaska, USAirways e Lifemiles).
        Hoje, o percentual do uso das milhas do cartão continua o mesmo. A diferença é que, com o aumento do dólar, tanto as passagens quanto as milhas compradas fora ficaram mais caras. Mas isto foi mais que compensado pelas vendas e bônus de milhas aplicados no mercado nacional. Eu consigo fazer emissões hoje por valores até mais atrativos que da época de dólar barato.
        A principal mudança foi que não compro passagens há um bom tempo e 66% das emissões são feitas com milhas compradas no mercado nacional, principalmente Livelo.
        O cartão, então, continua com status parecido do passado, foram os outros tipos de emissões que mudaram para mim.

        • Guilherme

          Oi Carlos!

          Eu também acho que não são irrelevantes, nisso eu concordo plenamente! 🙂

          O que eu acho é que está havendo um decréscimo gradativo da importância delas. 😉

          Isso da minha perspectiva pessoal, pois, analisando ela, verifiquei que 100% dos pontos que entraram na minha conta no Multiplus, Tudo Azul e Amigo Avianca foram todos provenientes de compras de pontos, já que pra mim tem sido cada vez mais difícil gerar pontos por meio de compras no cartão de crédito. 🙂

  • pauloleo

    Dois detalhes que eu acho que merecem ser destacados:

    1) para quem não se hospeda com a Accor, esse cashback não serve, seria absolutamente melhor o cashback em dinheiro “real” do Reward.

    2) o Santander Esfera praticamente acabou com os bônus de transferências. Basta ver nas últimas promoções que excluem taxativamente o Santander, como a própria promo de 80% do Smiles citada no texto. O que me parece é que cada vez mais eles priorizam as promos internas de metas e bônus mas não fazem mais parcerias para bônus de transferências.

    Eu não gosto muito do sistema cashback do Reward mas também não tenho gostado muito do Esfera não, acho que tem programas melhores por aí, como é o caso da Livelo.

    • SwineOne

      1) Sim, a Accor acaba sendo mais algo que uso para precificar as milhas, estabelecendo um piso para o seu valor que me permite avaliar se uma dada transação envolvendo milhas é vantajosa ou não.

      Inclusive, isso está tão arraigado na minha forma de lidar com as milhas que, no aplicativo de controle financeiro onde registro todas as minhas transações, tenho registrado todos os programas de fidelidade que participo, mas não numa unidade abstrata de pontos e milhas, e sim em euros, ancorados na taxa de conversão para o Le Club. Então, por exemplo, precifico a própria o Le Club (é claro) em 0.02 euro por ponto, pois como sabido, 2.000 pontos valem 40 euros. Mas também precifico o Smiles em 0.005 euro, pois transfiro de lá para a Accor com taxa de conversão 4:1; o Multiplus em 0.0067 euro, devido à taxa de conversão de 3:1; a Livelo em 0.008 euro, pela taxa de conversão 2.5:1. Com isso fica fácil saber, de uma maneira bastante objetiva, se uma dada transação envolvendo milhas ou não vai sair no lucro ou no prejuízo, e até qual é a “margem de segurança” da operação, lembrando Benjamin Graham.

      Agora, como coloco no próprio texto, provavelmente o Le Club não é a melhor forma de gastar os pontos. Em outras palavras, devem existir emissões, especialmente na executiva, que valorizam mais seus pontos. Isso acaba sendo um grande argumento para enterrar de vez o cashback, pois se com o Le Club ele já empata, então com um uso mais vantajoso dos pontos, não há nem o que falar.

      Claro que tudo deve ser colocado em perspectiva. Digamos que você emite uma certa passagem ida e volta em executiva por 200.000 pontos, mas essa mesma passagem custaria, digamos, R$ 10 mil. Aí você pode dizer que fez um excelente negócio, teve um cashback de 5%, que no Le Club seria só de 2,1%… Nesse ponto vejo que entra o que o Carlos chamou a atenção no post dele, relembrando comentários de 2 anos atrás, e que eu lembro que surgiram em resposta a um comentário meu: você realmente pagaria R$ 10 mil numa passagem de executiva? Eu JAMAIS faria isso. Acho que mesmo R$ 4 mil eu não pagaria, ou se pagasse, seria com imensa dor no coração. Pode ser um produto melhor que a econômica, mas a minha realidade financeira não me permite pagar R$ 10 mil numa passagem, nem que eu fosse carregado num colchão de plumas por virgens voando em velocidade supersônica acima das nuvens. Então, não me engano: o parâmetro de comparação correta seria de 200.000 pontos com R$ 4 mil ou até menos, e de repente esta emissão se mostra como, quando muito, equivalente a mandar a pontuação para o Le Club.

      2) O Santander tem passado 8 meses por ano com promoção de bônus em triplo, e pelo menos eu consegui atingir as metas em todas que eu participei, e em todos os meses. Quanto a bônus de transferência: segundo o Carlos, no post anterior, eles foram excluídos de 14 das últimas 17 do Smiles, portanto houveram 3 que participou, e no final das contas, o que importa é não ser excluído de UMA — é só aproveitar aquela. Além disso, no Multiplus você já garante 30% de bônus se você assinar o Clube Multiplus 10.000, e basta assinar uma vez por ano, ou a cada dois anos, transferir toda a pontuação daquela vez, e imediatamente cancelar o Clube após o recebimento dos bônus.

      Mas, por hipótese, digamos que não houvesse mesmo bônus de transferência. Minha resposta é “e daí?” Já estou juntando 6 pontos por dólar durante as promoções de bônus em triplo. Se tivesse cartão de outro banco, juntando 2,2 pontos por dólar, e transferisse para o Smiles numa promoção de 100% bônus, só estaria ganhando 4,4 pontos por dólar, bem menos que os 6 pontos por dólar do Santander. No Multiplus, que nunca dá esse bônus todo, e que você já tem os 30% do Clube Multiplus, a vantagem do Santander é ainda mais clara. Obviamente, tudo isso depende de uma continuidade das promoções de bônus em triplo, e da sua capacidade de bater as metas.

      Além disso, o Livelo é horrível para transferir para programas internacionais, com um deságio que praticamente pode ser classificado como criminoso. Infelizmente, do Santander só sobrou mesmo o Iberia Plus, mas parece ser um bom programa (especialmente com a possibilidade de transferência para o Executive Club), e principalmente, não tem deságio nenhum, a taxa é 1:1. Inclusive houve pelo menos uma promoção, há alguns meses atrás, de 20% de bônus na transferência do Esfera.

      Outro ponto a favor do Santander, pelo menos a meu ver, é que as regras de isenção de anuidade são muito claras. Não precisa ficar sujeito ao humor do atendente do outro lado da linha, ou a um endurecimento do banco na concessão dessas anuidades. Gastou R$ 5.000 por mês no cartão, tá isento e ponto final. Não tenho experiência com a isenção de anuidades em outros bancos (antes tinha HSBC Premier que era automaticamente isento), então posso estar superestimando a dificuldade de isentar, mas por outro lado é indiscutível que no Santander a regra é límpida e clara.

      Até gostaria de ter um cartão, e poderia ser Bradesco ou BB para mandar para a Livelo, para uso fora dos períodos de promoção do Santander, torcendo para que isso evite que as metas venham excessivamente altas em períodos de promoção de bônus em triplo. Infelizmente, imagino que isso acabaria só me gerando um gasto a mais com a anuidade destes cartões, então vou ficar só com o Santander. No final das contas, uso pontos para gastar menos em viagens (seja em passagens ou hoteis), e qualquer gasto que eu tenha, como anuidades dos cartões, vai de encontro a este objetivo. Foi este o motivo que me fez ter a reflexão deste post e decidir por cancelar o cartão Reward, unicamente para eliminar os R$ 27,50 mensais de anuidade, senão manteria. Sem contar que da Livelo, para mandar para a Iberia, teria o já mencionado deságio, desvalorizando mais ainda estes pontos, para além do gasto extra com as anuidades.

  • Adriano Carvalho

    Swine, não sei se no Santander funciona da mesma forma que o banco do Brasil, mas no BB você pode pedir a inibição da função de credito do seu cartão que é diferente do cancelamento, eles mantem o cartão mas sem te cobrar a anuidade e caso você volte a ativa-lo eles começão a cobrar novamente.

    • SwineOne

      Boa dica, vou tentar ver se é possível. Vale notar que o meu cartão não é múltiplo, então não sei se isso faria sentido com ele, mas não custa tentar.

      • Adriano Carvalho

        Tenho dois cartões nessa situação, um deles é múltiplo o outro não, então acho que pode dar certo!

  • Jairo

    Então eu posso responder essa questão. Na verdade essa possibilidade mensionada não existe, pois você solicitar uma segunda via e não desbloquea-lo de nada adiantaria pois o que realmente conta seria o teu contrato e no caso ele ja estaria ativo independente de você desbloquear ou não a segunda via as cobranças não parariam, uma vez que o teu contrato estaria ativo. Espero ter ajudado.

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