Quem diria: American Express matando Membership Rewards *também* nos Estados Unidos

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Pelo visto a política de extinção definitiva do Membership Rewards (MR) não é um fenômeno exclusivamente tupiniquim.

Notícia publicada hoje no Frugal Travel Guy dá conta de que existe uma tendência forte de o MR também vir a enfraquecer, quem diria, no coração da América: os EUA.

Segundo Joe Cortez, 3 fatos dão sustentação a essa tese:

  • O MR vem perdendo vários parceiros importantes para transferência de pontos nos EUA;
  • Os lançamentos de novos cartões Amex por lá têm privilegiado parcerias com programas específicos, tais como Hilton e Delta, com transferência automática para esses programas. Ou seja, nenhum novo cartão está vindo com o Membership Rewards;
  • O MR teria também as piores precificações para resgates de pontos, dentre seus pares e (fortes) concorrentes nos EUA, como o Chase Ultimate Rewards (que seria o equivalente, no Brasil, guardadas as devidas proporções, ao Livelo ou Santander Esfera, seria isso mesmo, Carlos? …..rsrs)

A própria autora do blog não só dá alternativas ao MR (dirigidas especificamente ao público americano, claro), mas também comenta que ela própria fez um downgrade de seu Amex: saiu do The Platinum Card e foi pra um Gold – provavelmente devido, dentre outros motivos, ao péssimo valor da anuidade, 450 dólares inegociáveis.

Panorama americano

O Carlos trouxe alguns dados interessantes sobre o Amex, num post em que se abordava a notícia do cartão Aethernum do Bradesco:

Vi a notícia no OMAAT que a Amex vai reduzir a taxa cobrada dos comerciantes, que normalmente é maior que de Visa e Mastercard. Isto talvez tenha a ver com a decisão da Suprema Corte (fonte: TPG), proibindo cláusulas nos contratos da Amex onde o comerciante não pode sugerir que o pagamento seja feito com Visa ou MC, para escapar das taxas mais elevadas.

De qualquer forma, também tinha um link com apresentação da Amex para investidores (link aqui). Algumas curiosidades da longa apresentação:

.12: é um cartão predominantemente americano, com 65% de seus consumidores dos EUA.
.23: de todas as regiões do mundo, a América Latina é a que tem a menor previsão de crescimento no mercado até 2021. Deixar o Bradesco controlando a operação brasileira pode estar relacionado.
.114: dos mercados mais importantes, não aparece o Brasil.
.123: no Japão, UK e África do Sul as operações são também geridas por bancos como o Bradesco. Será que lá também mataram o membership rewards e estão definhando a marca?

Conclusão

Uma pena a Amex estar matando, paulatinamente, e em nível global, aquele que era considerado o melhor cartão de crédito do mercado, em termos de benefícios de viagens.

Não dá pra entender como uma empresa que tem uma marca extremamente forte como essa deixa as coisas degringolarem a esse nível.

Pelo visto o Membership Rewards não será apenas extinto aqui no Brasil: nos EUA, ele também parece caminhar para o ostracismo.

  • PauloHCM

    Parece que querem se tornar um Visa/Mastercard, apenas um intermediador

    • Guilherme

      Verdade.

  • Carlos

    Eu achei o artigo muito forçado. Pode até ser que a autora (só dá para saber isto pelo Guilherme, a foto e o nome Joe me indicariam o contrário) tenha esta percepção e que talvez seja o caso, mas os argumentos não são muito bons. O perfil dizendo que a autora já usou pontos para viajar por EUA, Canadá e Europa também não me dá muita credibilidade, nunca usou pontos para ir para Ásia, Oceania e África? É o mesmo que eu dizer que já usei pontos para viajar pelo Brasil, América do Sul e do Norte, é um uso bastante limitado das possibilidades proporcionadas pelas milhas. Mas vamos aos argumentos:
    . Citar que o programa perdeu dois parceiros americanos em 2010 (!), sendo que um deixou de existir. E o mercado americano está cada vez mais concentrado por causa das fusões, então não teria como a Amex expandir isto, já que as outras empresas tem exclusividade com Citi (American), Visa (Alaska e United) e Chase (Southwest). São 17 parceiros aéreos, contra 15 do Citi Thank You e 9 do Chase Ultimate Rewards.
    . Os novos cartões lançados são co-branded, não pontuando no MR, mas são cartões fantásticos, como os novos Hilton com 100k de bônus e status Diamond, e os da Delta com até 70k de bônus (fora os SPG, que também são ótimos). Isto porque a Amex continua com um largo portifólio de cartões normais, como os nossos (Bradesco, ugh!) TPC, Gold e Green, além dos Blue, Everyday e categorias Business. O que aconteceu, na verdade, foi um aumento da concorrência no mercado, com o fortalecimento dos concorrentes Chase (Sapphire Reserve e Preferred) e Citi (Prestige e Thank You Premier) no mercado dos cartões puros. E a Amex sofreu um baque com a perda, para o Visa, da exclusividade nos cartões de crédito usados no Costco.
    . A parte de portais e pontos não sou capaz de opinar (tipo Glória Pires), mas é possível receber de volta 35% dos pontos gastos na emissão direta de passagens com combinação com cartões business.
    Enfim, pode até ser verdade, mas era preciso elencar melhores justificativas.

    • Lee

      Bem argumentado Carlos. Parabéns pelos ótimos posts e o “tipo Glória Pires” foi ótimo. Lembrei até do que estão falando do Bradesco depois da extinção do MR: we’ll never forget.

      • Guilherme

        Concordo com o Lee, ótimos argumentos, Carlos! Esse “tipo Glória Pires” foi hilário!

  • Bernardo Paldês

    Para entenderem como funciona aqui no Japão.
    A regra é que não é fácil conseguir um cartão sem histórico de crédito (como nos EUA).
    Suas melhores chances são o banco onde tem conta ou outros cartões que dão cashback ou pontos mas sem parcerias com cias aereas. Por tentativa apliquei para um Amex online e consegui (Gold) onde um dos benefícios são 30.000 pontos depois de cumprir alguns gastos, além de priority pass e o membership awards.
    A transferência para os parceiros aéreos é fácil mas na maioria acontece numa taxa de 2:1 ou para ficar mais fácil a cada U$2 você tem 01 ponto num parcerio.
    Finalmente, para informação a anuidade custa U$290.

    • Guilherme

      Ótimas informações, Bernardo! Bom saber como o Amex funciona no Japão.

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