[Guest post] Estatísticas dos cartões de crédito: dados e curiosidades

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Há alguns dias, o leitor Ederson Luiz postou um link interessante com dados gerais do Banco Central sobre cartões de crédito.

O nosso expert Carlos encontrou alguns dados bem legais, e ia postá-los direto no DisqUs, mas a formatação das tabelas foi para o espaço.

Portanto, graças ao DisqUS, ou melhor, à inabilidade do DisqUS em formatar adequadamente as tabelas, nós, leitores, é quem saímos ganhamos, com mais um guest post, ou melhor, um guest post top de linha, o que, em se tratando de Carlos, soa até como uma verdadeira redundância. 😉

Em relação aos dados estatísticos obtidos, como bem disse o Carlos, não há nada de assombroso, “mas funciona para responder algumas curiosidades deste mercado”. Bora lá!? 😀

…………………………………………

  • Quantidade de Cartões de Crédito Ativos por Arranjo de Pagamento

Ano Trimestre Visa MasterCard Hipercard Amex Elo Diners Band. Própria Outros
2008 I 34.837.025 28.185.169 3.727.499 1.353.205 232.727 135.859 103.584
2016 IV 35.166.457 39.571.400 4.265.895 946.696 2.674.384 195.540 182.129 527.009

Primeira inferência: Visa era a bandeira dominante e foi ultrapassada pela Mastercard. Amex e Diners viram um declínio na sua quantidade de cartões e Elo é uma bandeira já com quase o triplo de cartões da Amex.

  • Quantidade de Cartões de Crédito Ativos por Categoria de Produto

Ano Trimestre Corporativo Premium Intermediário Básico Outros
2008 I 1.105.693 2.151.970 6.430.233 58.646.375 240.797
2016 IV 4.340.359 9.297.223 13.393.801 55.628.871 869.256

  • Transações com Cartões de Crédito por Categoria de Produto

Valor das Transações
Ano Trimestre Corporativo Premium Intermediário Básico Outros
2016 IV 11.626.228.256 55.316.763.121 39.427.507.204 77.438.029.428 849.748.737

Segunda inferência: o segmento de cartões de crédito premium possui 16% da quantidade de cartões básicos, mas movimenta 71% do valor total do segmento básico. Média de R$ 5.950 de transações por cartão premium contra R$ 1.392 dos cartões básicos e R$ 2.943 dos cartões intermediários.

Houve um declínio na quantidade de cartões básicos, o segmento intermediário dobrou, e o premium, quadriplicou.

  • Quantidade de Transações com Cartões de Crédito por Arranjo de Pagamento

Transações Domésticas
Ano Trimestre Visa MasterCard Hipercard American Express Elo Diners Club Outros
2016 IV 702.602.228 728.397.651 58.233.759 39.177.496 32.641.123 4.036.077 4.852.760
Transações no Exterior
Ano Trimestre Visa MasterCard American Express Diners Club Elo Outras
2016 IV 11.807.616 10.308.655 1.931.693 49.562 7.754 3

Terceira inferência: Mastercard possui mais cartões e tem volume maior de transações domésticas. Amex, mesmo tendo quase um terço dos cartões Elo, o ultrapassa neste quesito. Nas transações internacionais, Visa ultrapassa Mastercard mesmo possuindo menos cartões. Amex, mesmo possuindo uma quantidade de cartões em torno de 2,5% das quantidades de Visa e Mastercard, movimenta em torno de 20% de suas quantidades de transações internacionais.

Gastos com Programas de Recompensas pelos Emissores de Cartões em 2016
2016/1 2016/2 2016/3 2016/4
Estoque de Pontos no final do trimestre (Milhões) 244.318 238.007 178.804 184.880
Pontos Adquiridos no trimestre (Milhões) 39.280 41.782 47.505 51.157
Pontos Convertidos no trimestre (Milhões) 31.126 31.920 76.935 34.569
Pontos Expirados no trimestre (Milhões) 11.920 14.168 12.360 12.005
Receita com Tarifas dos Portadores (R$ Milhões) 2.214 2.242 2.339 2.402
Gastos com Recompensas (R$ Milhões) 834 744 974 1.108

Quarta inferência: a cada ponto adquirido nos cartões de crédito, expiram outros 25-30%. De cada real arrecadado dos portadores, 30% é gasto com suas recompensas.

O estoque total de pontos veio crescendo desde o primeiro semestre de 2010 e atingiu seu ápice no quarto trimestre de 2014. Desde então, está numa curva descendente e atingiu valores encontrados só em 2010. Qual será a causa? Crise? Max Milhas? 🙂 Surgimento do MMdM? 😛

A curva de pontos adquiridos parece seguir a dos acumulados e a dos convertidos permanece estável desde 2013, então a crise econômica pode ser uma explicação. Menos pontos acumulados e pontos gastos regularmente diminuem o estoque.

E em 2016 a quantidade de pontos adquiridos está em ascensão, o que pode significar uma retomada do consumo (fazer análise econômica baseada em milhas, só com os loucos do MMdM 😛 ).

E no terceiro trimestre de 2016 tivemos o recorde disparado de conversão de pontos, que mega promoção/bônus foi essa que não me lembro? 😛

Palavras finais

Finalmente, uma estatística que deve estar errada, mas vou fazer:

. Quantidade de pontos convertidos (transferidos) é o somatório da quantidade de pontos transferidos para os Programas de fidelidade/Recompensa de terceiros no decorrer do trimestre de referência.

.  Gasto efetivo do emissor com programas de recompensa é o valor total gasto no trimestre, referentes aos repasses para pagamento pela aquisição de bens ou utilização de serviços pelos portadores de cartões de crédito, no âmbito dos programas de fidelidade/recompensa de terceiros.

Dividindo um pelo outro, costuma dar entre 02 a 03 centavos, o que equivaleria o lote de 10k pontos entre 200 e 300 reais. Seria este o valor que os cartões de crédito pagam aos programas de milhagem?

Deve ter aí no meio custos como Priority Pass ou outras benesses, mas não deve ser significativo.

Achei muito alto o valor dos pontos, mas vai ver que é por isso que temos promoções semanais dos programas de milhagem para gastarmos nossos saldos dos cartões”.

……………………….

Quer aprender mais? Então leia os demais guest posts do Carlos:

Meus cumprimentos ao Carlos por mais esse análise inovadora, já que se trata do primeiro estudo publicado da evolução da economia brasileira sob a perspectiva das milhas e pontos!

Tagged as:
  • Marcos

    Mais um excelente post! Apenas uma pequena opinião sobre o texto: Quando se diz que os cartões tiveram o pico do acúmulo de pontos em 2014, após crescente realizada desde 2010 e declínio após 2014, isso tem muita relação com o início e fim dos atrativos para uso do sistema pague contas em cartão de crédito… Foi uma fonte que começou a secar justamente nesse ano, com as seguidas dificuldades impostas pelos bancos no uso desse serviço x acúmulo de milhas com baixo custo.

    • SwineOne

      Pouco provável, na minha opinião. 99% da população nunca ouviu falar em pague contas. A crise é uma explicação muito mais simples.

      • AAraujo

        Dólar + Crise…

        • SwineOne

          Sem dúvida, um fator tão importante quanto, ou ainda mais importante, foi a subida abrupta do dólar, visto que a geração de pontos (ao menos em cartões de crédito) é um multiplicador do valor das compras em dólar. Muito bem lembrado.

  • Vanderley

    Essa parceria Carlos e MMdM decolou de vez, tá aqui meus parabéns pelo ótimo post👌!👏👏👏👏

    • Guilherme

      Valeu, Vandy!

      • Vanderley

        É nois Guiga 😁😁

        • Guilherme

          Tamojunto parça!!!!!

  • Bruno80

    Carlos, o terceiro trimestre de 2016 pode ter sido contabilizado às transferências do estoque total de BB e Bradesco para o livelo, e do livelo para outros programas, aí pode ter havido uma distorção dos quantitativos, e isso deve continuar nessas estatísticas, o ponto BB ao sair para o livro conta1 e esse mesmo ponto ao sair do livelo pra múltiplus contar de novo, ou seja, pode ser possível o Ponto contabilizar na estatística duas vezes

    • Carlos

      Pelo volume, pode ser isso mesmo. Embora o Livelo tenha sido criado no 2o. trimestre de 2016, não sei se haveria defasagem na informação.
      Mas não acho que as movimentações do Livelo dupliquem as conversões, deve contabilizar somente a primeira transferência de BB e BRA para o Livelo. A partir daí, é uma operação não monitorada pelo Banco Central, assim como Multiplus e Smiles. Embora estes programas sejam verdadeiros bancos dentro de um sistema financeiro com moeda própria.

      • Daniel Lacerda

        E para ajudar no final do terceiro trimestre teve liberação de promoção do Santander (liberou pontos bônus acumulados em 4 meses de promoção), pode ter ajudado um pouco na conta também.

  • Carlos

    Aproveitei para dar uma olhada nas apresentações dos balanços financeiros de Smiles e Multiplus (segundo trimestre de 2017). Os do Multiplus vão ser especialmente interessantes para serem comparados com os dados daqui a seis meses e verificar os efeitos do novo Clube Multiplus.
    • Smiles:
    . 12,5 milhões de participantes
    . 20,4 bilhões de milhas acumuladas, sendo 1,7bi com GOL, 15,7 com bancos, varejo e serviços e 3,1bi com Smiles&Money (que é ao mesmo tempo um acúmulo e resgate de milhas).
    . 16,4 bilhões de milhas resgatadas, sendo 15bi em parceiros aéreos e 1,4bi em não-aéreos.
    . Taxa de breakage (pontos expirados) de 17,8%.
    . Taxa de burn/earn (resgates/acúmulo) de 76,5%.
    Como não entende nada de contabilidade, só não consegui entender o seguinte aspecto: diferença entre receita de resgates e custo com compra de passagens. Quando é feito um resgate, a baixa dos pontos conta como receita e o valor efetivamente pago à companhia aérea é custo? Ou receita de resgates é a nomenclatura para as milhas vendidas para GOL e bancos?
    . Receita de resgates de 411 milhões de reais, 62 milhões de reais de breakage (como lucram com a expiração de milhas!) e despesa com compra de passagens de 200 milhões de reais.
    • Multiplus:
    . 17,9 milhões de participantes.
    . 23,2 bilhões de pontos emitidos (mesma coisa que milhas acumuladas), sendo 3,7bi com Latam e 19,4bi com bancos, varejo e serviços.
    . 19,3 bilhões de pontos resgatados, sendo 15,9bi em passagens aéreas e 3,4bi em outros produtos.
    . Taxa de breakage de 16,7%.
    . Taxa de burn/earn de 83,5%.
    É interessante que o Multiplus, ao contrário do Smiles, mostra a separação mais detalhada do resgate dos pontos.
    . 15,4% resgatados em produtos, 5% em passagens OneWorld, 34% em passagens Latam internacionais e 46% em passagens Latam domésticas.
    . Receita com venda de pontos para Latam de 43 milhões de reais, para bancos e varejo (qual será o percentual para o Km de Vantagens?) de 510 milhões e de breakage, 97 milhões (novamente, como lucram com a expiração de milhas) e custo de resgate dos pontos com passagens aéreas de 330 milhões e com produtos, 63 milhões.

    Além dos dados de breakage, o que achei mais relevante foi a informação do Multiplus sobre como os pontos são gastos. Somente 5% com Qatar, British, American , JAL… e 34% com passagens internacionais. Mas quem aderiu ao novo Clube Multiplus, com certeza deve ter um perfil muito diferente do participante comum.
    Se fosse possível verificar qual seria o percentual de resgates de passagens em executiva ou primeira classe, provavelmente seria ínfimo. Por que então é tão difícil resgatar passagens nas classes superiores da Latam e parceiras? O percentual de lugares disponíveis nestas classes também é bem pequeno e o provável aumento da emissão de pontos só vai dificultar encontrar estas vagas.

    • Guilherme

      Verdade!

    • Guilherme

      Curioso haver mais milhas acumuladas no multiplus (23,2 bi) que no smiles (20,4 bi), ja que o Smiles faz promoção quase toda semana de acumulo/transferencia/bonus

      • Carlos

        Acho que não, o Multiplus é maior em termos de usuários, acumula muito mais milhas de voos (provavelmente devido à Oneworld e à malha internacional da Latam) e ainda recebe mais pontos, o que é lógico por oferecer bem mais opções de resgates e com custo, normalmente, menor que do Smiles, e ter também o Km de Vantagens (mas não sei até que ponto é significativo). Apesar das promoções semanais do Smiles, imagino que a quantidade de usuários que só transfiram pontos quando tem bônus não seja muito grande. Fiquei espantado quando um colega de trabalho disse que tinha muito mais milhas do que conseguia gastar e vendia elas, mas fazia as transferências do cartão 1:1, sem nem cogitar a existência dos bônus para aumentar seu retorno financeiro.

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