Explorando as falhas do LATAM Fidelidade #1: Brasil para o Oriente Médio por 45 mil pontos por trecho em classe econômica

1 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 1 1 Flares ×

Embora os programas de milhagens aéreas estejam ficando cada vez piores, exigindo, por um lado, quantidades de milhas cada vez maiores para resgates de prêmios, e, por outro lado, recompensando com cada vez menos milhas os voos pagos em dinheiro, é possível, ainda, extrair valor de tais programas, explorando as poucas falhas, ou brechas, existentes.

Nessa série “Explorando as falhas dos programas de milhagens aéreas” irei apresentar os resultados de pesquisas e estudos que tenho feito com os principais programas de milhagens aéreas à disposição dos viajantes brasileiros, demonstrando que ainda é possível extrair o máximo de valor das suas milhas na hora de utilizá-las para resgatar bilhetes-prêmio em determinadas rotas e itinerários.

O post de hoje trata de uma brecha no LATAM Fidelidade.

Considero a existência de uma tabela de resgates um dos poucos pontos positivos do LATAM Fidelidade em relação ao seu principal concorrente direto no mercado brasileiro, o Smiles.

Embora a própria LATAM não respeite lá muito essa tabela, já que os valores indicados na tabela constituem mais propriamente “um piso” do que uma norma cogente de observância obrigatória, pelo menos a tabela representa um marco de referência a partir do qual os clientes podem calcular a quantidade mais ou menos requerida para suas viagens.

Talvez a existência dessa tabela seja mais uma exigência para entrar na One World do que qualquer outra coisa, talvez não: o que importa é que, pelo menos, temos onde buscar uma ideia de quantos pontos a LATAM poderá cobrar para emitir prêmios do ponto A para o ponto B. É por isso que eu abomino programas que não tenham tabelas de resgates, como os brasileiros Smiles e Tudo Azul: porque a inexistência de tabelas de resgates representam um verdadeiro “cheque em branco” para que a cia. aérea estipule os valores que bem entender, sem atentar para valores mínimos ou máximos previamente fixados.

Pois bem, estabelecidas essas premissas iniciais, verifico que, de modo geral, a tabela de resgates do LATAM Fidelidade em geral é péssima, exigindo uma quantidade astronômica de pontos em determinados itinerários, quando comparado aos seus pares no mercado.

Porém, é possível ainda encontrar emissões de prêmios a preços razoáveis, e até mais baratos que nos encontrados pela concorrência.

No artigo de hoje, irei explorar uma dessas brechas: trechos da América do Sul para o Oriente Médio por 45.000 pontos a perna, em classe econômica. Confiram:

Tabela LATAM

Aliás, deixo registrado aqui minha crítica à página da LATAM quando mostra tais tabelas de resgates. As imagens das tabelas estão em letras miúdas: você precisa dar zoom na página para conseguir decifrar as regiões.

Não sei se a LATAM fez isso de propósito (espero que não!), mas fica aqui a dica pra LATAM melhorar o tamanho dessas tabelas, de modo a ficarem legíveis para todos, e não apenas para quem tem super visões. 😉

O valor de 45 mil pontos, em termos absolutos, é menor do que a quantidade exigida por alguns de seus principais concorrentes.

Por exemplo, o AAdvantage cobra 60 mil milhas por trecho e por pessoa, em classe econômica, nos voos da região América do Sul 2 (onde se encontra o Brasil) e o Oriente Médio.

Já a British Airways Executive Club (BAEC) cobra 50.000 Avios por trecho e por pessoa, nos voos diretos (exceção honrosa para os voos na própria British em datas off-peak, onde o valor cobrado é de 32.500 Avios).

Contudo, a diferença principal entre o BAEC e o LATAM Fidelidade, e que pesa muito em favor do LATAM, é a facilidade muito maior de acúmulo de pontos no LATAM Fidelidade, via Multiplus Fidelidade, inclusive por meio da compra de pontos pelos famigerados “Clubes”.

Outro ponto positivo do LATAM Fidelidade é que há uma disponibilidade boa para voar por esses valores. Embora, nas minhas pesquisas, boa parte dos assentos disponíveis sejam para voos com conexão na Europa, há opções disponíveis para voos diretos entre o Brasil e o Oriente Médio, operados via Qatar Airways, naquele famigerado horário no meio da madrugada:

MF Oriente Médio 45k

Conclusão

Existe um grande risco na divulgação de determinadas brechas nos programas de fidelidade: o risco de os valores serem aumentados consideravelmente, ou o risco de as disponibilidades diminuírem drasticamente.

No entanto, no caso específico que estamos tratando nesse post, eu penso que não há muitos motivos para temer uma mudança negativa: os valores estão mais ou menos em linha que os cobrados pelos programas concorrentes, e a demanda por esse tipo de voo certamente não é tanta quanto a existente nos voos para Europa e EUA.

De qualquer forma, não deixa de ser interessante que a tabela da LATAM Fidelidade, tão ruim em termos gerais, tenha algumas pérolas que possam ser exploradas pelos consumidores interessados em maximizar o valor de suas suadas milhas aéreas. 😉

 

11 Comments

  1. Albino 19/09/2016 at 13:02 #

    Não chama de falhas não, Guilherme. São oportunidades ! 😉

    África do Sul é uma que acaba em menos de 30 dias. Vai sair de um resgate muito bom pra um muito péssimo, lamentavelmente.

    • CRISTIANO ANDRADE 19/09/2016 at 14:14 #

      Como os gringos chamam: sweet spots

    • Cicero 19/09/2016 at 16:05 #

      Albino,

      O resgate para Africa do Sul acaba quando mesmo?

      Vlw

  2. Carlos 19/09/2016 at 17:06 #

    Boa observação do Albino, se a empresa cobra menos do que as outras é falha, então se aumentar os preços vai ser justo para corrigir as falhas? Você foi cooptado pelo Multiplus? 🙂
    Não há falhas em tabelas (só se for preços altos), há emissões vantajosas. É melhor até frisar o contrário, um trecho razoável da péssima tabela do [Multiplus, Smiles, Amigo, AAdvantage…] é tal. Também não há bugs em sites, mas super promoções que podem terminar a qualquer momento. 😉

    • Guilherme 19/09/2016 at 17:47 #

      Ótimas observações, Albino, Cristiano e Carlos! 🙂

      Vou mudar o nome da série para “explorando as oportunidades” ou “explorando as sweetspots”! 😀

      • Dorgival 21/09/2016 at 14:08 #

        Também concordo que sejam oportunidades. E se assim não fosse ninguém transferiria/compraria/voaria para acumular pontos. A gente prioriza determinado programa porque nos atende melhor.

        • Guilherme 21/09/2016 at 14:30 #

          Verdade, Dorgi!

      • Albino 28/09/2016 at 07:34 #

        Guilherme, o post #2 tem que ser sobre África do Sul. Faltam apenas 12 dias pra tabela aumentar…

        Econômica de 25.000 para 40.000 pontos

        Business de 65.000 para 210.000 pontos (ridículo)

        Primeira Classe de 95.000 para 250.000 pontos

        • Guilherme 28/09/2016 at 10:44 #

          Valeu, Albino, vou publicar!

Leave a Reply

1 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 1 1 Flares ×