Olimpíadas Rio 2016: a experiência da viagem, sobretudo sob a perspectiva dos custos financeiros, milhas e pontos!

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Uma das mais belas funções de uma viagem é a criação de memórias. Pensando nisso, e considerando que eu gosto de acompanhar os Jogos Olímpicos desde criança, resolvi realizar um sonho que vinha tendo desde criança, que era justamente a de acompanhar presencialmente as Olimpíadas Rio 2016, como eu comentei lá no Valores Reais.

Eu acho a combinação Viagens + Esportes um dos combos mais fantásticos que alguém pode realizar. É claro que outros pacotes são muito bem-vindos e são igualmente especiais, como as combinações Viagens + Cultura (ir para São Paulo assistir a um show do Coldplay, por exemplo), ou Viagens + Cidade (ir para Nova York ou Paris para conhecer as respectivas cidades), mas, para quem gosta de assistir competições esportivas, presenciar os Jogos Olímpicos é uma coisa que, parafraseando a Mastercard, “não tem preço”.

Ou melhor, tem. E ainda (quase) tudo tem que ser pago com Visa. 😆

Vou relatar abaixo minhas impressões sobre essa incrível jornada na Rio 2016.

Transporte público: deu conta do recado.

Por incrível que pareça, o transporte público funcionou a contento e atendeu a 100% das minhas necessidades. Ou seja, me desloquei aos locais das competições utilizando exclusivamente o transporte público, metrô, ônibus (BRT) e trem (SuperVia), através do cartão RioCard. O Uber só foi necessário nos deslocamentos envolvendo aeroporto.

RioCard 2016

É claro que um ponto não tão positivo assim era a distância entre os locais de competição. De Copacabana (vôlei de praia) para a Barra (local do Parque Olímpico), e vice-versa, eu gastava, em média, 1h30min (trajeto que ultrapassa 40km). De Copacabana para o Maracanã e Estádio Olímpico (Atletismo), e vice-versa (em torno de 12km) o trajeto durava em torno de 1h a 1h15min. Deodoro eu nem fui, já ciente da distância enorme até chegar lá.

Porém, a bem da verdade, não houve interrupções ou suspensão do serviço durante os dias e horários que eu utilizei os serviços de transporte público. Ou seja, o fluxo de passageiros fluía e não havia apertos ou dificuldades de conseguir entrar e sair das estações, com exceção de alguns horários pontuais de pico (especialmente nos dias da semana entre 17h e 19h), que eu procurava evitar. Inclusive, em vários dias eu consegui lugar para sentar, tanto nos ônibus do BRT quanto nos vagões do metrô e dos trens, o que demonstra que o transporte público funcionou bem a contento.

A “comédia” dos Jogos, pelo menos para quem nunca tinha pego um trem da SuperVia, foi ouvir a voz do cara do Google fazendo os anúncios na Central do Brasil…rsrsrs 😆

Aliás, a Central do Brasil é a verdadeira “cara” do Rio popular, com aqueles vendedores ambulantes andando no meio da galera com suas inseparáveis caixas de isopor vendendo “água mineral, cerveja, refrigerante”….rs 😆

Hospedagem: um item a prestar muita atenção.

Como era de se esperar, os hotéis e donos de apartamento do AirBnB inflacionaram os preços das estadias. Porém, foi curioso observar que, à medida que as Olimpíadas se aproximavam, ficava cada vez mais fácil conseguir quartos (embora a preços exorbitantes). Ouvi comentários inclusive de donos de apartamento na zona sul carioca que, no AirBnB, agiram desesperados baixando o preço a níveis ridículos, uma vez que não tinham conseguido alugar antes (talvez exageraram demais nos preços, e tiveram que baixar demais as expectativas).

O fato que aconteceu foi o seguinte (palpite): os hotéis bloquearam um número “x” de quartos para reservas corporativas e de agências de viagens e, à medida que essas reservas não iam se confirmando, eles liberavam os quartos para o público em geral.

Vale ressaltar que, nas semanas que antecederam os Jogos Olímpicos, o clima geral era de pessimismo, inclusive com ameaças de atentados terroristas, o que deve ter afugentado muita gente.

Da minha experiência pessoal, ficou a lição de priorizar a hospedagem mais próxima ao do local de eventos onde se compram mais ingressos para assistir.

Passagens aéreas: baratas.

Ao contrário do que eu temia, foi muito fácil conseguir passagens aéreas para o Rio de Janeiro, tanto em quantidade de milhas, quanto em dinheiro (havia muitas promoções boas em vigor, como noticiado pelo VnV).

Também nesse caso, não sei se isso foi facilitado pelo clima de pessimismo que rondava o Rio pouco antes do começo das Olimpíadas.

Além disso, a própria duração da viagem facilitou a ida – e a volta – para os Jogos. Não ter que se submeter a longas horas de voo, procedimentos de imigração e alfândega, e longas horas de espera antes das viagens, são fatores que tornaram essas Olimpíadas uma maratona bem mais “aceitável”.

E tudo isso sem contar a completa desnecessidade de passaportes e vistos, ou a adaptação a novos fusos horários.

Ingressos: sem pagar IOF e com ampla e farta disponibilidade.

Esse foi o grande ponto positivo das Olimpíadas realizadas no Brasil: nunca foi tão fácil obter ingressos para assistir aos Jogos Olímpicos. Com paciência e perspicácia, era possível facilmente obter ingressos para 99% das competições olímpicas, inclusive para algumas das sessões mais disputadas, como as finais dos 100 metros rasos, e do futebol masculino, bem como a diversas partidas do basquete masculino dos EUA e do tênis na quadra central.

Não sei como funcionará o esquema para a venda de ingressos para Tóquio 2020: me parece que o COI prioriza a venda para os domiciliados no país-sede dos Jogos, sendo que os estrangeiros teriam que se submeter às revendas disponibilizadas pelo Comitê Olímpico do respectivo país.

O ponto negativo da compra de ingressos é, para quem utiliza como cartão principal as bandeiras Amex, Master ou Diners, ter que realizar as compras utilizando apenas o cartão Visa.

Alimentação: um contra-senso dentro dos locais de competição.

Eu achei um tremendo contra-senso que, num evento cujo palco é tomado por atletas que esbanjam vigor físico e saúde decorrentes de uma dieta à base, via de regra, de alimentos saudáveis, se ofereçam ao público apenas fast-food e bebidas alcoólicas e cheias de açúcar.

Felizmente, havia a permissão para poder entrar nos locais de competição portando alimentos industrializados “mais saudáveis”, mas eu penso que a organização deveria repensar o cardápio oferecido ao público, adicionando opções menos gordurosas.

É certo que havia realmente algumas opções mais saudáveis, como saladas e sanduíches mais leves, mas elas ficavam em pontos mais afastados e escondidos do Parque Olímpico da Barra.

Taí um ponto que precisa urgentemente de revisão.

Fora dos locais de competição, se olharmos sob a perspectiva da forte desvalorização de nossa moeda, estava relativamente “barato” se alimentar. Meio quilo de comida num restaurante self-service por quilo, de boa qualidade, girava em torno de R$ 25 a R$ 30. Ou seja, pela cotação atual, era perfeitamente possível se alimentar bem por meros USD 8. Vai tentar fazer isso em Nova York ou Paris….rsrs 😀

Não pagar IOF: não tem preço

Uma das óbvias vantagens de participar de um evento de porte mundial no Brasil é o fato de não pagar IOF sobre nenhuma transação financeira no cartão de crédito, além de poder utilizar as cédulas brasileiras para o pagamento de quaisquer itens relacionados ao consumo.

Conclusão

Dificilmente teremos outra Olimpíada tão “barata” para acompanhar. Poder se hospedar com razoável conforto por quantias equivalentes a USD 100, poder comprar ingressos para assistir a finais olímpicas de eventos super concorridos também por USD 100 (ingressos nas categorias mais baratas), almoçar e jantar em self-services a quilo com comida de qualidade por cerca de USD 10 (considerando USD 15 o quilo), ir e voltar do Rio pagando 20 mil milhas por uma ida+volta, ou pouco mais de USD 100, utilizar exclusivamente o transporte público urbano para se deslocar no Rio por uma semana inteira pagando o equivalente a USD 50 (R$ 160), tornaram esses Jogos Olímpicos quase uma “barganha”, considerando os custos que teríamos se tivéssemos que ir para Londres ou Pequim.

Nem foi preciso gastar muitas milhas (aéreo) ou muitos impostos (IOF em transações estrangeiras). Talvez a parte da hospedagem tenha “pegado” mais, mas nem isso pode ter acontecido, para quem se hospedou em casas de parentes/amigos ou para quem mora no Rio.

A verdade é que, com programação e planejamento, foi possível curtir as Olimpíadas de maneira bem proveitosa, e programação e planejamento continuam sendo essenciais para quem pretende ir para Tóquio 2020.

E você, aproveitou bem também os Jogos Olímpicos? Pretende ir para Tóquio 2020?

 

6 Comments

  1. Alencar 23/08/2016 at 16:47 #

    Guilherme, falando em Rio de Janeiro, o Smiles lançou hoje o “Superdestino”.
    Com o SuperDestino, você resgata bilhetes GOL para o Rio de Janeiro a partir de 4.000 milhas o trecho para voar entre 13/09/2016 e 30/11/2016. Promoção exclusiva para cliente Clube Smiles e da categoria Diamante.

    • Guilherme 23/08/2016 at 20:18 #

      Oi Alencar, ótima dica, vai virar post!

  2. Vinicius 24/08/2016 at 06:37 #

    Tive uma experiência parecida. Só que como fui no primeiro sábado 06/08, o pessoal estava aprendendo a lidar com os procedimentos, então nas estações metrôs-limite (que faziam a troca p trem e BRT), havia um pouco de muvuca. Peguei o VLT da Cinelândia para o Aero Santos Dumont e achei excelente, moderno, limpo e geladinho. Nível Europeu mesmo.

    Me impressionei positivamente com a segurança no geral em volta dos locais de jogos, mas nos lugares onde comi achei tudo muito inflacionado e de um atendimento carioca característico (parece descaso e desprezo, nunca vi em nenhum outro lugar do brasil)

    Tentei reservar um hotel conhecido em Janeiro e eles não estavam aceitando reservas para as olimpiadas ainda porque não haviam definido o preço, só em Maio, então
    aluguei um AirBnB excelente (azar do hotel). Passagem também comprei em meados de Fevereiro. Os passeios do Cristo e Pão de Açúcar também tudo pago antecipadamente com reserva de dia e horário. Resumo: cheguei no RJ sem dívidas, aproveitei bastante a viagem e logo voltarei lá com certeza!

    • Guilherme 24/08/2016 at 10:20 #

      Oi Vinícius, excelente experiência!

      Também achei bastante positivo o esquema de segurança. Mesmo em locais que não eram de competição, havia um forte esquema de segurança. Por exemplo, em Copacabana, tinham homens do Exército fazendo a patrulha em locais de intensa movimentação. No dia da abertura, 5 de agosto, cheguei a ver aquilo que parecia ser membros de elite das Forças Armadas, fortemente armados, em Copacabana. Eram inclusive foco dos fotógrafos de imprensa.

      A linha 4 do metrô, por ser recém-inaugurada, e de acesso exclusivo para quem tinha ingressos, estava também em nível europeu. Voluntários com placas indicando os caminhos facilitava muito também o entendimento sobre que direções seguir.

      Também certamente voltarei ao Rio de Janeiro!

  3. CRISTIANO ANDRADE 27/08/2016 at 12:33 #

    Oi Guilherme
    A oportunidade foi única, não apenas porque foi em solo nacional, com os preços de deslocamento para nós muito mais baixos.
    A disponibilidade de ingressos que vivemos na Rio 2016 dificilmente será vista tão cedo. E isto tem uma conjunção de fatores. Primeiramente o fato de ser um evento distante dos países centrais (Europa, EUA e Japão) que são os grandes “consumidores”do evento olímpico. Além disso, a quantidade de notícias ruins próximas ao evento, os gringos estavam desesperados com o Zica, os atentados terroristas na Europa que acenderam alerta máximo para todos, as notícias sobre violência no Rio e eventuais problemas que a organização poderia ter… Isso afastou o público estrangeiro e fez muitos países devolverem boa parte de sua carga de ingressos, que acabou disponibilizada para o público local. Junte-se a isso o fato de a economia local estar andando de lado e os brasileiros em geral com a mão no freio… muita disponibilidade de ingressos e até mesmo de opções de hospedagem a preços bem razoáveis para este tipo de evento.
    Bom pra quem curtiu!

    • Guilherme 27/08/2016 at 12:48 #

      Excelentes comentários, Cristiano!

      De fato, a conjunção de fatores, muito bem analisada por você, acabou fazendo com que fosse fácil acompanhar “in loco” as Olimpíadas.

      Forte abraço!

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