Você não economiza aquilo que não pode pagar: o inteligente comentário do leitor Carlos

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Os blogs estrangeiros, principalmente aqueles do Boarding Area, gostam de alardear a suposta “fantástica” economia que você estaria fazendo ao comprar, com milhas, uma viagem em classe executiva ou primeira classe que custaria USD 10 mil, USD 20 mil ou até USD 30 mil.

Avião

As manchetes normalmente têm cores sensacionalistas: “como eu economizei USD 100 mil em minha última viagem pela Ásia, utilizando milhas e pontos”, ou “compre milhas da Alaska Airlines e emita passagens na Emirates economizando mais de USD 20 mil”, e por aí vai.

Só que tudo isso é uma baita de uma enganação.

E tudo isso por um motivo bastante elementar: você não economiza aquilo que não pode pagar.

O exercício de imaginação de “oh, estarei economizando 50 mil dólares se eu comprar tal passagem com milhas, ao invés de pontos”, é isso mesmo: um exercício de imaginação.

Pois a maioria absoluta das pessoas não pagaria, mesmo tendo condições financeiras, uma passagem aérea que custasse 50 mil dólares.

Você não pode se auto iludir achando que estará fazendo “a” barganha ao emitir uma passagem com milhas, pois o que você deve ter como parâmetro é o quanto você aceitaria pagar, em dinheiro, por ela.

Por isso, eu achei bastante lúcido e inteligente o comentário do leitor Carlos, a propósito de uma discussão bastante produtiva no artigo A nova moda: promoções “segmentadas” de bônus de transferências de cartões de crédito. Casos Multiplus, Smiles e Amigo:

“Gostei das observações do SwineOne e fui fazer algumas contas; cheguei à conclusão que só o TPC com Singapore ainda vale a pena.

Vamos pegar um gasto de 100k reais. Isto daria um retorno de 2 a 2,5k reais no cashback. Este mesmo montante, usando o TPC, geraria 58k pontos, suficiente para emitir GRU-BCN na primeira classe.

O preço dessa passagem é 22k reais, mas não o valor, já que eu aceitaria pagar no máximo 4k reais por ela. O dobro do gasto (200k) daria 5k de retorno no cashback ou aproximadamente 120k pontos, que dá emitir um trecho em primeira classe de GRU até Austrália ou Japão, custo de 36k mas valor (para mim) de 8k.

Na TAM, em uma ótima promoção, dá para ir e voltar para a Europa com 100k pontos na executiva ou comprar comprar esta passagem por 4k reais, com a vantagem de ganhar milhas, então, a não ser que haja um mega bônus de transferência, melhor o cashback.

Quando houver uma desvalorização do Krisflyer, o cashback vai ser uma ótima alternativa”.

É isso.

O Carlos está correto. Você deve precificar o valor da milha/ponto tendo como base o custo real que estaria disposto a desembolsar por ela, e não ficar se auto iludindo achando que estará economizando 100 mil dólares numa viagem só porque emitiu as passagens e as diárias de hotéis com milhas e pontos.

Conclusão

Felizmente, alguns blogs estrangeiros passaram a enxergar as coisas sob essa perspectiva mais realista, o que é bom, pois elimina o excesso de desinformação que ainda reina em muitas mentes, e contribui para formar consumidores mais conscientes acerca do próprio dinheiro que gastam para bancar suas viagens.

5 Comments

  1. Darlan Silva 23/04/2016 at 14:36 #

    Abriu minha mente. Excelente comentário.

    • Guilherme 23/04/2016 at 20:03 #

      Muito obrigado, Darlan! 😀

  2. Bruno 12/03/2017 at 21:21 #

    Não ficou claro pra mim (ou melhor, não entendi), especialmente as partes “o que aceito pagar”, cashback e misturar valores em reais com valores de pontuação.
    Outra questão, do meu ponto de vista, é não levar em conta situações extremas, como uma reportagem que vi: uma lancha de 21 milhões estava a venda por “apenas” 9 milhões. Mas ora, não posso pagar nem 21 nem 9. Já numa passagem executiva da TAM que custa 6 mil reais (que não posso pagar e não é difícil achar por esse preço), está por 100 mil pontos que custam R$2800 (que posso pagar). Nesse caso acredito que é sim uma bela economia e me permite fazer uma viagem diferenciada que de outra forma não seria possível.

    • Carlos 12/03/2017 at 23:04 #

      Bruno, o objetivo do comentário foi avaliar o que daria um melhor retorno financeiro, o cartão cashback ou o cartão acumulando milhas, baseado em um comentário bem interessante do SwineOne. No exemplo, um gasto de 100k reais daria um retorno de 2 a 2,5k reais no cashback. Se o cartão me der um retorno maior em milhas, melhor as milhas; caso contrário, melhor o cashback.
      No mesmo exemplo, o gasto de 100k reais me daria 58k pontos no Krisflyer, suficiente para um resgate de passagem em primeira classe GRU-BCN. Se eu pegasse o valor que esta passagem (22k reais) custaria, a vantagem para as milhas seria astronômica, o mesmo gasto poderia me dar um retorno de 2,5k reais (cashback) ou 22k reais (milhas resgatadas em passagem).
      Só que esta avaliação das milhas seria enganosa, elas, para mim, não valem 22k reais porque eu jamais pagaria este valor da passagem. O máximo que aceitaria pagar pela passagem seria 4k reais, então este é o valor pelo qual eu devo avaliar os 58k pontos. Ainda assim, o valor foi superior ao que ganharia em cashback, então, para mim, o cartão pontuando 2,2 milhas me dá um melhor retorno do que um cartão que dê de 2 a 2,5% de retorno em dinheiro.
      Desde que escrevi este comentário, a minha avaliação do mundo das milhas mudou um pouco e minha resposta seria até mais direta. Eu escrevi uma postagem estabelecendo valores para os pontos de diferentes cartões de crédito. Se o valor dos pontos ganhos no cartão for superior ao valor que retornaria em dinheiro, melhor acumular milhas; se não, melhor o cashback.

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  1. Giga post do leitor Carlos! Comparação de resgates (emissões) em classe executiva para América do Norte, Europa, África do Sul e Ásia, entre Smiles, Tudo Azul, Amigo Avianca, Multiplus Fidelidade e Victoria TAP! | Meu Milhão de Milhas - 30/01/2017

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