[Reflexões] Se você costuma viajar de executiva, talvez status elite e Priority Pass não sejam assim tão “necessários”

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Quando eu comecei a escrever a série sobre cartões de crédito no blog Aquela Passagem, uma das coisas que mais fascinavam os leitores – eu incluso – era o cartão Priority Pass, um cartão que, mediante o pagamento de uma taxa anual, permite o acesso a qualquer sala VIP credenciada, independentemente da classe voada e da cia. aérea.

Muitos leitores buscavam os cartões de crédito que oferecessem tal benefício incluso – hoje, ele é oferecido pelo Santander Black Unlimited e HSBC Black, por exemplo.

Avião

Mais tarde, com o aprofundamento do conhecimento sobre os programas de fidelidade aéreo, passamos a “mirar nosso alvo” nas mileage runs e na incansável busca pelo status elite – One World Emerald, Star Alliance Gold, Sky Team Elite Plus etc. – que oferecem benefícios aos passageiros frequentes, tais como prioridade de checkin, franquia extra de bagagem, pontuação melhorada por trechos pagos em dinheiro etc.

Todos buscamos, enfim, benefícios extras que possam tornar nossas viagens mais confortáveis, rápidas e práticas.

Porém, com o passar do tempo, e com mais experiência acumulada voando em cabines da classe executiva, uma coisa me ocorreu: se você costuma viajar de executiva, talvez status elite e Priority Pass não sejam assim tão “necessários”. Isso ocorre porque os benefícios extras oferecidos por ambos os itens já se encontram normalmente incorporados quando você viaja em classe executiva, e isso independentemente de estar pagando a passagem com dinheiro ou pagando a passagem com milhas ou pontos.

Qual é o sentido do Priority Pass? Oferecer acesso às salas VIP. Porém, quando você compra uma passagem em classe executiva, você já desfruta desse benefício automaticamente. Por exemplo, se você compra uma passagem em classe executiva voando AA no trecho GRU-MIA, pode acessar tranquilamente a sala VIP da AA ou da LATAM, ambas localizadas no Terminal 3 de Guarulhos. Então, pra quê pagar por um benefício que de qualquer forma você já estaria obtendo?

O mesmo raciocínio vale para os benefícios decorrentes do status elite, tais como prioridade de checkin, prioridade de embarque e franquia extra de bagagem. Quando você compra uma passagem em classe executiva, você já desfruta desse benefício automaticamente.

Sim, eu sei o que você deve estar pensando: “a vantagem de possuir um status elite é usufruir desses benefícios mesmo se você estiver voando na classe econômica”.

E, sim, eu sei que esses são exatamente os benefícios para um passageiro frequente, mas leia de novo o título desse post: se você costuma viajar de executiva.

[…]

O que eu quero dizer é o seguinte: muitas vezes, pode valer mais a pena não gastar dinheiro visando status elite e não gastar dinheiro com anuidades caríssimas de cartões de crédito, cestas de serviços bancários e Priority Pass, e, com o dinheiro economizado, concentrar todos os gastos numa bela viagem inesquecível em classe executiva, onde você desfrutará de praticamente todos os benefícios de quem tem status elite e Priority Pass, sem pagar nada a mais por isso (isto é, sem pagar mileage runs nem Priority Pass e anuidades de cartões de crédito e cestas de serviços bancários).

Conclusão

Surpreendentemente, talvez a conclusão mais importante não seja a que está colocada no título desse post, mas sim essa – bastante provocativa, por sinal: mesmo se você estiver acostumado a viajar em classe econômica, talvez Priority Pass e status elite também não sejam assim tão “indispensáveis”.

Eu acho que existe uma “neura” muito grande nas redes sociais, alimentada por uma fogueira de vaidades sem precedentes na blogosfera de viagens, que fica argumentando, “nas entrelinhas”, obviamente, que você só será feliz se viajar como viajante top, na melhor classe, desfrutar da melhor sala VIP, ir pro avião de limusine, ter status Executive Diamond Platinum Gold etc. etc. etc.

É claro que tudo isso agrega conforto e pode tornar a viagem menos cansativa, mas o ponto não é esse: o ponto é saber se tudo isso realmente não prejudica sua estabilidade financeira e se realmente faz parte de seus gostos e desejos, ou se foram “introjetados” no seu cérebro pelos marqueteiros de plantão. Ou seja: o ponto é saber se tudo isso te torna mais livre ou mais escravo dos “padrões de viagens” que querem te impor.

Em resumo: às vezes é melhor ter a liberdade de tomar um café numa lanchonete de aeroporto, ao invés de se lambuzar numa sala VIP se achando “o” cara. Às vezes, é melhor ter a liberdade de comprar uma passagem em classe econômica sabendo que a conta bancária não será prejudicada por isso, do que ficar ostentado uma viagem em classe executiva com prejuízo do próprio sustento. Às vezes, é melhor ganhar respeito próprio, ainda que isso implique perda de status elite. 😉

p.s.: nesse contexto, aqui vai a dica de um artigo fantástico a respeito: Lose Your Elite Status, Gain Your Self-Respect — and Launch Your Own Frequent Travel Loyalty Program? Pretendo voltar a esse assunto mais vezes, já que o brasileiro médio é carente de educação financeira e se endivida fácil querendo ostentar coisas que não possui, a fim de aparentar ser uma pessoa que definitivamente não é, para impressionar pessoas que não conhece.

4 Comments

  1. Carlos 19/01/2016 at 08:42 #

    Bons tempos do AP, foi o primeiro blog que descobri a respeito do universo de passagens/milhas, servindo como uma graduação do assunto. Depois o One Mile at a Time foi minha pós-graduação. As suas postagens sobre os cartões eram as mais comentadas, permanecendo nos “trend topics” do AP mesmo após muito tempo da publicação.
    Sobre esta postagem, não tenho do que discordar. Eu acrescentaria a opção do cartão Diners como um priority pass genérico, mais barato e um pouco inferior. Eu acabo usando-o mais domesticamente, já que moro em BSB e consigo acessar o fantástico VIP Club Lounge.
    O status em companhias, para mim, depende da frequência com que você viaja. Até umas quatro viagens internacionais por ano, não acho que compense a sua fidelização e limitação na escolha das companhias e preços. A partir de cinco ou seis, talvez valha a pena o investimento, principalmente pela possibilidade dos upgrades, como na AA ou Tam.
    O principal diferencial para mim de viajar na executiva é conseguir chegar no destino e voltar relativamente descansado. Viajando na econômica, principalmente à noite, preciso acrescer um ou dois dias para me recuperar e o custo do hotel extra é bem mais barato do que a diferença da passagem na executiva. Mas como tempo normalmente é meu principal limitador, minhas viagens são curtas ou rápidas e neste caso a executiva faz bastante diferença.

    • Albino 20/01/2016 at 00:45 #

      Concordo plenamente, tanto com o Guilherme quanto com o Carlos.

      • Guilherme 22/01/2016 at 12:15 #

        Obrigado, Carlos e Albino, concordo com suas colocações!

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  1. Santander volta a oferecer os cartões de crédito Unlimited para clientes que não são do segmento Private | Meu Milhão de Milhas - 13/02/2016

    […] Um dos maiores benefícios desses cartões de crédito é o fornecimento do cartão Priority Pass, que permite o acesso a salas VIP conveniadas independentemente da classe de serviço em que o cliente estiver viajando. Sobre até que ponto vale a pena ter esse benefício é um assunto que rendeu um post: Se você costuma viajar de executiva, talvez status elite e Priority Pass não sejam assim tão &#82…. […]

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