Analisando melhor as mudanças no AAdvantage (e ficando um pouco decepcionado com o que virá pela frente…)

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Depois de ler os posts do One Mile At a Time e do View From The Wing, refleti melhor sobre as mudanças que vêm por aí no AAdvantage, e gostaria de compartilhar com os leitores do blog as minhas primeiras conclusões a respeito.

AA

Qualificação para as categorias elite: boas e más notícias

Será suprimido o critério dos EQPs, de modo que a qualificação se baseará ou na quantidade de milhas ganhas, ou na quantidade de trechos voados, de acordo com a classe tarifária comprada e a cabine:

  • Tarifa cheia em first & business class: 3 EQMs por milhas voada
  • Tarifa com desconto em first & business class: 2 EQMs por milhas voada
  • Tarifa cheia em classe econômica: 1.5 EQMs por milhas voada
  • Tarifa com desconto em classe econômica: 1 EQM por milhas voada

Como se vê, será mais fácil conquistar o status elite, que dependerá mais do tipo de cabine e da classe tarifária, do que da distância voada.

Isso, se por um lado é uma notícia boa, por outro tende a tornar mais difícil os upgrades em voos domésticos dentro dos EUA. Porém, essa desvantagem atinge mais os norte-americanos (e estrangeiros) que voam com frequência dentro do território dos EUA. Para nós, brasileiros, isso não importa tanto.

Além das mudanças nos critérios de qualificação, haverá mudanças também no cardápio de benefícios para as categorias elite, e, como comentamos no último post, a maior mudança será a diminuição dos SWUs dos Executive Platinum, de 8 para apenas 4 por ano.

Estrutura de acúmulo de milhas por voos: modelo baseado em dinheiro (mudança extremamente péssima)

Infelizmente, essa mudança é profundamente negativa, e atingirá sobretudo quem costumava fazer mileage runs entre o Brasil e os EUA com o objetivo de conseguir mais milhas a baixo custo. No final de 2016, o AAdvantage substituirá o modelo “uma milha voada é uma milha ganha” por “quanto menos dinheiro você gastar, menos milhas ganhará”.

O Gary, do View From The Wing, postou uma tabela da nova estrutura de acúmulo:

AAdvantage 2016

Vamos exemplificar: recentemente, fiz um voo GRU-MIA-GRU, em que paguei a bagatela de USD 203, voando em Y, e ganhei 16.288 milhas RDMs na minha conta (8.144 pela distância voada, mais 8.144 por ser Platinum, bônus de 100%).

A partir do final de 2016, se novamente surgir um voo com esse preço, e eu mantiver o status Platinum, eu ganharei (se é que eu entendi bem esse novo mecanismo de acúmulo) somente 1.624 milhas pelo valor pago pela passagem (USD 203 x 8), mais 974 milhas pelo bônus de 60% por ser Platinum (o bônus cairá de 100% para 60%, péssima mudança). Total: míseras 2.598 milhas RDMs.

Ou seja, num voo que antes me dava 16.288 milhas resgatáveis, com essas mudanças todas, me dará apenas 2.598 milhas. Um oitavo do que era antes! Simplesmente inacreditável a perda que haverá.

Se isso já é desanimador para o norte-americano que ganha em dólar, imagina para nós, brasileiros, que estamos vendo nossa moeda sofrer uma desvalorização de mais de 60% em relação ao dólar…

Estrutura de resgate de milhas por bilhetes-prêmio: uma incógnita (embora seja para pior)

Ainda não se sabe quais serão as mudanças a serem implementadas na tabela de resgate, mas é quase certo que haverá desvalorização, ou seja, exigência de mais milhas por cada trecho resgatado.

Conclusão

Sinceramente, não sei se vale a pena continuar mantendo status no AAdvantage só para manutenção nas categorias elite, já que um de seus grandes diferenciais era (ou melhor, é) a possibilidade de acúmulo de uma grande quantidade de milhas mesmo pagando valores baixos pelo preço das passagens.

Com a arrancada do dólar, indo para a casa dos R$ 4, esse novo modelo de acúmulo de milhas por voos baseado em dinheiro, e ainda por cima em dinheiro estrangeiro, ou seja, o dólar norte-americano, torna praticamente inviável o AAdvantage como programa destinado a resgatar prêmios de viagens, já que ficará muito difícil ganhar milhas com voos, e os cartões de crédito disponíveis no mercado brasileiro oferecem uma pontuação irrisória comparado aos seus pares (Santander, BB, CEF, HSBC, Amex).

É, pelo visto vou ter que retomar minha procura por um FFP alternativo, embora não me restem muitas alternativas boas. Alguém tem alguma sugestão?

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15 Comments

  1. Cicero 06/11/2015 at 19:39 #

    Talvez a dobradinha BA/ib pode ser uma. A tabela de resgate por distância ainda tem uns “sweet spots”, em especial para vôos internacionais.

    E para nós a sobretaxa de combustível não é problema, pois é vedada pela ANAC.

    • Guilherme 06/11/2015 at 20:34 #

      Concordo, Cícero.

      Além de bons resgates, em determinados trechos e épocas, ainda temos o fato de ele ter parceria com cartões brasileiros – Amex, Santander, HSBC – o que facilita o acúmulo de pontos.

      E isso sem contar o fato de pertencer à One World, mesma aliança da TAM e AA, o que facilita o acúmulo e resgate de pontos em voos de diferentes cias. aéreas.

      Grato pela contribuição!

  2. Cristiano Andrade 07/11/2015 at 05:21 #

    Guilherme
    A mudança será pior do que você falou. Aquele seu exemplo da passagem de USD203 você ganharia apenas 1624 pontos (bônus incluído aí, os 60% de bônus se referem da aos 5 base + 3 bônus = 8/$).
    O lance é saber quando eles mudam isso, falam em “late 2016″. Até lá vamos ” aproveitando”, e aí migrar para outro, porque para o nosso perfil começo a achar que até a TAM fica melhor. Avios pode ser uma boa também, e não descarto migrar radicalmente para Star Alliance com o LifeMiles ou Victoria.

    • Guilherme 07/11/2015 at 11:01 #

      Oi Cristiano, você tem razão.

      Eu acho que as mudanças na estrutura de acúmulo de milhas valerão apenas para voos realizados a partir de 01.01.2017.

      Também acho que, para voos internacionais, a TAM apresenta vantagem, já que ela começará a pontuar por distância em trechos internacionais, indo na direção diametralmente oposta à do AAdvantage.

      Abç!

      Igualmente, não descarto a possibilidade de mudar para a Star Alliance, que tem uma rede bastante forte nas ligações do Brasil para a Europa, e da Europa para a Ásia.

  3. Eduardo Martins 09/11/2015 at 09:04 #

    Guilherme, bom dia!

    Quando vc acredita que as desvalorização da milhas deve ocorrer? Ouvi dizer a nova tabela entraria em vigor no ainda no primeiro semestre de 2016.

    Estou planejamento uma viagem para setembro, mas ainda não tenho certeza das datas e não queria queimar as milhas na correria.

    Obrigado,

    Eduardo

    • Guilherme 09/11/2015 at 10:08 #

      Oi Eduardo!

      Pelos rumores que andam sendo comentados, a desvalorização da tabela ocorreria ainda no primeiro semestre de 2016, talvez entre fevereiro e abril.

      Mas provavelmente eles darão um tempo, ainda que mínimo, para que os associados possam queimar as milhas antes de entrar em vigor a nova tabela.

      Abraços!

      • Eduardo Martins 09/11/2015 at 13:46 #

        Quando vc diz que ele vão dar um tempo, quer algo do tipo bilhetes emitidos até dd/mm/yyyy utilizaram a tabela antiga e depois a nova?

        Triste essa situação, ainda mais agora que fiz mileage run para conseguir mais milhas que pretendia utilizar bem próximo de elas vencerem.

        Ano que vem ainda vou me manter como Platinum (ajudado pelo PromoBug) e garantir os status até março de 2018.

        Ao longo de 2016 irei avaliar as mudanças no AAdvantage e verificar onde concentrarei meus voos em 2017.

        Obrigado,

        Eduardo

        • Guilherme 09/11/2015 at 14:29 #

          Olá Eduardo,

          Sim, isso mesmo, na minha opinião, eles publicarão uma nova tabela de resgate, que será válida para bilhetes-prêmio emitidos a partir de xx.xx.2016. Bilhetes-prêmio emitidos antes dessa data ainda poderão ser resgatados utilizando a tabela antiga. Isso seria uma forma muito mais equilibrada de realizar a mudança. Drástica seria a atitude de publicar uma tabela de resgates com vigência imediata. Acho que eles não teriam coragem de fazer isso…

          Sobre a mudança do modelo para um sistema baseado em dinheiro, eu também estou na dúvida sobre onde concentrar meus voos em 2017. Em 2016 minha situação é muito semelhante à sua: devo continuar na categoria Platinum até março de 2018, pelos voos já comprados para 2016.

          A dúvida é se em 2017 eu continuo com o AAdvantage – que parece que se tornará um AAverage – ou se mudo de programa de fidelidade ainda dentro da One World, ou se faço uma mudança radical para a Star Alliance.

          Abraços!

          • Eduardo Martins 09/11/2015 at 16:23 #

            Grato pela atenção.

            Abraços

  4. Guilherme 09/11/2015 at 17:34 #

    De nada

  5. Bruno 13/11/2015 at 08:50 #

    estou numa dúvida danada se entro no advantage ou fico na TAM, tenho 2 viagens de ida e volta para houston (economica) que paguei uma pechincha e se mudar como dito não vou ganhar quase nada!!! queria me tornar platinum o ano que vem e tentar o EXplatinum em 2017, mas acho q na TAM ta mais fácil. qual a sua opinião??? ta complicado agora.

    • Guilherme 13/11/2015 at 09:22 #

      Olá, Bruno!

      Vamos lá: essas viagens são voando AA?

      Se sim, veja quantas milhas você irá ganhar utilizando o MileCalc: http://milecalc.com/

      Você pretende fazer mais viagens em 2016 voando AA?

      Se sim, recomendo manter o AAdvantage ano que vem, pois o modelo-$ valerá, ao que tudo indica, somente para trechos voados a partir do final de 2016.

      Dessa forma, durante o ano de 2016, você acumulará a quantidade de milhas por trechos voados, e, dependendo da quantidade de voos e das cabines voadas, pode conseguir o Platinum ano que vem de forma mais fácil do que na TAM.

      A coisa muda de figura a partir dos trechos voados em 2017, podendo o TAM Fidelidade ser uma opção, dependendo de quantas viagens você planeja realizar.

      Abraços

      • Bruno 13/11/2015 at 11:46 #

        pois é, esses 2 voos são AA e provavelmente faça mais um ou dois. o problema é me tornar platinum em 2016 e em 2017 mudar esse sistema e praticamente não acumular milhas devido a esse acumulo ser por $$ gasto ainda ter o bônus menor no platinum que no vermelho da tam. Mesmo voando AA eu pontuo na TAM e chegaria no vermelho em 2016. essa é a dúvida, ainda perdido em qual vai valer mais a pena, já que a TAM vai pontuar por milha voada agora.

        • Guilherme 13/11/2015 at 13:02 #

          Como o sistema de acúmulo de milhas por distância voada ainda se manterá no AAdvantage até o final de 2016, eu ficaria com o AAdvantage até lá, pois eles apresentam um sistema de resgate de milhas mais vantajoso para o cliente. P.ex., resgates de voos de longa distância Brasil-EUA por 20k na baixa temporada, por trecho, o que ainda é interessante.

          Abraços

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  1. Análise completa das mudanças oficialmente anunciadas hoje no AAdvantage, para 2016 | Meu Milhão de Milhas - 17/11/2015

    […] havia sido comentada, em primeira mão, em posts anteriores aqui no blog, que você pode conferir clicando aqui e clicando […]

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