A maior cotação de todos os tempos do dólar frente ao real

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Pessoal, o inevitável irá acontecer: a cotação oficial do dólar chegará a R$ 4, provavelmente ainda nessa semana, fazendo com que a moeda norte-americana atinja seu patamar recorde de todos os tempos – o recorde atual pertence ao dia 10.10.2002, quando o dólar tinha fechado a R$ 3,99.

Dollar

O que fazer, nesse caso?

Nada.

Ou melhor, é preciso dizer o que não fazer, nesse caso. E a resposta é: não compre dólar nesse momento. Não compre no topo histórico. Evite ao máximo fazer dívidas em moeda estrangeira.

Não sabemos quando será o topo da moeda norte-americana, mas eu não arriscaria a fechar qualquer compra em moeda norte-americana nos próximos dias.

Quem tem compras a fazer nos próximos dias em sites internacionais e tiver a fatura do cartão de crédito fechando nos próximos dias, a minha dica, um tanto quanto óbvia, é adiar a compra para o vencimento do próximo mês.

Por exemplo, se você tiver um cartão que vença dia 2/10/2015, é provável que a fatura esteja fechando lá pelo dia 21 ou dia 22. Ou seja, semana que vem.

Adie a compra estrangeira para o dia 24 em diante, por exemplo, de modo que a cotação não seja finalizada com o vencimento para o dia 2/10/2015, mas sim 2/11/2015.

O raciocínio aqui é parecido com Bolsa de Valores. Você compraria ações da Bovespa se o Índice atingisse seu topo histórico? Não, né? Comprar na alta, e pior, na alta histórica, é um grande erro, pois você estará comprando a “mercadoria” quando ela estiver no seu preço mais caro de todos os tempos.

O mesmo raciocínio vale para a compra de dólar, ou compra de mercadorias cuja cotação esteja em dólar.

Conclusão

Muita calma nessa hora. Dizem que, por conta da desvalorização do dólar frente a todas as moedas estrangeiras, o turismo interno crescerá. As pessoas viajarão mais dentro do Brasil. Eu acho muito difícil isso acontecer, pois a crise está atingindo a todos, e ninguém é louco de ficar gastando excesso de dinheiro num momento de profunda crise econômica. O mais sensato nesse momento é adiar planos de viagens.

Lembre-se também que aquelas cidades brasileiras mais visitadas por estrangeiros provavelmente continuarão a ter um grande fluxo de visitantes internacionais – afinal, viajar para o Brasil ficou mais barato para os gringos – de modo que eu duvido que, para esses locais específicos, haja qualquer queda nos preços.

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7 Comments

  1. SwineOne 19/09/2015 at 10:36 #

    Guilherme,

    Com relação ao seu cenário de compra no exterior, eu já recomendaria o exato contrário do que você recomendou. Se o seu cartão está para fechar no dia 21/09, compre nele agora mesmo, e mais, pague a fatura no próprio dia 21/09, travando a cotação desta data. Sinceramente ninguém sabe se daqui a um mês o dólar não vai estar R$ 4,50 ou R$ 5,00. Sei que parece absurdo, mas por outro lado, pessoas muito bem informadas estavam comentando ontem que havia chance de uma segunda agência de rating rebaixar o Brasil para o que efetivamente é (ou seja, lixo) ainda ontem após o fechamento dos mercados. Você pode imaginar o que aconteceria com o dólar numa situação dessas? Mesmo que o rebaixamento demore mais um pouco, penso que ele é inevitável, sem contar que há outros fatores que estimulam a fuga de capitais estrangeiros e o aumento do dólar, como a governabilidade que se deteriora dia após dia, o aumento da taxa de juros do Fed americano, a crise na China, etc.

    Por outro lado, a sua segunda recomendação é muito razoável, com relação a adiar planos de viagens, assim como qualquer tipo de consumo em moeda estrangeira. Eu mesmo tenho evitado a compra de apps de celular e ebooks na Amazon nos últimos meses, reduzindo as compras ao que é absolutamente essencial. Também tenho uma série de “gadgets” tecnológicos que gostaria de comprar/atualizar, alguns que são até mesmo ferramenta de trabalho, mas como seus preços são atrelados ao dólar, também já decidi que esperarei uma melhora na situação, algo que infelizmente pode durar anos. As necessidades mais urgentes terão de esperar uma promoção do Ponto Frio de 10 pontos/R$ associado à venda de milhas no Multiplus.

    Agora, para quem realmente quer ou precisa muito viajar por agora, a sugestão que eu deixo é de buscar estratégias para reduzir os principais custos da viagem, que são: escolha do destino, passagem, estadia, alimentação, transporte, passeios e compras. Seguem ideias em cada caso:

    -escolha do destino: se for uma viagem a passeio, busque conhecer algum país mais barato, mesmo que ele não fosse sua primeira escolha. Por exemplo, esse ano viajei para Portugal e Itália, e a diferença de preço entre os dois é gritante (tudo em Portugal é muito mais barato). Um país como a Inglaterra pode ser descartado nesse momento, o custo é inviável.

    -passagem: esse é o item mais fácil, já que basta aproveitar as excelentes promoções que tem sido feitas, a despeito do dólar alto: não está sendo fora do normal ver passagens a menos de R$ 1.000, valor que seria excelente em qualquer outro momento.

    -estadia: aqui dá pra tentar aproveitar as estratégias de transferência para o Le Club que já detalhei em tantos outros comentários, sendo o HSBC a melhor opção, desde que tenha conta (e pontos acumulados, pois ultimamente está difícil consegui-los), ou o que é mais viável para a maioria das pessoas, via km de vantagens da Ipiranga e Multiplus. No melhor caso, de quem tiver muitos km de vantagens acumulados e aproveitar a promoção do Multiplus para transferir para a Accor (que ainda está vigente), é possível “comprar” os pontos Multiplus (via km de vantagens) a R$ 255/10.000 pontos, que depois se tornam 4.000 pontos Le Club na atual cotação “promocional” 2.5:1, o equivalente a €80 em vouchers. Ou seja, é como comprar euro turismo a menos de R$ 3,19, algo que não deve voltar a acontecer no Brasil por MUITOS anos. Mesmo para quem tem poucos km, é possível aproveitar uma promoção da Ipiranga que dá bônus de km no mês seguinte mediante a transferência, mas nesses casos o valor pago por pontos Multiplus será R$ 275/10.000 pontos, o que ainda dá uma cotação média nos vouchers do Le Club de menos de R$ 3,44. Além disso, você pode parcelar a taxa de transferência dos pontos Multiplus em 12x no cartão, o que equivale a um desconto (considerando dinheiro aplicado a 100% do CDI atual) de 6,4%, caindo para R$ 3,23. Outra questão importante é que você não paga IOF, e que estes valores não estão sujeitos a variação cambial. Por fim, conseguindo o status Platinum no Le Club com a transferência de míseros 25.000 pontos (equivalente a €500), você já ganha uma série de benefícios, por exemplo upgrade de quarto, que pode acabar trazendo um pouco mais de luxo a uma viagem que, de outra forma, seria de baixo custo.

    -alimentação: o truque aqui é fazer todas as compras em supermercados e comer no hotel mesmo, ou então comer em restaurantes fast food como McDonald’s (só mesmo aqui no Brasil que McDonald’s é caro e serve como “ostentação” para certas classes menos favorecidas da sociedade — lá fora é uma das coisas que tem de mais barato). Muitos vão protestar que a comida deles é uma porcaria do ponto de vista nutricional. Primeiro, é o preço a se pagar em tempos de crise — voltando ao Brasil você policia a sua alimentação pra compensar, ninguém vai morrer por “comer mal” por 2 semanas. Em segundo lugar, sugiro que assistam a um filme chamado “Fathead” (uma espécie de contraponto ao filme “Super Size Me”), que mostra que é possível comer de forma saudável até mesmo no McDonald’s, mas não da maneira que muitos esperariam. Para mim a principal vantagem do McDonald’s é que é um lugar barato que tem um padrão de qualidade mínimo garantido em qualquer lugar do mundo — nunca tive nenhum desarranjo intestinal por comer lá. Será que dá pra dizer o mesmo do restaurante chinês caindo aos pedaços que você vai encontrar ao pesquisar por restaurantes baratos? Por último: hotéis da rede Accor geralmente cobram pelo café do manhã, e geralmente penso que o valor não se justifica, a menos que você queira tomar um café da manhã reforçado, o mais tarde possível, e pular o almoço.

    -transporte: não dá pra fugir demais deste item, mas aqui sugiro evitar excessos como ficar viajando de um lado a outro do continente durante a sua viagem (escolha uma cidade de destino, no máximo duas, e pronto, a menos que consiga promoções excelentes nestes trechos internos), alugar carro e pegar táxi. Se precisar se deslocar, use apenas transporte público. Outra coisa é escolher um destino onde mesmo o uso de transporte público seja dispensável. Por exemplo, em Roma (que eu sei que é uma cidade muito cara, mas é o que eu conheço para dar de exemplo), ficando em um hotel no centro histórico da cidade, você não precisa andar mais do que 2 km para ver qualquer uma das principais atrações da cidade, e se deixar a preguiça de caminhar de lado, é possível evitar estes custos com transporte público.

    -passeios: aqui também vai muito do destino escolhido, mas nem sempre é necessário pagar um ingresso para ter acesso a bons passeios. Dou como exemplo a National Gallery em Londres (novamente, sei que é uma cidade caríssima, mas estou dando de exemplo o que eu conheço) tem entrada grátis. Roma é outro exemplo: as igrejas e praças, grandes atrativos da cidade, são de graça.

    -compras: acho que nem precisa dizer, né? Evitar ao máximo, e o que for comprar, analisar de maneira muito racional para ver se faz mesmo sentido comprar no exterior. Se é algo que você realmente precisa, não pode esperar, e está mais barato que no Brasil, compre, mas de outra forma, espere por uma viagem futura em condições mais favoráveis.

    Enfim, espero que as dicas sejam de alguma serventia para quem está querendo viajar na nossa atual conjuntura.

    • Guilherme 19/09/2015 at 12:22 #

      Excelentes dicas, Swine!

      Realmente, a respeito da cotação do dólar, existem motivos bastante plausíveis para “travar” uma cotação no momento atual.

      Sobre suas outras dicas de viagens, eles darão um belíssimo post!

      Em relação à alimentação, você está certíssimo, o negócio é aproveitar as compras de comidas em supermercados locais.

      Sobre hospedagens, além da dica do Le Club, o Eduardo sugeriu o uso do AirBnB.

      No mais, é isso mesmo. Apertar nas compras e adiar o tanto quanto possível itens necessários. O negócio é, “mais do que nunca”….rsrs…. “fazer as coisas gastarem”. 🙂

      Abraços

  2. loveless 19/09/2015 at 17:26 #

    Ótimo comentário do colega acima (SwineOne). Agora, tem que ter muita estratégia econômica para passar pela crise e conseguir viajar esse ano.

    Este site está de parabéns, sempre acompanho e informo para outras pessoas dele.

    • Guilherme 19/09/2015 at 18:28 #

      Grato pelas palavras, loveless!

  3. Rafael 20/09/2015 at 15:05 #

    Guilherme, belo post. Só acho que o dólar a R$4 em 2015 ainda não é a maior cotação histórica. Isto pq temos que considerar outras variáveis como inflação e correções salariais individuais. A conta na minha opinião é a relação de qts dólares vc comprava com o seu salário em 2002 e qts compra com o salário hj e depois disso ainda precisa descontar a inflação nos EUA.

    Por exemplo, uma pessoa que ganha salário mínimo, em 2002 comprava 50 usd (R$200/4) e hoje compra 197 usd (R$788/4), considerando o dólar hoje a R$4 também. Considerando uma inflação nos EUA de 25% nesse período (to chutando, não achei os dados) ainda dá aproximadamente 157 usd

    Ou seja, 1 salário mínimo hj vale 3 vezes mais que em 2002 para compras nos EUA.

    • Guilherme 20/09/2015 at 19:21 #

      Olá Rafael, bem interessante seu raciocínio.

      Na verdade, estou me referindo ao valor nominal do dólar, e não ao valor corrigido pela inflação.

      Abraços!

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