O problema das milhas de curta validade: dificuldade de programação de passagens a médio prazo

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Esse é um problema típico dos programas nacionais, os quais: (a) ou costuma ter prazos de validade muito curtos, como é o caso do Tudo Azul e do Multiplus, que é de apenas 2 anos, sem possibilidade de prorrogação em hipótese alguma; (b) ou costumam ter prazos de validade das milhas bônus muito curtos, como é o caso do Smiles para determinadas milhas bônus – por exemplo, prazo de 6 meses.

Quando você tem em vista uma viagem que ocorra antes das milhas expirarem, não há problema algum, pois, em caso de cancelamento da viagem, as milhas voltam para a sua conta, de acordo com a sua data de validade original.

O problema existe quando se quer programar viagens para datas que vão além da data de validade original das milhas, pois o sistema “puxa” as milhas que têm prazo de expiração mais próximo. Se, nesse caso, você emite as passagens com milhas, mas, por alguma razão, na véspera da data de embarque, precisa cancelar a viagem, você perde as milhas, pois elas já passaram do data de validade.

Vejam o que diz o Regulamento do Smiles:

Smiles Milhas

É o que está ocorrendo comigo agora. Tenho milhas no Smiles que vão expirar em outubro de 2015, por conta da validade das milhas bônus que ganhei em decorrência de uma promoção (validade de apenas 6 meses), e tenho também pontos no Tudo Azul que vão vencer em novembro de 2015, os quais foram adquiridos em novembro de 2013.

Estou aproveitando o momento – abril de 2015 – para emitir passagens-prêmio em trechos nacionais para os meses de dezembro de 2015 e janeiro de 2016 (alta temporada), já que a quantidade de pontos exigida agora não é tão grande quanto se costuma exigir quando se chega mais próximo da alta temporada de final de ano.

Mas aí vem o dilema: se eu emito as passagens agora, para viajar em dezembro e janeiro, mas, por algum motivo, na véspera do embarque, lá em dezembro de 2015 ou janeiro de 2016, a viagem não puder ser realizada, eu perderei as milhas, uma vez que elas retornam à data de validade original (outubro, no caso do Smiles; novembro, no caso do Tudo Azul), quando, então, ter-se-á operado a prescrição da validade das milhas Smiles e pontos Tudo Azul.

Para solucionar esse dilema, vejo 3 alternativas: (a) usar minhas contas em outros programas de fidelidade para emitir essas passagens de final de ano, cuja data de validade das milhas me permita realizar o cancelamento sem que eu as perca; (b) utilizar as milhas para emitir outras passagens no decorrer dos próximos meses, a fim de “queimar” as milhas cuja validade expiram em outubro e novembro, para, aí sim, poder utilizar as milhas que expiram de 2016 para diante para emitir as passagens de final de ano; ou (c) emitir as passagens mesmo assim, correndo o risco de perdê-las caso a viagem não se realize.

Eu pretendo utilizar um esquema combinando os itens (a) e (b), já que não considero o item (c) uma hipótese adequada, sob o ponto-de-vista do custo vs. benefício (o risco é muito grande).

Conclusão

É por essas e outras que três dos critérios que eu sempre preconizo na escolha de um bom programa de fidelidade aéreo são:

1) Escolha sempre um programa que lhe dê a maior longevidade possível para suas milhas e pontos, de preferência um programa cujas milhas não expiram desde que você realize uma atividade na conta a cada “x” meses (exemplos: AAdvantage, MileagePlus, Delta SkyMiles, Executive Club, Iberia Plus);

2) Diversifique suas milhas e pontos, ou seja, tenha sempre mais de um programa de fidelidade, a fim de ter opções de escolhas, não só de aeronaves e de serviços, mas também de horários e itinerários (por exemplo, para trechos domésticos, contas no Amigo Avianca, Multiplus Fidelidade, Smiles e Tudo Azul; para emissões na Star Alliance, Victoria TAP, Avianca, Singapore, Miles & Smiles, Mileage Plus; na Sky Team, Air France e Delta; na One World, AAdvantage, Executive Club);

3) Não pense nas suas milhas e pontos como uma conta de investimentos a longo prazo, pois as milhas são passivos que se desvalorizam com o decorrer do tempo. Utilize a ideia “Ganhe e Queime”, “Ganhe e Queime”, ou, como dizem os norte-americanos, Earn and Burn.

Quais são suas ideias a respeito desse assunto?

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2 Comments

  1. Rodrigo Resende 14/04/2015 at 08:15 #

    Guilherme, penso que esse risco de o voo ser cancelado e as milhas retornarem à conta quando já teria decorrido seu prazo de expiração deve ser pensado sob dois aspectos: o primeiro é quando o cancelamento se deu a pedido do passageiro, ou seja, quando atende unicamente à conveniência dele. O outro é quando o vôo é cancelado pela empresa aérea ou pelo passageiro, mas este o faz motivado por uma reacomodação de vôo que não lhe convém. Noutras palavras, essa segunda hipótese se refere a vôos que foram alterados pela cia. aérea, mas cujas reacomodações propostas não atendem aos passageiros, hipótese em que lhes restará pedir o cancelamento dos bilhetes, com o respectivo estorno dos valores de taxas e das milhas/pontos para sua conta.

    Quando o cancelamento atende apenas ao desejo do passageiro, o regulamento dos programas costuma ser expresso em dizer que os pontos cairão na conta, mas “evaporarão” em razão de ter sido expirado o prazo total ou parcial deles e contra isso não vejo muita saída jurídica para os passageiros.

    Diversa é a situação, todavia, de quando o cancelamento se dá porque a reacomodação proposta pela empresa não atende à conveniência do passageiro. Nesta hipótese, não creio que seja justo nem racional que simplesmente ele perca as milhas quando elas retornarem à conta de pontos. Pode ser até uma postura defensável pela cia. aérea, mas uma atitude assim antipática é facilmente questionável do ponto de vista jurídico, porque o passageiro estaria sendo penalizado duplamente: uma pelo cancelamento do voo por razão imputada à empresa e outra através da perda das milhas.

    Noutras palavras, acredito que os regulamentos que disponham da forma como você expõe devem ser interpretados restritivamente (como qualquer regra de penalização/redução dos direitos dos passageiros) a fim de ser aplicada a pena de perda das milhas apenas no primeiro caso. No segundo caso, em que o vôo foi cancelado por causa de atitude da empresa, acredito que esta deve conceder um prazo razoável (mínimo de 6 meses) de validade extra para as milhas, a fim de oportunizar que sejam utilizadas pelo passageiro.

    É apenas uma reflexão que faço para que os passageiros que passarem pela segunda situação pensem bem e questionem as cias. aéreas para não aceitarem placidamente uma extorsão de pontos em suas contas por razões alheias à sua vontade e para a qual nada contribuíram.

    • Guilherme 19/04/2015 at 10:53 #

      Excelentes argumentos, Rodrigo!

      Concordo plenamente com seu ponto-de-vista!

      Abç!

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